A Primavera teve início nesta terça-feira, 22 de setembro, às 21h05, trazendo alterações nos padrões de chuva e temperatura em todo o Brasil. A estação, que se estende até 21 de dezembro, é marcada pela atuação do fenômeno El Niño. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos, este evento, que impacta a circulação atmosférica por meio do aquecimento das águas oceânicas, apresenta 75% de probabilidade de tornar-se o mais intenso já registrado.

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Segundo o professor de Geografia do Colégio Szymanski, Marcus Matozo, a transição para a nova estação é marcada pelo equinócio, evento astronômico que ocorre no plano da órbita terrestre. O termo significa igualdade e equivalência, referindo-se ao momento em que a duração do dia e da noite é idêntica, totalizando 12 horas cada. “A partir de 22 de setembro, a duração dos dias será progressivamente maior em relação às noites, até atingir o seu ponto máximo em dezembro, com o solstício de verão — período que registra o dia mais longo e a noite mais curta do ano”, explica.

Marcus complementa que, como os dias passam a ficar mais longos, a maior incidência de luz solar favorece a elevação das temperaturas até os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. No entanto, por ser a Primavera uma estação de transição, a oscilação climática permanece, alternando dias quentes, frios, chuvosos e ensolarados, conforme as características típicas desse período.

Equinócio

O professor relembra o conceito de equinócio, voltando às aulas de ciências do ensino fundamental, quando os alunos são introduzidos no tema sistema solar, planetas, estrelas, galáxias e tantas outras curiosidades que inevitavelmente aguçam os interesses pelo assunto.

“Aprendíamos sobre os movimentos da Terra, da Lua, dos planetas e a influência disso no nosso dia a dia. Solstícios e Equinócios estavam relacionados às estações do ano, que certamente nos fizeram elaborar desenhos que representassem cada uma delas, com as flores, a neve, as folhas caídas no chão assim como os dias ensolarados, praia e viagens que representavam tão bem o verão”, ilustra.

El Niño

O professor ainda diz que precisamos ficar atentos, uma vez que estamos diante de um fenômeno meteorológico chamado El Niño, que apresenta muitos elementos diferenciados, que não podem ser desprezados, dentre eles o grande volume de chuvas, temporais localizados e também as chamadas “ondas de calor”.

Segundo ele, em 2023/2024 o Projeto Emede (estação meteorológica do Colégio Szymanski) registrou dados importantes, justamente pelo fato da ocorrência, naquele período, de um Super El Niño, e o que chamou a atenção foi o total de 8 ondas de calor pelo Brasil, sendo que 4 delas atingiram a região sul do país.

“Para esse ano, os dados indicam que existe a possibilidade de ocorrência de novas ondas de calor, com frequência maior que aquelas do passado, com um volume inclusive maior que as 4 registradas pelo projeto, aqui para a região sul”, alerta.

Ainda naquele período, o professor reforça que o Projeto Emede registrou uma temperatura máxima de 34,7°C, com o índice de calor (sensação térmica) na casa dos 50°C. Agora, porém, por estarmos diante de um El Niño, que já aqueceu em 2°C a temperatura das águas do Oceano Pacífico, com picos que atingiram 3°C – algo nunca registrado pelas agências meteorológicas -, podemos imaginar que as temperaturas e as ondas de calor provavelmente superem esses dados”, prevê.

Independente das previsões, Marcus afirma que precisamos nos cuidar nesse período de Primavera, principalmente com as fortes ondas de calor, mantendo uma boa hidratação, tomando cuidados com a exposição ao sol e acompanhando com muita atenção os alertas da Defesa Civil local, acatando as orientações de segurança.

Edição n.º 1951

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