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Um dos carros usados na ação foi abandonado no local
Um dos carros usados na ação foi abandonado no local

Parecia coisa de cinema, mas não era ficção. Cerca de dez homens com armas de grosso calibre tentaram roubar os malotes de dinheiro do Supermercado Condor do Costei­ra bem na hora que o carro forte faria a coleta. A ação ocorreu no domingo, dia 7.

Era quase duas da tarde quando o carro forte da empresa Brinks encostou na frente da entrada principal do supermercado, que fica na esquina da avenida Archelau de Almeida Torres, com rua Capivari. Como sempre fazem, os vigilantes desceram do veículo, foram até a tesouraria e pegaram os malotes. Quando estavam voltando para o veículo, mas ainda passando pelos caixas, três carros pararam também próximo à porta e cerca de dez homens saltaram fortemente armados, inclusive com fuzis e espingarda calibre 12, todos encapuzados e correram na direção dos vigilantes. A abordagem dos bandidos foi rápida e eles já che­garam atirando. Um deles chegou a jogar um coquetel molotov (uma bomba incendiária feita de garrafa com gasolina e um pano na ponta) no carro forte, mas o artefato não pegou fogo. Ao perceber a chegada dos criminosos, os vigilantes voltaram para dentro do estabelecimento, se separaram e revidaram o fogo.

Desespero

Para o pânico dos clientes que estavam no interior do mercado, o local virou uma praça de guerra, com um feroz e rápido tiroteio. As pessoas ficaram apavoradas. Alguns se jogaram no chão, outros saíram correndo, arrastando suas crianças pequenas na tentativa de se proteger. Os bandidos também se separaram na procura pelos vigilantes e chegaram a pegar um cliente como refém. Ele foi levado para a parte de baixo da loja, onde fica o estacionamento e, em seguida liberado. Toda a ação não durou mais que cinco minutos e, ao que parece, não saiu como os criminosos esperavam.

Vigilante foi rápido

Segundo as autoridades, o que fez toda a diferença foi a atitude de um dos vigilantes. Quando percebeu que se tratava de um assalto, escondeu o malote dentro do colete e correu para o andar de baixo onde fica o estacionamento coberto. Aproveitou que um cliente ia saindo com o carro e pegou uma carona. Os bandidos fecharam a entrada principal e também uma saída que dá acesso a avenida Archelau de Almeida Torres. Mas deixaram a outra saída, que dá acesso ao estacionamento superior, da rua Capivari, sem cobertura. Foi justamente por ali que esse cliente conseguiu escapar, levando escondido o vigilante e o malote. Dali foram direto para o posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na Rodovia do Xisto, pedir apoio. Quando os bandidos perceberam que não iriam encontrar o malote decidiram ir embora.

A Polícia Militar chegou ao local em poucos instantes, mas os bandidos já haviam fugido. Pelo menos seis pessoas ficaram feridas. Uma senhora levou um tiro no ombro, um homem foi baleado no joelho. Outra mulher levou um tiro de raspão na coxa e um rapaz também foi ferido. Uma criança pequena foi atingida no braço esquerdo e foi socorrida por um soldado da PM. Uma viatura da (PRF) chegou mais tarde ao local, com o vigilante junto.

Investigações

As primeiras informações dão conta de que os bandidos estariam em três carros. Um GM Corsa sedan, placas MFW-2418, que fechou o carro forte na chegada, um Fiat Doblô, placas ALL-9872, que foi abandonada próximo à saída para o bairro Caximba e um HB20 branco abandonado próximo ao motel, no bairro Capela Velha, sem as placas. Segundo a polícia, todas as placas são frias e os carros foram roubados em Curitiba. Os bandidos não estavam para brincadeira. A Doblô estava preparada para guerra. Em seu interior foram soldadas pla­cas de aço para fazer a proteção em caso de confronto deixando ela à prova de balas.

Também existe a suspeita de que um quarto carro, que ficou no estacionamento do mercado também seja do bando. O veículo teria sido retirado do local no mesmo dia por um guincho. Outro ponto que chamou a atenção da polícia foi o armamento pesado usado pelos bandidos. Pelas imagens do sistema de vigilância interna do mercado mais os depoimentos das testemunhas, chega-se à conclusão de que havia pelo menos dois fuzis e mais uma arma longa, possivelmente uma espingarda calibre 12. Próximo à porta de entrada foram encontrados cartuchos usados justamente deste calibre.

De Curitiba

À princípio se pensava que haviam feridos apenas entre os clientes do mercado. Mas, poucas horas depois, um jovem deu entrada no Hospital do Trabalhador, em Curitiba, com ferimento de arma de fogo. A Polícia também não descarta a possibilidade de que ele faça parte do bando. A suspeita mais forte é de que todos sejam da capital, possivelmente do bairro Sítio Cercado. As investigações estão a encargo do Centro de Operações Policiais Especiais (COPE).


Texto: Carlos do Valle / FOTOS: Marco Charneski / Reprodução

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