Araucarienses fundam ONG para defender diretos da população LGBTI+ | O Popular do Paraná
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Araucarienses fundam ONG para defender diretos da população LGBTI+
Foto: freepik

Os LGBTI+ (Lésbicas, Gays, bissexuais, Transexuais e Intersexuais) são pessoas violentadas diariamente a partir da negação da sua existência. O preconceito e a discriminação, a violência e a negação de direitos fazem parte do seu dia a dia. É uma população nem sempre acolhida como deveria. Pensando nisso é que um grupo de araucarienses, liderados pelas empresárias Tatiane Soares Cardoso e Sandra Mara Cordeiro e da jornalista Gabriela Rocha, decidiram criar uma ONG, com intuito de dar voz, unir e fortalecer essa população. Entre as propostas da entidade está uma agência de empregos exclusiva para LGBTI+, suporte psicológico para os familiares, inclusive, orientação religiosa, cursos profissionalizantes, palestras de apoio, campanhas de conscientização em toda a cidade, visando com isso, o fim do preconceito e discriminação de gênero.

“Seremos um grupo sem fins lucrativos, com o único propósito de estender a mão e ser a voz dessa população. Precisamos enxergar a realidade e fazer a nossa parte por uma sociedade com menos preconceito e mais oportunidades”, comentou Gabriela. Segundo ela, muitos jovens, pelo preconceito e rejeição, até dentro de casa, acabam desenvolvendo depressão, alguns tirando a própria vida. Além disso, há uma grande dificuldade de conseguir emprego, ter uma formação e para piorar, algumas igrejas julgam em vez de acolher.

Até o momento a ONG já conta com 15 voluntários, mas busca um apoio maior, seja de advogados, psicólogos, contadores e quem mais quiser fazer parte desse projeto. O nome da entidade ainda não foi escolhido, mas já está em votação. Alguns voluntários também já manifestaram interesse em compor a diretoria.

Fim do preconceito

As empresárias Sandra e Tatiane são casadas há 12 anos e sempre enfrentaram muito preconceito. “Atualmente esse preconceito não nos atinge mais, porém, muitas mulheres e homens gays sofrem o mesmo que eu sofri. Sem contar que a própria família não sabe lidar com isso, chegam a colocar pra fora de casa os seus filhos, o que é muito desumano com nossa classe. Foi a partir disso que tive a ideia de criar a ONG, compartilhei com a jornalista Gabriela e ela de imediato topou. Estamos com muitos projetos em mente, e precisamos de apoio de novos voluntários, para que possamos colocá-los em prática”, pontuou.

O analista de planejamento, Ronaldo Brandemburg, 33 anos, que pertence à classe LGBTI e vai atuar como voluntário na ONG, elogiou a iniciativa, lembrando que Araucária não tem nenhuma política de favorecimento à classe, seja ela de inclusão, violência ou apoio psicológico, levando em conta o alto índice de suicídios que existe no meio. “Suicídios muitas vezes causado justamente pelo preconceito que a pessoa sofre, principalmente se for trans ou travesti. Então a ideia da ONG é realmente trazer visibilidade a essa classe, que hoje já não é mais minoria, mas ainda precisa de alguém que lute por ela”, comentou Ronaldo.

Texto: Maurenn Bernardo

Publicado na edição 1247 – 04/02/2021

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