Coluna do Trânsito: Especialistas alertam que o hábito de checar mensagens ao volante multiplica o risco de graves acidentes e desafia a fiscalização local
A cena tornou-se rotina nas esquinas e semáforos de nossa cidade: motoristas com o olhar fixo na tela do celular, o polegar deslizando rapidamente pelas redes sociais ou respondendo a mensagens de texto, enquanto a outra mão controla o volante. O que para muitos parece ser apenas uma multitarefa inofensiva no trânsito lento do dia a dia, transformou-se em uma das maiores ameaças à segurança viária da atualidade, rivalizando com o excesso de velocidade e a direção sob efeito de álcool.
A cena tornou-se rotina nas esquinas e semáforos de nossa cidade: motoristas com o olhar fixo na tela do celular, o polegar deslizando rapidamente pelas redes sociais ou respondendo a mensagens de texto, enquanto a outra mão controla o volante. O que para muitos parece ser apenas uma multitarefa inofensiva no trânsito lento do dia a dia, transformou-se em uma das maiores ameaças à segurança viária da atualidade, rivalizando com o excesso de velocidade e a direção sob efeito de álcool.
Especialistas em trânsito explicam que o perigo não está apenas no fato de o motorista desviar os olhos da pista, a chamada distração visual, mas também na perda de foco cognitiva e manual. Quando alguém lê ou envia uma mensagem, são necessários pelo menos cinco segundos de desatenção. A uma velocidade de 60 km/h, isso significa percorrer o equivalente a um campo de futebol inteiramente às cegas. Nesse intervalo, pedestres podem atravessar a rua, ciclistas podem surgir ou veículos à frente podem frear bruscamente, tornando a tragédia inevitável.
Embora o Código de Trânsito Brasileiro classifique o manuseio do celular ao volante como infração gravíssima, gerando multa e perda de pontos na carteira, os registros das autoridades de trânsito mostram que a fiscalização ainda enfrenta grandes desafios. Muitas vezes, o uso é velado, mantido abaixo da linha do painel, o que dificulta o flagrante por parte dos agentes.
Os dados refletem uma realidade preocupante. Nos hospitais da região, o número de atendimentos a vítimas de colisões traseiras e atropelamentos, ocorrências frequentemente associadas à falta de atenção por aparelhos eletrônicos, segue em patamares elevados. Familiares de vítimas e grupos de conscientização cobram campanhas educativas mais incisivas e um rigor maior na aplicação das leis, apontando que a impunidade percebida alimenta a reincidência do hábito.
A solução para este problema, contudo, vai muito além da punição policial. Exige uma profunda mudança cultural. Psicólogos do trânsito apontam que a dependência digital cria uma falsa urgência: a necessidade de estar sempre conectado faz com que o condutor sinta uma ansiedade incontrolável ao ouvir o toque de uma notificação.
Para combater essa urgência, recomenda-se que os motoristas adotem medidas simples, como ativar o modo “não perturbe” durante os deslocamentos, guardar o aparelho no porta-luvas ou no banco traseiro, e lembrar que nenhuma mensagem é urgente o suficiente para colocar uma vida em risco. No trânsito, a verdadeira conexão que importa é com a vida.
Coordenação de Educação no Trânsito Departamento de Trânsito Prefeitura do Município de Araucária
Edição n.º 1956
