A vinda de Jesus ao mundo provocou uma verdadeira mudança no modo de ser e de viver das pessoas. Quando ele começou a pregar, às margens do mar da Galileia, todos ficaram impressionados e entusiasmados com esse homem tão diferente. Nunca ninguém falou como ele, nunca ninguém se revelou tão humano e próximo daqueles mais sofredores e excluídos da sociedade. O seu jeito de acolher, de escutar, seus gestos e suas ações, impactaram o mundo da época. Todos se perguntavam quem era aquele sujeito tão especial, tão próximo, que a todos cativava e acolhia com tanto amor e tanta compaixão. Ele era realmente encantador, mas quem era ele?

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Jesus, longe de se impressionar com tudo o que diziam a seu respeito, parece que estava muito preocupado com as falsas ideias e visões a seu respeito. Por isso, perguntou aos discípulos o que as pessoas falavam sobre ele. Não era uma questão de crise de identidade, pois ele sabia perfeitamente quem ele era. Os apóstolos então respondem dizendo que uns afirmam que ele é Elias, outros João Batista, Jeremias ou algum profeta que ressuscitou. A pergunta em seguida é dirigida a eles: e vocês, quem dizem que eu sou? Pedro levantou-se e respondeu de modo convicto: tu és o Messias, o Cristo Filho de Deus. Jesus enaltece a resposta de Pedro, mas, pede que não contem nada a ninguém, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.

Jesus está preocupado em ser mal interpretado e que façam dele um rei humano, poderoso e glorioso. Ele tem plena consciência de que o seu messianismo deverá passar pela cruz, numa total humilhação. No entanto, a morte não terá a última palavra, mas, a ressurreição. Ele deverá sofrer muito, ser preso, ser torturado, flagelado, carregar a cruz nos ombros e morrer crucificado. Seu poder não é de força, de domínio, de arrogância e prepotência, mas, de entrega total, de doação plena. Antes de ser aclamado como o Messias, ele deverá sofrer enormemente e dar a sua própria vida para nos salvar. Somente depois ele ressuscitará glorioso e o nosso salvador.

Os próprios apóstolos demoraram para compreender esse mistério, pois, Pedro tentou afastá-lo dessa ideia. Jesus o repreende dizendo que o demônio estava falando por ele, e, não a voz de Deus. Mais tarde, depois da ressurreição, eles também entenderam o que significava o messianismo de Jesus. Eles mesmos se colocaram numa atitude de entrega total, a serviço do Reino de Deus. Seu seguimento foi pleno, até as últimas consequências, sendo que todos morreram como mártires, menos João. Para Paulo o viver era Cristo e o resto era lixo. Mesmo diante das contrariedades na missão, com açoites, prisões e ameaças de morte, eles permaneceram firmes até o fim.

Hoje a pergunta dirigida aos apóstolos, é direcionada a cada um de nós. O mestre nos interroga: e tu, quem dizes que eu sou? Mostramos pelas nossas atitudes, por nossos gestos e ações, a nossa crença em Jesus. Proclamá-lo como o nosso Messias, é compreender que o seguimento a ele exige renúncia, doação, entrega até as últimas consequências. Significa colocar a nossa vida a serviço do próximo, sobretudo, daqueles mais frágeis e sofredores. Seguir o Messias é colocar-se por inteiro, na construção do Reino de Deus, onde reine a paz, o amor, a justiça, a compaixão e a fraternidade.

Edição n.º 1946

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