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Com a tendência nos tempos atuais de retirar direito dos trabalhadores, e a já conhecida subserviência da imprensa aos “reis do pedaço”, em nada me chocou a capa do jornal na última semana. Para quem não sabe, eu sou concursada há 16 anos, como Fiscal de Transporte, na Companhia Municipal de Transporte do município e semana passada assisti uma tentativa de denegrir a imagem de meus colegas, aqui mesmo nesse jornal. Já há muito não esperamos da imprensa um compromisso com a verdade, porque bem sabemos que existem aqueles que têm valor e aqueles que têm preço.

Tentando me valer do meu valor de empregada pública concursada e de cidadã araucariense, vou tentar clarear um pouco sobre de que se tratam os tais “penduricalhos”, muito mal enumerados na ocasião. Primeira coisa que precisa ficar clara é que um Acordo Coletivo é assinado pelas duas partes, patrões e empregados, que depois de algumas etapas aprovam o que é melhor para ambas. Caso um Acordo Coletivo “excessivamente” benéfico ao trabalhador tenha sido assinado, talvez advenha de uma ineficiência ou incompetência do administrador público responsável. Mas vale ainda salientar que todas essas tratativas são feitas aos olhos da Justiça do Trabalho, mas quem sabe os leigos saibam mais sobre ela que os juízes, vai saber.

Quando foi estabelecido que seria acrescido a remuneração dos ficais o tal Adicional Penosidade, o fez-se por haver uma discrepância muito grande entre os salários dessa categoria e os demais funcionários da Companhia, e por inúmeras novas responsabilidades terem sido agregadas a carreira por uma natural evolução do sistema. O fiscal há muito deixou de ser o que fica na “guarita com uma pranchetinha”. Com a falta de concurso público e com a capacitação técnica da equipe, o fiscal hoje cria os itinerário, as escalas de carros e motoristas, alimenta e atualiza um diagrama de marcha, alimenta dois sistemas complexos, faz a aferição de quilometragem, filtra a biometria facial, inclusive a planilha de custos entregue pronta para os escritório de contabilidade contratado, foi desenvolvida por um fiscal, além, claro, de todo o trabalho que, em tempos remotos, era feito com uma “prachetinha”.

Quanto ao abono salarial, que no caso dos funcionários da prefeitura foi incorporado ao salário, na CMTC, por determinação judicial de 2008, foi integrado à remuneração, devendo sofrer todas as correções salarias desde então. O quinquênio está previsto no PCCS (Plano de Cargos Carreiras e Salários).

Há uma aparente mágoa da atual gestão com os funcionários de carreira, mágoa essa que pode ser sanada pela impessoalidade e competência gerencial. Um administrador público, entre inúmeras outras qualidades, deve saber gerir pessoas, porque a escravidão, embora estejam tentando resgatá-la, já passou e automatização total dos trabalhos ainda não chegou. Cabe ao bom gestor saber conduzir sua equipe como um verdadeiro líder e não como um ditador.

Existe hoje uma ameaça latente da atual administração em extinguir a CMTC, e ela se baseia no fato de que o prefeito não quer saber de trabalhador lutando por seus direitos. Ouso dizer que tal extinção caminha a passos largos por outro motivo: má administração. No dia 31 de janeiro de 2017, entregamos à equipe do atual prefeito (e ao Ministério Público) uma lista de recomendações para que a CMTC pudesse enfim tentar oferecer alguma excelência naquele que deveria ser seu mote principal de trabalho: a fiscalização das concessões do transporte público. Até agora bem poucas foram as tentativas de implementá-las. Enquanto a CMTC não determinar um valor de quilometro de forma crível (não por dispensa de licitação ou qualquer outra a&ccedi l;ão que possa levantar questionamentos depois), não criar um método de cálculo tarifário, não deixar de virar uma agência de empregos a cada contrato firmado com terceirizadas, tudo nela será sempre uma “mise em scène” pra encostar correligionários “políticos”.

Nós, funcionários, acreditamos que se voltássemos a unir a CMTC com a COHAB, tal medida traria grande economia à máquina pública, reduzindo significativamente o número de contratos e de diretores. Porque se existe, e se pretende valer de uma “visão empresarial” para o serviço público, é exatamente nas empresas públicas que ela pode ser concretizada. Aí precisa saber gerir gente, resolver conflitos e implementar políticas públicas com bases sólidas, mas isso dá um trabalhão. Talvez seja mais fácil mesmo corromper pessoas e instituições.

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