Araucária voltou a aparecer em um ranking que ninguém gostaria de integrar. Figuramos entre as cidades com maior taxa de registros de estupro.

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À primeira vista, o dado assusta, e deve assustar. Mas números pedem reflexão, não apenas indignação.

O levantamento considera casos oficialmente registrados. Cidades com rede estruturada de acolhimento e estímulo à denúncia tendem a revelar o que, em muitos lugares, permanece escondido pelo silêncio.

Araucária construiu uma rede de proteção que não pode ser ignorada: Delegacia da Mulher, dois Conselhos Tutelares, CRAM, CRAS, CREAS e profissionais preparados para identificar e encaminhar casos. Essa estrutura salva vidas e também aparece nas estatísticas.

Isso não torna o problema menor, nem motivo de alívio. Torna mais visível. E o que é visível pode ser enfrentado.

Ainda assim, esse jamais será um número comemorado. Porque por trás de cada registro há uma mulher, uma criança, uma vida marcada pela violência.

Reconhecer a rede é necessário, mas o único resultado aceitável é quando nenhuma vítima precisar dela.

Até lá, que o dado sirva não para apontar culpados fáceis, mas para ampliar a prevenção, o acolhimento e, sobretudo, a proteção.

Edição n.º 1946

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