Alex Witkowski pretende colocar todo aprendizado em prática e sonha com Paris 2024. Foto: divulgação

Alex Witkowski, araucariense que participou das Paralimpíadas de Tóquio 2020, na seleção brasileira de vôlei sentado, teve uma experiência inédita, vivida por poucos atletas. Apesar da tão sonhada medalha de ouro não ter sido conquistada, ele conta que realizou um sonho e durante os 40 dias que vivenciou os preparativos e a realização das paralimpíadas, aprendeu muito. “Eu também não imaginava o quanto as pessoas estavam na torcida por mim. Não tinha ideia de que receberia tanto carinho assim, e agradeço a todos”, disse, emocionado.

A jornada do atleta iniciou no dia 1º de agosto, com a viagem para São Paulo, onde se apresentou na última semana de treinamento da Seleção Brasileira, antes de iniciar a viagem rumo ao Japão. “Ficamos lá até o dia 8, e a semana foi extremamente longa, afinal a ansiedade para os jogos já estava à flor da pele. Dia 8, finalmente, iniciamos o tão esperado embarque para o Japão, dando início a missão. Eu sabia que o país era longe, mas não tanto assim, nosso primeiro vôo durou incríveis 14 horas até a cidade de Doha, no Catar. Fizemos essa conexão e depois de 4 horas pegamos o segundo vôo rumo ao Japão, com duração de mais 12 horas. Chegando lá, embarcamos em um ônibus e lá se foram mais 7 horas de viagem até a cidade de Hamamatsu, onde fizemos nossa aclimatação”, relatou.

Alex disse que quando chegou em Hamamatsu, a ficha ainda não tinha caído. “De início foi um choque tremendo, a cultura Japonesa é única, o pessoal lá é muito organizado, são extremamente pontuais e muito educados e carinhosos. A cidade é excepcionalmente limpa, sem caos no trânsito. Consegui me adaptar super bem e rápido com o fuso horário. Foi difícil nos dois primeiros dias, no terceiro eu já estava familiarizado com tudo, conseguindo descansar bem durante a noite. Aqui no Brasil, no CT paralímpico em São Paulo, a gente treinava em uma bolha, no Japão esse sistema foi mantido, mas muito mais rigoroso. O hotel foi isolado e onde a Seleção Brasileira ficava, podíamos usar o elevador apenas para alguns andares pré definidos pelos staffs e sempre guiados e acompanhados por um deles. Nos locais de treinamento, a quadra e a academia eram totalmente pré isoladas e higienizadas, nunca tinha visto um sistema tão rigoroso assim. De início a gente achava estranho tudo aquilo, mas com o tempo fomos nos acostumando”, relembrou o atleta.

A seleção brasileira ficou em Hamamatsu por cerca de 12 dias, treinando dois períodos, além de fazer sessões de musculação, mesma rotina que o time enfrentava no Brasil, mas isso até a chegada a Tóquio, para o início dos Jogos. “A vila paralímpica era um lugar lindo demais, foi uma pena a gente estar nessa pandemia, pois a cidade é maravilhosa, queria muito ter conhecido os pontos turísticos, mas não podíamos sair da bolha, apenas para treinar e ir disputar os jogos. Deixamos Tóquio com o 4° lugar, mas apesar do resultado não ter sido o esperado, fico feliz por ter tido a chance de participar de tudo isso, o aprendizado foi imenso, tive a chance de ver de perto como os melhores atletas do mundo treinam e jogam. Agora de volta ao Brasil, trago essa imensa carga de aprendizagem e quero colocar tudo em prática, afinal o Ciclo de Paris 2024 já teve início, quero muito estar lá e desta vez, para trazer a nossa tão sonhada medalha paralímpica”, prometeu Alex.

Texto: Maurenn Bernardo

Publicado na edição 1279 – 16/09/2021

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