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Alerta: o diabetes é uma doença que mata em silêncio!

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De acordo com o International Diabetes Federation (IDF) existem aproximadamente 16 milhões de pessoas com diabetes no Brasil, e a estimativa é de que até 2045 esse número salte para cerca de 23 milhões. Ainda de acordo com o IDF, houve um aumento no número de casos da doença, fator que pode ser atribuído ao envelhecimento da população, ou seja, a prevalência da doença aumenta pelo maior número de pessoas que recebem o diagnóstico. Porém outras fontes também relatam o aumento da incidência de diabetes ao estilo de vida da população, alimentação, sedentarismo, sobrepeso e obesidade.

A diabetes, assim como a hipertensão arterial e a obesidade, é considerada uma doença crônica, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) a classificação atual compreende os seguintes tipos da doença: diabetes tipo 1 (DM1), diabetes tipo 2 (DM2), diabetes gestacional (DMG) e os outros tipos de diabetes. “Outras classificações têm sido propostas, incluindo classificação em subtipos de DM, levando em conta características clínicas como o momento do início do diabetes, a história familiar, a função residual das células beta (o quanto as células ainda conseguem secretar de insulina), os índices de resistência à insulina, o risco de complicações crônicas, o grau de obesidade, a presença de autoanticorpos e eventuais características sindrômicas”, explica a endocrinologista Letícia Marinho Del Corso, da Clínica São Vicente.

Segundo ela, ainda existe o diabetes decorrente de defeito genético associado com outras doenças ou com o uso de medicamentos. “Temos alguns tipos mais raros de diabetes que ocorrem devido alterações genéticas que causam disfunção das células beta-pancreáticas (células que secretam insulina) e tipos relacionados a defeitos genéticos na ação da insulina”, ilustra.

A especialista reforça ainda que existem casos de diabetes que estão relacionados a doenças como pancreatite ou outros males do pâncreas, fibrose cística, hemocromatose, acromegalia (lesão na hipófise que causa excesso de hormônio do crescimento na idade adulta), síndrome de Cushing e outras doenças endocrinológicas. ‘’Em relação às causas medicamentosas, as principais associações ocorrem com uso de glicocorticoides (popularmente conhecido como cortisona), Vacor (Piriminil – raticida com potencial para destruir célula beta), Pentamidina, Ácido nicotínico, Diazóxido, Agonista ß adrenérgico, Tiazídicos, Difenilhidantoina e Interferon Y. Devemos lembrar que pessoas portadoras de determinadas síndromes genéticas também tem risco aumentado de desenvolver diabetes, entre elas a Síndrome de Down, Síndrome de Klinefelter, Síndrome de Turner, Síndrome de Wolfram, Síndrome de Prader Willi, Ataxia de Friedreich, Coreia de Huntington, Síndrome de Laurence-Moon-Biedl, Distrofia miotônica e Porfiria”, afirma.

Principais sintomas

O diabetes tipo 2 (DM2) é o tipo mais comum. Está frequentemente associado à obesidade e ao envelhecimento. Tem início insidioso e é caracterizado por resistência à insulina e deficiência parcial de secreção de insulina pelas células beta-pancreáticas, além de alterações na secreção de incretinas. Apresenta frequentemente características clínicas associadas à resistência à insulina, como acantose nigricans e hipertrigliceridemia. Pode ser pouco sintomático, mas quando os sintomas estão presentes podemos ter perda de peso não intencional, excesso de sede, fome e vontade de urinar.

O DM1 é mais comum em crianças e adolescentes. Apresenta deficiência grave de insulina devido a destruição das células beta-pancreáticas, associada à autoimunidade. A apresentação clínica é abrupta, com propensão à cetose e cetoacidose, com necessidade de insulinoterapia plena desde o diagnóstico ou após curto período. Geralmente os sintomas estão presentes, podendo ocorrer perda de peso não intencional, excesso de sede, fome e vontade de urinar, dor abdominal, vômitos, desidratação e alteração do estado mental.

Complicações

A endocrinologista Letícia Del Corso explica que são diversas as complicações quando a doença permanece fora do controle por muito tempo, porém podem ser minimizadas com o bom controle da glicemia. Entre as principais complicações ela cita a retinopatia diabética (RD), uma complicação microvascular relativamente comum, afetando cerca de 35% dos pacientes portadores de diabetes. Diagnóstico e tratamento precoces melhoram o prognóstico da RD, reduzindo o risco de dano visual irreversível. O atraso no diagnóstico e o surgimento das formas graves constituem a principal causa de perda visual evitável na população economicamente ativa. Em pessoas com DM2, É RECOMENDADO iniciar o rastreamento de RD no momento do diagnóstico do diabetes.

Outra complicação é a doença renal do diabetes (DRD), a principal causa de necessidade de hemodiálise ou transplante renal. O tratamento da DRD visa evitar a progressão da doença e suas complicações. Para isso, os fatores de risco de progressão, como a hiperglicemia, hipertensão arterial, albuminúria, dislipidemia, tabagismo, obesidade, alimentação inadequada e sedentarismo, devem ser abordados. Temos ainda a neuropatia diabética (ND), dentro deste grupo estão incluídos diversos tipos de neuropatias (alterações dos nervos) como a polineuropatia sensitivo-motora, a autonômica, a mononeuropatia, a radiculoneuropatia e as polineuropatias atípicas. A mais conhecida é a neuropatia periférica diabética dolorosa, que causa dor crônica e traz impacto negativo na qualidade de vida, no humor e na funcionalidade de pessoas com diabetes.

“Nesse grupo temos ainda a úlcera do pé diabético, uma das complicações mais temidas e os principais fatores de risco incluem a perda da sensibilidade, doença arterial periférica e as deformidades nos pés. A história prévia de ulceração e amputação de membros inferiores aumenta ainda mais o risco de ulceração. Sempre atentar e procurar atendimento se observar calosidades, bolhas, fissuras, dor ao caminhar, dor em repouso, formigamento, alteração da cor ou da temperatura ou inchaço nos pés. O diabetes também aumenta o risco de doenças cardiovasculares, como infarto do miocárdio, angina, acidente vascular cerebral (AVC ou derrame), insuficiência cardíaca, doença arterial periférica, entre outras”, enumera a médica.

Tratamentos

O tratamento para o diabetes vem evoluindo muito nos últimos anos, e atualmente existem diversas opções medicamentosas, seja via oral ou injetável. “Contamos com medicações seguras, eficazes e que podem auxiliar na prevenção de complicações do diabetes, mas não podemos nos esquecer do tratamento não farmacológico, que é fundamental para melhores resultados. Em relação à abordagem não medicamentosa, recomenda-se a implementação de hábitos de vida saudáveis e controle do peso corporal. Devemos incentivar a incorporação de frutas, verduras e legumes na alimentação, maior consumo de fibras, tomar bastante água, e evitar alimentos ricos em açucares e gorduras, bebidas adoçadas, gordura saturada, trans e ultraprocessados. Pacientes com diabetes também devem receber orientações dietéticas específicas. A recomendação de pelo menos 150 minutos de atividade física por semana é importante, assim como o abandono de hábitos não saudáveis, como o tabaco, cigarros eletrônicos, bebidas alcóolicas e o sedentarismo”, recomenda.

Serviço

Para agendar uma consulta com a endocrinologista Letícia Marinho Del Corso ou demais médicos da Clínica São Vicente, entre em contato pelo telefone (41) 3552-4000 ou WhatsApp (41) 98780-1440. A Clínica está localizada na Rua São Vicente de Paulo, nº 250, no Centro de Araucária e o horário de atendimento é de segunda a sexta das 7h às 22h, aos sábados das 8h às 19h e nos domingos e feriados das 13h às 19h.

Edição n. 1370