Pode parecer exagero o título deste editorial. Afinal, em tempos como os atuais, dizer que o “dinheiro era a parte fácil” soa até absurdo.

Porém, infelizmente, quando falamos de ações de proteção e/ou recuperação do meio ambiente, nem sempre ter o dinheiro é suficiente para vermos o trabalho efetivamente acontecendo.

É por isso que, embora precise ser comemorado, o acordo finalmente celebrado pela Petrobrás no âmbito de três ações que buscavam sua responsabilização pelos danos causados ao meio ambiente em razão do vazamento de óleo de 2000, é apenas o início de um longo trabalho de recuperação que pode ser feito naquele que é o principal rio de nosso Estado e também um dos principais do país.

Com o dinheiro em mãos, é necessário agora exigir dos órgãos responsáveis por sua gestão que ele seja efetivamente gasto em ações que beneficiem o Rio Iguaçu. Sim, porque, explicitamente, o acordo não prevê que a totalidade dos recursos seja empregado na recuperação e/ou preservação da principal vítima do vazamento de óleo.

O acordo prevê que os recursos sejam em sua maioria direcionados a ações ambientais, que podem ser as mais variadas possíveis e nada relacionadas ao Rio Iguaçu, que diariamente é vítima de todo tipo de agressão, seja lançamento irregular de esgoto doméstico, industrial ou mesmo aquele papelzinho de bala que uma pessoa qualquer joga de cima da ponte que corta o Iguaçu.

Não é crível achar que consigamos convencer os gestores dos fundos que receberão esses recursos a investir a sua totalidade no Rio Iguaçu. Porém, é preciso que parte substancial dele tenha esse destino. E isso só acontecerá se a sociedade civil organizada, bem como os órgãos de proteção ao meio ambiente “comprem” essa ideia. Do contrário, teremos esses quase R$ 1,5 bilhão sendo destinados a ações ambientais que pouco influirão num Iguaçu mais limpo, com mais peixes, com mais vida! E se isso acontecer, teremos violentado o Rio Iguaçu duas vezes: em 16 de julho de 2.000 quando suas águas foram contaminadas por 4 milhões de litros de óleo e, agora, em 2021, quando os valores pagos pela causadora da tragédia não forem destinados ao salvamento da vítima.

Pensemos todos nisso e boa leitura!

Publicado na edição 1283 – 12/10/2021

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