Mesmo com queda na arrecadação, Prefeitura oferece reajuste acima da inflação a motoristas do TRIAR
Mesmo enfrentando um cenário de queda na arrecadação, a Prefeitura de Araucária concordou em conceder reajuste salarial de 6% aos motoristas do Transporte Integrado de Araucária (TRIAR). O percentual é superior à inflação de 4,33% considerada na data-base da categoria e representa ganho real de aproximadamente 1,6%. Ainda assim, os trabalhadores aprovaram nesta sexta-feira, 11 de setembro, indicativo de greve para daqui a 72 horas.
A decisão foi tomada em duas assembleias promovidas pelo Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) em Araucária, uma no período da manhã e outra à tarde.
Nas negociações da data-base, a categoria reivindica reajuste de 6% nos salários e aumento de R$ 200 no auxílio-alimentação. Inicialmente, o Município havia proposto apenas a reposição da inflação, de 4,33%. Após novas conversas e cálculos realizados pela administração municipal, levando em consideração principalmente o comportamento da receita, a Prefeitura avançou na proposta e concordou com os 6% reivindicados pelos trabalhadores.
Atualmente, o salário inicial de um motorista do TRIAR é de R$ 3.582,43. Com a aplicação dos 6%, passaria para R$ 3.797,38, um aumento de R$ 214,95 por mês.
O percentual oferecido aos motoristas do TRIAR é, inclusive, superior ao concedido neste ano aos servidores públicos municipais de Araucária. Na data-base do funcionalismo, em junho, a Prefeitura concedeu reajuste de 4,11%, correspondente à reposição do INPC acumulado no período. Já aos motoristas, a proposta é de 6%, percentual 1,89 ponto percentual superior ao aplicado aos servidores municipais.
O impasse que ainda impede um acordo ficou concentrado no auxílio-alimentação. Hoje, os motoristas do sistema de Araucária recebem R$ 1.587,45 mensais. O valor já é o maior pago aos trabalhadores da categoria entre os municípios da Região Metropolitana de Curitiba e, mesmo sem a concessão dos R$ 200 reivindicados pelo sindicato, continuaria sendo o maior.
O Sindimoc sustenta seu pedido citando acordos fechados em Curitiba, São José dos Pinhais e outros municípios da região, onde houve acréscimo de R$ 200 no benefício. A diferença, porém, está no valor de partida. Nesses municípios, conforme as informações levantadas durante a negociação, o auxílio-alimentação era de aproximadamente R$ 900 e passou para R$ 1.100. Mesmo depois do aumento, portanto, o benefício fica R$ 487,45 abaixo dos R$ 1.587,45 já pagos atualmente aos motoristas do TRIAR.
Segundo informações obtidas pelo O Popular junto à Superintendência de Transporte Coletivo do Município, a administração municipal gostaria de atender integralmente às reivindicações dos trabalhadores. A realidade financeira atual da Prefeitura, porém, não permitiria avançar além da proposta apresentada. Conforme a Superintendência, os 6% de reajuste salarial representam, neste momento, o limite que as contas municipais comportam.
A justificativa encontra respaldo no cenário de queda da arrecadação enfrentado por Araucária. Conforme levantamento já publicado pelo O Popular com base nos dados apresentados pela Secretaria Municipal de Finanças (SMFI), as receitas que abastecem os cofres municipais vêm apresentando retração desde 2024. O exemplo mais significativo é o ICMS, responsável por praticamente metade dos recursos que entram nas contas da Prefeitura. Em 2024, Araucária recebeu R$ 685,5 milhões em cotas do imposto. Em 2025, foram R$ 671,1 milhões e, para 2026, a projeção é de aproximadamente R$ 625 milhões.
A redução das receitas obrigou, inclusive, o Município a recalcular o orçamento deste ano. Inicialmente, a previsão era arrecadar R$ 1,9 bilhão em 2026. Com a mudança do cenário econômico, a estimativa foi revista para aproximadamente R$ 1,7 bilhão. Na prática, são quase R$ 200 milhões a menos entrando nos cofres municipais.
O cenário é agravado pelo fato de Araucária possuir uma série de despesas permanentes e de difícil redução. Entre elas está justamente o transporte coletivo, cuja passagem foi universalizada e hoje é praticamente 100% subsidiada pelo poder público municipal.
Mesmo diante desse quadro, a Prefeitura decidiu avançar dos 4,33% inicialmente oferecidos para os 6% reivindicados pelo Sindimoc. Com isso, além da reposição integral da inflação, os motoristas terão ganho real de aproximadamente 1,6% caso a proposta seja aceita.
A divergência em relação aos R$ 200 adicionais no auxílio-alimentação, no entanto, fez com que a categoria mantivesse o indicativo de greve aprovado nas assembleias desta sexta-feira. Caso não haja entendimento entre as partes durante esse período, a mobilização poderá avançar após o prazo de 72 horas.
