O profeta Isaias vai falar do Reino de Deus como um banquete de ricas iguarias, onde não faltam carnes gordas e vinhos finos. Parece algo muito utópico, pois, a maioria das pessoas tinha direito a praticamente só uma refeição por dia. No entanto, como um profeta da esperança, ele imagina um mundo onde todos possam viver bem e com dignidade. Onde exista alegria e felicidade, porque não falta o pão para nenhuma família. É realmente um sonho, mas, o que seria da vida se não tivéssemos sonhos! A imagem usada por Jesus para definir o Reino de Deus como um grande banquete, quer também mostrar a alegria e a felicidade que deve tomar conta daqueles que seguem o Mestre.

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Mas será que nós compreendemos a profundidade deste mistério? Por vezes eu brinco dizendo que muitas vezes as pessoas vêm para participar da missa meio morrendo e voltam para casa dentro de um caixão. Até parece que estão participando de um velório e não de uma festa. A participação na vida de comunidade é motivo de alegria, de esperança, e não de tristeza e de constrangimento. É um ato de renovação da nossa fé que nos impulsiona para a luta diária. Quando vamos para uma festa, participamos do banquete através da comida e da bebida. É momento de muita alegria, conversa e partilha. Assim também deveria ser a nossa participação na celebração eucarística, ou seja, a festa do encontro dos irmãos em torno da eucaristia.

O banquete eucarístico nos envia em missão e nos convida a sermos sinais alegres na nossa convivência diária. Além disso, nos interpela a aprendermos a partilhar, porque todo o acúmulo gera desigualdade. A partilha é um gesto concreto de quem entendeu o sentido profundo da eucaristia. Comungar e viver de modo egoísta, individualista é no fundo não compreender esse grande mistério. Pior ainda, continuar frio, insensível e indiferente à dor do próximo. Pelo contrário, o pão que nutre a nossa fome de fé, nos impulsiona a viver um amor desinteressado e gratuito pelos irmãos, sobretudo, por aqueles mais sofridos e abandonados.

A imagem do Reino de Deus como um grande banquete de festa, movido por carnes e bebidas, nos faz entender que somos chamados a sermos profetas da alegria. Um cristão é reconhecido pela alegria de servir, de ajudar, de partilhar, de ser solidário, de fazer o bem, de ser capaz de sair de si mesmo e ir ao encontro do outro. O papa Francisco vai falar do evangelho da alegria que nos coloca em movimento, em saída, sempre prontos a ajudar a quem precisa. Vai dizer ele que aquilo que nos move deve ser o desejo imenso e contínuo de fazer o bem. Nada nos pode impedir desse desejo e nos afastar desse propósito em nossa vida.

Diante disso tudo, torna-se claro e evidente, tanto em Isaías como em Jesus, que a nossa vida é como um grande banquete de festa, onde todos são convidados a participar. O que move essa participação é o desejo sincero de ser instrumento do amor, da compaixão, da partilha, da solidariedade e da misericórdia. Cada um é chamado a ser esse farol que ilumina a vida dos outros, mostrando assim, através de palavras, gestos e ações, a beleza do seguimento a Jesus. Como diz aquela música: ‘não pode ser triste o coração que ama a Cristo, não pode ser triste o coração que ama a Deus’.

Edição n.º 1953

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