Artistas de rua transformam semáforos de Araucária em palcos

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Muitas dessas pessoas encontraram nas apresentações de rua a sua única alternativa de sustento

Eles entram em cena quando o semáforo acende a luz vermelha. Os carros param, os motoristas esperam pacientemente pela hora de arrancar o carro, enquanto pessoas anônimas ocupam a faixa de pedestres com o intuito de entreter. São malabaristas, estátuas humanas e performers, que escolheram as ruas como palco.

Em Araucária, é comum encontrá-los no semáforo que fica no cruzamento das avenidas Victor do Amaral e Manoel Ribas, no Centro. Em meio ao acender e apagar das luzes, lá estão os “prateados” (pessoas que cobrem todo o corpo com tinta, imitando estátuas vivas) fazendo as suas performances. No final da apresentação, não há aplausos ou elogios, apenas alguns trocados ou até mesmo olhares receosos.

“Há 14 anos faço apresentações em semáforos, imitando estátuas. Algumas pessoas reconhecem nossa arte, mas nem sempre somos bem acolhidos pelos motoristas. Sempre tem os mais simpáticos, que abrem as janelas dos carros, dão um sorriso e ainda contribuem com alguns trocados, porém a maioria tem receio e faz vistas grossas para o nosso grupo. Fazemos isso para sobreviver, não é uma vida fácil. Enfrentamos calor, frio, chuva, sol forte”, relata o ajudante de pedreiro Leonardo de Almeida, que escolheu as ruas para ganhar a vida.

Leonardo tem 33 anos, é o mais velho do grupo, e quando começou a se apresentar, segundo ele, por extrema necessidade, não tinha noção nenhuma, mas aos poucos foi pegando o jeito. “Hoje, apesar de tantas dificuldades, gosto de viver da minha arte, mesmo que muitos não valorizem”, diz.

O artista contas que de vez em quando o grupo sai de Araucária para se apresentar nos semáforos de Curitiba, em busca de gorjetas maiores. “Para nós artistas, todos os dias são especiais.  Cobrimos nossos corpos de tintas e saímos de casa não apenas em busca de dinheiro, mas para nos divertirmos e levar um pouco de alegria às pessoas”, comentou Leonardo.

Texto: Maurenn Bernardo

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