Clínica explica o que acontece no cérebro diante de um perigo extremo e como lidar com o estresse pós-traumático
Segundo a Clínica São Vicente, a psicoterapia com abordagem voltada ao trauma e medicamentos podem fazer parte do tratamento
Você já percebeu que diante de um perigo, o cérebro reage de maneiras diferentes dependendo da pessoa? Algumas ficam paralisadas e outras podem tentar fugir de alguma forma, levando em consideração qual é a situação em que se encontra. Somado a isso, também é preciso falar sobre o cuidado emocional e psicológico da pessoa após passar por um momento traumático.
De acordo com a Clínica São Vicente, a reação do cérebro nos primeiros segundos é processar os sinais da ameaça e acionar redes relacionadas à atenção e à defesa. A amígdala cerebral tem um papel importante nessa identificação, mas não atua sozinha.
“Outras estruturas ajudam a interpretar o contexto, considerar experiências anteriores e organizar a reação. O hipotálamo participa da comunicação desse alerta ao restante do organismo, ativando o sistema nervoso autônomo e respostas hormonais. Assim, o corpo se prepara rapidamente para reagir, com mudanças nos batimentos cardíacos, na respiração e na disponibilidade de energia”, explica o centro médico.
Com a preparação do corpo para o possível perigo, respostas rápidas e comportamentos já aprendidos podem ganhar prioridade, agindo ‘no automático’. Enquanto isso, a capacidade de analisar alternativas e planejar ficam apagadas.
A reação sobre isso varia de acordo com a pessoa, como foi dito no início. Algumas pessoas fogem, outras enfrentam a situação e existem aquelas que ficam paralisadas. Sobre isso, é importante destacar que essas atitudes não significam uma fraqueza ou falta de coragem, e sim que fazem parte dos mecanismos de defesa diante da ameaça.
“A adrenalina contribui para a resposta rápida, aumentando os batimentos cardíacos e preparando o organismo para o esforço. A noradrenalina participa do estado de alerta e da atenção. Já o cortisol atua em uma escala de tempo mais lenta, ajudando a mobilizar energia e a regular a resposta ao estresse. Essas substâncias também influenciam o funcionamento de regiões cerebrais envolvidas na memória e nas decisões. Por isso, estar muito alerta não significa necessariamente conseguir raciocinar melhor: o estresse intenso pode dificultar escolhas e reduzir a flexibilidade do pensamento”, descreve a Clínica.
A reação diante da dor é outra questão em uma situação de ameaça, onde a percepção pode diminuir temporariamente, pois o cérebro possui mecanismos que modulam os sinais dolorosos. Com a atenção ficando concentrada na sobrevivência, o ferimento em questão pode ser percebido posteriormente. Ainda assim, essa percepção da dor não é a mesma para todas as pessoas, onde, em alguns casos, o estresse pode aumentar a sensibilidade à dor. Desta forma, sentir pouca dor no momento não significa que uma lesão seja leve.
“A impressão de que tudo aconteceu em câmera lenta é um relato conhecido após experiências assustadoras. Uma possível explicação envolve a maneira como o acontecimento é registrado e lembrado”, menciona.
A Clínica São Vicente cita um estudo experimental acerca de uma queda controlada, onde os participantes relataram depois que o tempo do experimento havia durado mais do que realmente era. Apesar de sentirem o tempo ser maior, essas pessoas não demonstraram maior capacidade de perceber estímulos rápidos durante a queda. “O resultado sugere que a sensação de tempo prolongado pode estar ligada à memória do episódio, sem indicar que o cérebro passou a funcionar como uma câmera em alta velocidade”.
Referente à memória, embora o estresse possa fortalecer a lembrança de aspectos emocionalmente importantes, ele pode, ao mesmo tempo, prejudicar o registro ou a recuperação de outros detalhes. Como exemplo, uma pessoa pode conseguir recordar nitidamente um som ou uma imagem, mas possui dificuldade para reconstruir a sequência dos acontecimentos.
“Esses efeitos dependem da intensidade do estresse e do momento em que ele ocorre. Uma lembrança muito vívida não é, necessariamente, uma reprodução exata de tudo o que aconteceu”, informa a Clínica.
Em razão disso, depois de uma situação de perigo, podem surgir traumas, acompanhados de medo, dificuldade para dormir, irritabilidade e lembranças involuntárias. Um grupo de pessoas pode apresentar uma melhora com o tempo e com apoio. Porém, em outras pessoas os sintomas podem persistir, o que compromete a rotina e a qualidade de vida.
“O transtorno de estresse pós-traumático pode envolver pesadelos, sensação de reviver o episódio, evitação de situações associadas ao trauma e estado constante de alerta. Para o diagnóstico, os sintomas precisam durar mais de um mês e provocar prejuízo significativo, além de atender a outros critérios avaliados por um profissional. Não é necessário, porém, esperar esse prazo para procurar ajuda quando o sofrimento é intenso. O acompanhamento profissional permite avaliar os sintomas e indicar o cuidado adequado. A psicoterapia, especialmente com abordagens voltadas ao trauma, e medicamentos, quando indicados, podem fazer parte do tratamento”, finaliza.
Serviço
Se o medo, as lembranças ou as alterações no sono estiverem dificultando o trabalho, os relacionamentos ou as atividades diárias, buscar um psicólogo ou psiquiatra é um passo importante. Depois de sobreviver ao perigo, cuidar da saúde emocional também merece atenção. Se você ficou com alguma dúvida, agende sua consulta!
A Clínica São Vicente está localizada na Rua São Vicente de Paulo, nº 250, no centro de Araucária. O telefone/WhatsApp para contato é o (41) 3552-4000, e o site da Clínica é o www.csv.med.br.
Edição n.º 1953
