Posição em ranking de estupro assusta, mas rede em Araucária é exemplo
A divulgação recente de um levantamento feito pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, causou preocupação entre os araucarienses. Isso porque Araucária aparece na 7ª posição entre as 10 cidades brasileiras com as maiores taxas de estupro. O Anuário considera que são 84,4 casos a cada 100 mil habitantes do Município.
Pode parecer contraditório, mas apesar da posição que ocupa no ranking nacional, Araucária registrou uma queda nos registros de estupro e estupro de vulnerável nos últimos anos. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp), em 2024 o número de ocorrências foi de 141, enquanto em 2025 caiu para 132, representando a redução de 6%. No primeiro semestre de 2026, foram registrados 39 casos, contra 58 no mesmo período do ano anterior, mostrando uma queda de 33%.
Interessante destacar que no anuário de 2025, Araucária já figurava entre os municípios com as maiores taxas de estupros do país, ocupando a 11ª posição, com 89,4 ocorrências a cada 100 mil habitantes. Embora o índice tenha registrado queda desde então, a cidade subiu quatro posições no ranking nacional, tornando-se a única representante da região Sul entre os 10 municípios listados.
Especialistas apontam que fatores estruturais e características geográficas explicam a presença de Araucária entre as cidades com os maiores índices. Segundo a análise desses profissionais, embora o município apresente uma arrecadação elevada, as políticas públicas não acompanham essa realidade na mesma proporção. Somado a isso, Araucária possui uma extensa zona rural, aspecto que favorece a ocorrência de delitos em áreas de mata ou em locais de baixa circulação, caracterizados por vias isoladas, desertas e com iluminação precária.
Rede de proteção
Também é importante lembrar que o levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 considera exclusivamente os casos oficialmente registrados. Municípios com uma rede de acolhimento e estímulo à denúncia pouco estruturada tendem a ocultar situações que, em outras localidades, são trazidas à luz.
Araucária consolidou uma rede de proteção que merece destaque, e essa estrutura não apenas salva vidas, como também impacta diretamente as estatísticas. Isso não minimiza a gravidade do problema, porém torna a violência mais visível, permitindo que seja combatida de forma mais eficaz.
A rede integrada de atendimento concentra diversos serviços públicos, com o propósito de oferecer acolhimento, proteção, orientação e acompanhamento contínuo. O objetivo é garantir que a mulher não enfrente essa situação sozinha. Desde o primeiro contato, os profissionais identificam suas necessidades específicas e realizam os encaminhamentos para os serviços adequados, buscando assegurar sua integridade e o rompimento do ciclo de violência.
O círculo de proteção compreende setores como assistência social, saúde e segurança pública, além de unidades escolares e outros equipamentos municipais, capacitados para identificar situações de risco, realizar encaminhamentos ou atuar mediante solicitação direta da mulher. Integram também esse sistema, conforme suas respectivas competências, o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e as forças de segurança.
Assistência Social
Toda a rede de serviços de assistência social atua continuamente na prevenção e no enfrentamento às violações de direitos. Um dos destaques é o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), que atende pessoas em situação de violação de direitos (crianças, adolescentes e idosos), incluindo vítimas de violência sexual, oferecendo acompanhamento social, psicológico e encaminhamentos conforme cada caso.
Para mulheres adultas, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) Eliane de Lima Purger oferece acolhimento, acompanhamento psicológico e social, avaliação de risco, orientações sobre direitos e segurança e encaminhamentos para outros serviços da rede.
Segurança Pública
Em situações de violência acontecendo naquele momento ou de risco imediato, a orientação é ligar para a Polícia Militar, pelo 190, ou para a Guarda Municipal, pelo 153.
A vítima também pode procurar a Polícia Civil para registrar a ocorrência. Em Araucária, a Delegacia da Mulher fica na Rua Santa Catarina, 580, no bairro Cachoeira.
Saúde
O atendimento de saúde não deve ser adiado enquanto a vítima decide se deseja registrar a ocorrência, pois não está condicionado à apresentação de boletim de ocorrência. A procura rápida pelos serviços de saúde pode contribuir para a preservação de possíveis vestígios da violência.
Os serviços de urgência e emergência avaliam as condições da vítima e indicam as medidas necessárias, que podem incluir exames, coleta de vestígios e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Uma das principais portas de entradas para uma vítima de violência sexual no município está nos serviços de saúde. Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), a equipe avalia as condições clínicas. Entre as medidas está a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), utilizada para reduzir o risco de infecção pelo HIV. A PEP deve ser iniciada o mais rapidamente possível e, no máximo, até 72 horas após a exposição.
Em Araucária, crianças de até 12 anos podem ser atendidas no Pronto Atendimento Infantil vinculado ao Hospital Municipal de Araucária. Conforme a avaliação, podem ser encaminhadas a hospitais de referência para atendimento especializado, assim como adultos, quando houver necessidade.
Prevenção
O enfrentamento à violência sexual também ocorre por meio de ações educativas e preventivas realizadas durante todo o ano em escolas, CMEIs, empresas e outras instituições.
Além disso, campanhas como “Maio Laranja” reforçam a conscientização sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes, enquanto o “Agosto Lilás” amplia a mobilização pelo enfrentamento da violência contra as mulheres.
Edição n.º 1947.
