Em Israel, no tempo de Jesus, era muito comum todas as famílias criarem ovelhas. Até hoje, devido às condições geográficas do país, encontramos muitos rebanhos de ovelhas, enquanto viajamos, apreciando a terra onde Jesus viveu. Cada rebanho, naturalmente, tinha o seu pastor. À noite, diversos rebanhos eram colocados num certo lugar, sendo cuidados por um empregado, chamado de mercenário. Na parte da manhã, cada pastor vinha buscar o seu rebanho e, bastava ouvir a sua voz, para colocar-se em pé e o seguir. Eles conheciam o seu pastor pela sua voz, o escutavam e o seguiam. E assim, sucessivamente, cada rebanho se levantava e acompanhava o seu pastor, que as conduzia para verdes pastagens e águas cristalinas.

Usando a imagem tão comum e peculiar para aquele tempo, Jesus se apresenta como o Bom Pastor. Quando determinadas pessoas falam, as ovelhas não reconhecem nelas o seu pastor e por isso não o seguem. Pelo contrário, quando Jesus, o bom Pastor se manifestava, elas escutavam a sua voz e o seguiam, por que sabiam que ele as conduziria para lugares onde tinha vida e vida em abundância. Elas sabiam, pelo seu jeito de ser, de conversar, através de seus gestos e palavras, que ele somente queria o bem e a vida para elas. Não seguiam os fariseus, os escribas, os doutores da lei, porque esses só queriam se aproveitar delas, com interesses e, não por um amor gratuito. A imagem do Bom Pastor foi muito marcante para a igreja primitiva, constituída pelos apóstolos e os primeiros cristãos. Quando estudava em Roma, diversas vezes visitei as catacumbas, onde os cristãos se reuniam para rezar e onde enterravam os seus entes queridos. Como eles eram proibidos de manifestar publicamente a sua fé, era ali, nas catacumbas, que eles faziam suas orações. Sempre me chamou atenção o grande número de afrescos ali presentes. Afrescos são pinturas em pedras, muito comuns naquela época. E um número incontável destes afrescos traz a imagem do bom pastor. Para eles, era sem dúvida, a imagem mais forte para não desanimar e não desistir diante das inúmeras perseguições. Jesus, o bom pastor, estava presente, animando e fortalecendo a sua fé. Quem viaja para Roma, vale a pena visitar as catacumbas e buscar ali energia boa e saudável para manter-se firme na fé.

Assim como Jesus, o Bom Pastor, cada batizado que nele professa a sua fé, é chamado a ser um sinal de vida e de esperança. Como cristãos batizados, somos desafi ados a sermos testemunhas deste Cristo vivo e ressuscitado. Escutamos aqueles em quem confiamos e percebemos que vale a pena dar atenção, porque estão claramente preocupados em conduzir-nos para verdes pastagens, onde existe vida e vida em abundância. Hoje, com certeza, a voz mais escutada no mundo é a voz do papa Francisco. Ele é o pastor que guia o rebanho cristão e, pela sua vida, por seu exemplo, vale a pena parar e o escutar. É claro, assim como aconteceu com Jesus, quando muitos não o escutaram, porque não queriam mudar de vida, hoje também, muitos não escutam a voz do papa. Mas, além do papa, cada um de nós é chamado a seguir Jesus, o Bom Pastor e, a exemplo dele, colocar a nossa vida a serviço dos irmãos. Que o nosso exemplo e testemunho, professado através de palavras e gestos, ajude mais irmãos a nos escutarem e encontrarem em Jesus o caminho, a verdade e a vida.

Publicado na edição 1310 – 05/05/2022

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