Padre André Marmilicz: Eu creio na semente
Reflexão sobre a parábola do semeador e a força da palavra de Deus como semente que transforma vidas.
Jesus se comunicava com as pessoas de todos os modos, mas, especialmente, através de parábolas. Era o jeito de Jesus falar do Reino de Deus, pensando especialmente naquelas pessoas mais simples e humildes. Ele sempre teve uma grande preocupação com os últimos, pois, se eles compreendem a mensagem, todos então tem acesso à Palavra de Deus. Entre tantas parábolas contadas pelo Mestre, encontramos aquela do Semeador, partindo da realidade do povo da época. Como não existiam fábricas, todos viviam da lavoura e dos produtos da terra. Hoje, provavelmente Jesus usaria outras imagens, dentro do contexto do mundo industrializado.
O semeador saiu a semear, lançando a semente em diversos terrenos. Em primeiro lugar, ele lança a semente na terra dura e ela não produz frutos, pois, vem os pássaros do céu e a comem. Mas ele não desiste e continua lançando a semente, desta vez num terreno pedregoso. Ela nasce, mas, com o calor ela morre, porque é sufocada por falta de profundidade. Um terceiro terreno é espinhoso e facilmente ela nasce, mas, os espinhos a sufocam e ela não resiste e morre. Finalmente, o semeador lançou a semente num terreno bom. Desta vez, sim, a semente nasce, cresce, se desenvolve e produz muitos frutos, 30, 60 e 100 por um.
Vamos para a análise desta parábola do semeador. Na verdade, o mais importante é a semente, pois é ela a razão desta parábola. A semente é a palavra de Deus, razão de nossa vida e da nossa história. É ela que dá sentido e motivação para a nossa existência. O semeador é Jesus, que lança essa semente em diversos terrenos, que são na verdade o coração de cada pessoa. No fundo, essa parábola revela a história do próprio Jesus, que encontrou diversos tipos de corações.
Ao lançar a semente, a boa nova do Reino, se deparou com um coração duro, de pedra, insensível, totalmente fechado à graça e ao amor de Deus. Ele também encontrou um coração pedregoso, que acolheu com alegria a boa nova, mas, como não tinha profundidade, a semente morreu. O coração espinhoso acolheu com muita alegria a mensagem do semeador Jesus, mas, os prazeres do mundo, as coisas materiais, sufocaram a semente. Por fim, a semente foi acolhida por uma terra boa, um bom coração e a semente produziu muitos frutos.
A semente tem a força em si mesma, ou seja, a palavra de Deus é forte, penetrante, mas, nem sempre é bem acolhida. Todos nós temos diversos terrenos e nem sempre produzimos bons frutos. Por vezes escutamos a palavra, mas estamos totalmente distraídos, incapazes de acompanhá-la. Outras vezes, acolhemos com alegria a palavra, mas somos vazios, sem profundidade. Em outras circunstâncias, vibramos com a palavra e até nos emocionamos, mas, as coisas do mundo, com seus prazeres e tentações, acabam matando a semente.
Felizes somos quando acolhemos com alegria a semente, a palavra de Deus, e procuramos viver de acordo com as suas orientações. Naturalmente, nossa vida não é mais a mesma, é transformada e nos tornamos melhores. Somos capazes então de produzir muitos frutos: do amor, da misericórdia, da partilha, do serviço e da bondade. A força da semente, que é a palavra de Deus, nos transforma em seres humanos melhores, mais humanos e mais irmãos. Oxalá possamos ao longo da nossa vida produzir muitos frutos, ajudando esse mundo a ser melhor.
Edição n.º 1940
