Araucária uma Cidade uma Saudade: Década de 90 – Rua Dr. Vital Brasil no bairro Estação
Coluna de memória resgata a história da Rua Dr. Vital Brasil, no bairro Estação, que já foi caminho do progresso de Araucária no tempo dos trens e hoje vive nova transformação.
Algumas das mais antigas ruas de Araucária já foram mais importantes que a principal via, a Rua Dr. Victor do Amaral. Tiveram grande relevância no progresso de nossa cidade, mas, aos poucos, passaram a ser praticamente vias secundárias. A rua que aqui vemos é a Rua Dr. Vital Brasil, no Bairro Estação.
Há décadas, quando os trens ainda utilizavam a Estação Ferroviária, no bairro que ficou conhecido por esse nome, esta era a rua que transportava o progresso. Por aqui passavam os veículos que transportavam mercadorias para embarque nos trens, com destino a outras cidades e até a outros estados. Ainda não havia ruas transversais, e a Dr. Vital Brasil era uma linha reta que unia a Rua Dr. Victor do Amaral à Gerônin Durski, que seguia até as linhas férreas.
Era também nesta rua que havia o maior número de construções residenciais e comerciais. Ao longo dela, havia depósitos de cereais, fábrica de palhões, oficina mecânica, armazéns e algumas das mais suntuosas residências.
Foi também por essa rua que a Família Franceschi passou quando, nos anos 30, trouxe para Araucária os primeiros ônibus, na época chamados de jardineiras, que faziam o trajeto da Praça Dr. Vicente Machado até a Estação Ferroviária.
Durante muitas décadas, essa rua foi uma longa estrada de chão, com lama nos tempos de chuva e muita poeira nos períodos secos. Ainda assim, essas construções tinham grande atividade.
A primeira construção à esquerda pertencia à Família Matiolli, mas, nos anos 90, o Sr. Waldemar Vidolim (in memoriam) e sua família residiam no andar superior, enquanto, no térreo, funcionava a Oficina do Waldemar. Na sequência, havia alguns grandes barracões que serviram como Depósito de Cereais e Fábrica de Palhões das famílias Lesniovski e Wzorek.
Apesar de não aparecer na foto, em seguida havia a residência da Família Wzorek e o armazém da família, seguido por um galpão ou depósito de mercadorias e, posteriormente, pela casa da Família Paluski.
À direita, havia menos construções, mas eram bastante conhecidas. A maioria delas pertencia à Família Paluski. Muitos ainda devem se lembrar de uma linda casa com fachada arredondada e uma torre, que fazia com que a residência parecesse um pequeno castelo. Essa casa foi demolida há alguns anos. Ao lado, havia o Mercado do Paluski, onde muitas famílias faziam suas compras mensais. A residência da família também ficava próxima e, nos anos 90, ainda havia muitos terrenos e espaços vazios.
Atualmente, esse lugar já passou por diversas mudanças. A rua encontra-se totalmente asfaltada, mas a Estação Ferroviária, há anos, deixou de existir, permanecendo apenas o nome do bairro.
As construções vistas à direita já não existem e deram lugar a um moderno condomínio. A residência, o barracão e o armazém da Família Wzorek foram vendidos e demolidos, e, no lugar, foi construído o Max Atacadista. O que permanece ainda é o barracão onde atualmente funciona uma loja de móveis. À direita, todas as demais construções também já não existem e o local está passando por novas construções.
Esta rua, que já foi considerada mais importante que a principal, aos poucos se transformou em uma das mais pacatas. Começou transportando mercadorias que seriam embarcadas nos trens; depois, com o fim da utilização da Estação Ferroviária, muitas construções deixaram de ter a utilidade que desempenhavam e encerraram suas atividades.
Agora, seu antigo movimento está retornando com as novas atividades e moradias que surgem ao longo da rua. Porque, da imagem registrada nesta foto, restam apenas as saudades.
Texto de responsabilidade de Terezinha de Souza Poly – Administradora da Página Araucária uma Cidade uma Saudade do Facebook.
Edição n.º 1946
