Não tá bom…

Marcada para esta sexta-feira, 29 de maio, a audiência pública de prestação de contas referentes ao primeiro quadrimestre de 2020 não deve demonstrar melhora significativa no índice de gastos com pessoal do Município.

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…Mas poderia estar pior

Na última prestação de contas, o índice de gastos com pessoal ficou em 54,49% da chamada receita corrente líquida. Agora, quatro meses depois, o índice deve ficar em 54,28%. O dado ainda não é oficial, mas “é quase”. Essa queda de 0,2% é vista por técnicos da Secretaria Municipal de Finanças (SMFI) como uma vitória. Inicialmente, a expectativa é que o índice ficasse ainda maior do que o do quadrimestre passado.

Limite

Sempre é bom lembrar que o limite de gastos com pessoal permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal é de 54% da arrecadação do Município. Ou seja, Araucária segue acima do que determina a lei.

Sem recomposição

O cenário atual das finanças do Município e a perspectiva de que a coisa piore orçamentariamente ao longo dos próximos meses em razão da crise do conoravírus deve fazer com que, pela primeira vez em anos, o funcionalismo público municipal não tenha sequer a reposição salarial da inflação dos últimos meses.

2%

Os sindicatos que representam o funcionalismo municipal pleiteiam reajuste de 2,28%, que é a inflação acumulada dos últimos doze meses. A Prefeitura, porém, já avisou que não há folga no orçamento para isso.

Déficit

Pelos corredores da Prefeitura, aliás, já se fala em déficit financeiro para cobrir a folha de pagamento em 2020 na casa dos R$ 50 milhões, talvez R$ 60 milhões.

Congelamento

É sempre bom lembrar que tão logo o presidente Jair Bolsonaro sancione o projeto aprovado pelo Congresso de auxílio emergencial a estados e municípios, o salário dos servidores públicos precisará ficar congelado até o final de 2021. Como disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, esse seria o tal do sacrifício do funcionalismo em tempos de pandemia e de colapso da economia.

Devagar…

Falando em economia, a Prefeitura segue se enrolando para mandar para a Câmara o projeto de lei que aumenta a alíquota previdenciária do funcionalismo municipal de 11% para 14%. Essa mudança foi prevista na última reforma da previdência, aprovada pelo Congresso Nacional recentemente. O Governo do Paraná já implantou a mudança e, há alguns meses, o funcionalismo estadual contribui um pouco mais para sua aposentadoria. Araucária, porém, segue naquele ritmo do “depois a gente vê isso”.

35%

Falando em arrecadação, os repasses do Governo do Estado a título de cotas de ICMS para Araucária no mês de maio tiveram queda superior a 35% quando comparado ao mesmo período do ano passado.

R$ 11 milhões

Os números disponibilizados pela Secretaria de Estado da Fazenda (SEFA) mostram que em maio de 2020 Araucária recebeu R$ 21.076.512,18, isso líquido. Em maio de 2019 o repasse foi de R$ 32.512.651,96, também líquido. Ou seja, uma queda de R$ 11.436.139,78. Os números de maio já estão consolidados, pois as transferências são sempre feitas às terças. Ou seja, a grana da próxima semana já conta para o mês de junho.

Estranho

Araucária tem umas coisas muito interessantes. Recentemente, a Prefeitura fez um chamamento público para selecionar empresas para explorar o sistema TRIAR de forma emergencial, enquanto a licitação principal não for desenrolada. Nesse chamamento estipulou um preço máximo. Apenas uma empresa protocolou proposta e nela apontou um preço inferior ao máximo que a Prefeitura estava disposta a pagar. Ou seja, se fez isso, é porque entendeu que era viável executar o serviço mesmo dando um “descontinho”. Dias depois, quando foi informada que “parabéns” você foi escolhida para ficar com o serviço, a empresa entrou com um recurso administrativo questionando o resultado que a sagrou vencedora. Entre os argumentos pontuou que o chamamento deveria ser anulado porque não obteve resposta a um questionamento que havia feito sobre exequibilidade da planilha que embasava o preço máximo do quilômetro rodado. Ora, se o preço máximo não era exequível, como é que a proposta feita por ela própria foi inferior ao máximo?

Câmara

Os vereadores voltaram a se reunir na noite desta segunda-feira, 25 de maio, para mais uma sessão plenária. Em pauta, poucos projetos, mas muitas indicações e requerimentos.

Menos uma

Dos onze vereadores, apenas uma não compareceu à sessão: Tatiana Nogueira (PSDB).

Plano Diretor

Aprovado recentemente pela Câmara de Vereadores, o Plano Diretor de Araucária segue sem muita serventia. Isto porque ainda falta a Câmara aprovar as chamadas leis complementares ao Plano, como zoneamento, código de obras, entre outras. A não priorização da análise desses documentos tem travado o desenvolvimento da cidade e a atração de novos investimentos, pois incorporadoras e construtoras ficam sem os novos parâmetros necessários para tocar e/ou planejar seus projetos.

Em junho

Sobre o assunto, o vereador Fábio Alceu Fernandes (PDT), que preside a Comissão de Justiça e Redação, afirmou que a ideia da Câmara é colocar esses projetos para votação ainda neste semestre. Para isso, já têm sido realizadas reuniões com segmentos diretamente afetados por esses regramentos para verificar a necessidade de eventuais mudanças. Um desses encontros foi com construtores locais, que teriam solicitado mudanças em alguns parâmetros de zoneamento previstos no texto encaminhado à Câmara. São nesses zoneamentos que estão previstos o que pode e o que não pode construir nesse ou naquele bairro.

13%

Levantamento feito pelo O Popular com base em informações do Cartório de Registro Civil mostram que os óbitos de moradores de Araucária cresceram 13% no primeiro quadrimestre de 2020 quando comparado aos primeiros quatro meses de 2019.

231

De janeiro a abril de 2020 deixaram este plano 231 moradores de Araucária. No mesmo período de 2019 foram 202.

Texto: Waldiclei Barboza

Publicado na edição 1214 – 28/05/2020

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