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Mesmo com a estiagem que tem castigado as lavouras, produtora
de morango investiu em sistemas de irrigação e não terá perdas
Zita Trzaskos tem paixão pelo cultivo de morangos e espera por uma boa colheita neste ano. Foto: Marco Charneski

Agosto, setembro e outubro são os meses onde o morango é abundante. Em Araucária, a Secretaria Municipal de Agricultura prevê uma produção de 221 toneladas na safra de 2020, porém, está é uma estimativa, pois fatores climáticos podem influenciar na colheita, que ainda está no início. Segundo a SMAG, apesar de estarmos atravessando um período crítico de estiagem, a produção de morangos deste ano não ficará muito abaixo de 2019, quando foram colhidas cerca de 236 toneladas. O resultado da safra deste ano também está relacionado ao pedido feito pela secretaria ao produtor, de procurar especialização na cultura, garantindo o sucesso no cultivo e manejo da fruta.

Considerando que o Paraná é o 4° produtor de morango no país, sendo a região de Curitiba responsável por cerca de metade da colheita do estado, Araucária também se destaca nesse cenário, com mais de 300 produtores da fruta. Destes, 191 receberam esse ano algum tipo de apoio técnico da Prefeitura, como orientações, mudas, acesso a implementos, equipamentos e serviços. A Patrulha Rural também disponibiliza o preparo do solo e o equipamento para fazer os canteiros para o plantio. Além destes, também há o programa do calcário para a correção do solo, onde cada agricultor pode receber até 15 toneladas, mediante uma análise de acidez do solo.

Ainda em 2020 foram compradas 221.000 mudas de morango pela secretaria e cada produtor recebeu 1.200 mudas. O programa do morango começou no ano de 2005 em Araucária. O relato dos primeiros produtores indica que eram entregues cerca de 20 mudas por produtor, uma média de 10 produtores/ano.

Amor ao cultivo da fruta

A produtora Zita Trzaskos, moradora da área rural de Lagoa Suja, trabalha com morangos há 17 anos, quatro deles com produção individual. Filha e neta de agricultores, de descendência polonesa, ela conta que foi criada na roça, ajudando na agricultura familiar. “Há cerca de 40 anos, os tempos eram outros, o trabalho era todo braçal. Então quando completei a maior idade, resolvi arriscar a vida na cidade, fiquei anos trabalhando em fábricas de Araucária, mas sempre com o pensamento naquilo que havia deixado para trás. Até que um dia, com a cara e a coragem, resolvi voltar lá de onde eu vim, para a agricultura”, relembra.

Zita diz que no início não tinha renda para começar a plantar, então foi trabalhar por dia com o primo, onde descobriu a agricultura de morangos. Segundo ela, um trabalho nada fácil, mas prazeroso. “Resolvi não trabalhar mais por dia e sim trabalhar por porcentagem, onde eu plantava já no meu espaço, recebia as mudas e insumos do produtor, colhia e ficava com 20% dos lucros. Após mais algum tempo, já com uma renda maior, fiquei sabendo do incentivo da Prefeitura para os produtores de morango e resolvi, pelo pouco que tinha, investir. Junto com minha irmã mais nova começamos a nossa produção própria, desde o plantio até a venda. Foi aí que aquele sonho, lá do passado, começava a se tornar realidade. Hoje, eu e meu filho estamos à frente da produção de morangos, que graças a Deus se tornou referência na região, não só pela qualidade, mas pelo carinho que temos com a agricultura. Tudo aqui é simples e o trabalho praticamente todo manual, mas gostamos do que fazemos e gostamos mais ainda dos elogios que recebemos, afinal, chegar em um estabelecimento comercial e ver ali o seu produto sendo vendido é muito gratificante. Hoje posso dizer que o morango é nossa principal fonte de renda, tudo começou pequeno, mas tomou uma grande proporção e claro, se não fosse aquele sonho e aquela vontade de crescer, nada disso teria sido possível”, orgulha-se a produtora.

Hoje ela vende sua produção na Ceasa, em Curitiba. Com relação à safra deste ano, ela comenta que apesar da estiagem, as expectativas são ótimas, já que ela possui sistema de irrigação por gotejamento.

Texto: Maurenn Bernardo

Publicado na edição 1230 – 17/09/2020

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