Araucariense está na Venezuela e vai atuar como voluntário nas buscas por vítimas
O empreendedor Peterson Alves da Silva (Tako) embarcou para Caracas, uma das áreas mais atingidas pelo terremoto, para atuar como voluntário nos resgates.
Já se aproxima de dois mil o número de mortes provocadas pelos terremotos de grande magnitude que atingiram a Venezuela na quarta-feira, 24 de junho. A quantidade de feridos passa de dez mil. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que aproximadamente 50 mil pessoas ainda estejam desaparecidas.
Mais de seis mil pessoas foram resgatadas dos escombros vivas, segundo balanço divulgado na terça-feira (30), pelo governo venezuelano.
O cenário é de completa destruição. A área mais atingida pelo terremoto se estende por aproximadamente 60 km entre Caracas e o litoral venezuelano. Em alguns pontos da região turística de La Guaira há edifícios de 10 a 15 pavimentos completamente destruídos, tornando a operação ainda mais complexa. O deslocamento é muito difícil por causa dos escombros e as equipes chegam a levar mais de uma hora para percorrer poucos quilômetros.
“Não há energia elétrica na região, existe dificuldade para conseguir combustível e praticamente todas as famílias foram afetadas. As pessoas estão dormindo nas ruas porque muitas casas desabaram ou ficaram comprometidas. É um sentimento de muita tristeza, mas também de gratidão entre aqueles que conseguiram sobreviver”, segundo relatos de bombeiros paranaenses que atuam nos serviços de busca e resgate de vítimas.

A tragédia mobiliza milhares de voluntários de diversos países, todos dispostos a ajudar nesse momento tão difícil para o povo venezuelano. O empreendedor araucariense Peterson Alves da Silva, proprietário da Borracharia do Tako, é uma das pessoas que se voluntariou, ele embarcou para Caracas e já está na fronteira com a Venezuela, cuidando dos trâmites de imigração.
“Nosso avião não pousou diretamente em Caracas porque lá está tudo destruído. As coisas estão muito tumultuadas por aqui, por isso ainda não conseguimos entrar na capital. Já fiquei impressionado logo ao chegar e ainda nem estou no local onde ocorreu o terremoto”, lamenta.
Peterson convidou alguns amigos e vizinhos para viajarem nessa missão, mas todos declinaram do convite. Ele vai atuar nos trabalhos de resgate, porque a todo momento são encontradas pessoas debaixo dos escombros, algumas vivas, outras não. “Vou ajudar nos resgates, esse é o intuito, pois tenho treinamento para isso. E esta será a minha quinta missão, já estive no Rio Grande do Sul, em São Paulo, em Minas Gerais e recentemente em Rio Bonito do Iguaçu. No entanto, nada se compara ao que aconteceu na Venezuela, porque um terremoto dessa magnitude (7.5) tem alto poder de destruição. E o pior é que por aqui ainda ouvimos relatos de pessoas que sentem a terra tremer durante o dia. Isso quer dizer que a região ainda está propícia a ter mais terremotos. A gente pede a Deus que não aconteça, mas se acontecer que seja fraquinho. Não da magnitude que aconteceu, que destruiu tudo, que foi 7.5 na escala Richter.”
Tako diz que não recebeu ajuda de ninguém para viajar, ele mesmo está bancando todos os gastos. “Meu objetivo é ajudar mesmo, sem fins lucrativos. Deixei minha família, minha esposa e filho em casa, sozinhos e agora estou aqui. Peço orações porque vou para esta missão, mas quero voltar!”, declara.
Edição n.º 1939
