Motoboys está divididos quanto às novas exigências que passarão ser feitas no exercício da profissão. Foto: divulgação

Uma campanha que foi lançada pelo Departamento de Trânsito de Araucária, em parceria com a Associação Comercial (ACIAA), está dando o que falar entre a classe dos motoboys. A ação conjunta faz um alerta para que os comerciantes fiquem atentos a alguns detalhes antes de contratar motoboys, optando por profissionais devidamente habilitados e com veículo regularizado. Além de checar a habilitação na categoria A (de motos), a função de motofretista deve estar presente na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), o veículo deve estar em nome do condutor ou empresa responsável, a motocicleta deve estar regularizada e em dia com os órgãos de trânsito e com identificação de veículo de aluguel.

De acordo com o Departamento de Trânsito de Araucária, essas recomendações são feitas para evitar várias complicações. Há denúncias de motociclistas que usam equipamentos irregulares, cometendo inúmeros tipos de infrações e irregularidades e acabam não sendo responsabilizados, pois os veículos estão em nome de outras pessoas. Quem responde pelo veículo corre o risco inclusive de ser preso, dependendo das denúncias. Outro problema levantado é referente ao uso indiscriminado de escapamento irregular e barulhento.

O presidente da ACIAA, Juscelino Katuragi, comentou que a campanha é importante, já que regulamenta o exercício da profissão, trazendo mais segurança não apenas àqueles que atuam de forma correta, como também aos comerciantes e clientes. “A ação também deverá coibir os motoboys que vêm de outras cidades para tirar vagas dos trabalhadores locais, e muitas vezes são clandestinos”, explica Katuragi. Ele reforça ainda que o alerta vale principalmente para os comércios noturnos, onde há maior atuação de motoboys. “Os comerciantes devem verificar a documentação dos motoboys e dar preferência para aqueles que estiverem com tudo regularizado. E quanto aos motoboys, devem ter em mente que irão gastar um pouco agora para regularizar tudo, mas terão um grande ganho depois”, sugeriu.
O Jornal O Popular conversou com motoboys e com algumas entidades que os representam, para saber suas opiniões a respeito da campanha “Só habilitado e com veículo regularizado”.

Conheça alguns motoboys

Wladimir José Palmieri

Presidente fundador da ADMA, concorda com a campanha. Para ele, as leis de trânsito sempre irão existir e a tendência é aumentar cada vez mais a fiscalização, pois o número de veículos triplicou nos dois últimos anos. “Infelizmente motoboy virou profissão de desempregado, qualquer um, com qualquer moto, se diz motoboy. Mas ao contrário desses clandestinos, tem os profissionais corretos, que estão tentando ganhar espaço, pegar experiência e evoluir na profissão. O grande problema é que esses que circulam por aí com tudo errado, fazendo arruaças, acabam colocando a vida dos outros em risco, não pagam seus devidos impostos, e andam com as motos sem oferecer o mínimo de segurança possível”, lamentou. Ele disse ainda que a luta da classe é grande, no sentido de formar profissionais capazes de exercer a profissão com dignidade, ganhando diárias e taxas de entregas justas. “A campanha serve não apenas para alertar os motoboys, mas os donos de delivery que contratam pessoas sem CNH, com motos sem documentos, para pagar diárias e taxas bem mais baixas”, comparou.

Emerson Pepi

Da mesma opinião compartilha Emerson Pepi, que trabalha como motoboy a 17 anos e é membro do PPA. “Estar regularizado é uma proteção muito importante para o motoqueiro, pois estamos mais expostos a acidentes do que estaríamos em um carro fechado, por exemplo, e assim garantimos nossos direitos. Mais do que cuidar da nossa própria segurança, temos que torcer para que os outros veículos nos respeitem e temos que dar o exemplo. Existe diferença entre um motoboy que trabalha, daquele motoqueiro farrista. Eu sustento meus quatro filhos com o uso da moto, tenho consciência disso e ajo de maneira responsável”. Ele reforça que os motoboys precisam investir no equipamento de trabalho com frequência, estar em dia com a documentação e tudo isso tem um custo. “A sociedade precisa reconhecer e apoiar junto essa luta, para que nossa classe não caia em descrédito. Os comerciantes devem optar pelos profissionais em dia com a lei, assim conseguiremos manter um salário mais digno para a categoria e, de quebra, se a contratação de motociclistas irregulares for evitada, acaba sendo um desestímulo para a venda de motos roubadas”, esclareceu.

Alex Zum

Da PPA – Profissão Perigo de Araucária, também concorda com a campanha e lembra que a maioria dos motoboys do grupo tem CNH e trabalham com veículo documentado. “Também orientamos eles com ralação aos pneus, espelhos retrovisores, enfim, tudo que for necessário manter em dia para atuar de forma correta e segura”, explicou.

Felipe Rodrigues

é motoboy autônomo há 3 anos. No horário do almoço entrega marmitas e de noite trabalha registrado em uma lanchonete. “Sou habilitado e minha moto está toda ok. Ainda assim, não concordo com as medidas que a equipe do Trânsito vem tomando. A população já está vendo, não é de hoje, que as motos estão bem visadas pela fiscalização. Sabemos que o foco das operações são os arruaceiros, que usam escapamentos barulhentos nas suas motocicletas, pilotam de maneira imprudente, mas tem muitos trabalhadores e pais de família que são habilitados, que muitas vezes não tem condições no momento de pagar algum documento da moto, está trabalhando pra levar o sustento pra casa e o pouco que sobra está juntando para pagar o documento. Mas isso o Trânsito não quer saber. Quanto mais os condutores tiverem que pagar, melhor. Pior ainda exigir que todos tenham CNH em plena pandemia, sabendo que as auto escolas estão com horários bem complicados, e os motoboys precisam estar o tempo todo nas ruas, trabalhando”, reclamou.

José Mizael Moletta

(Miza), da associação ADMA, disse que a ação é necessária, no entanto, destacou a necessidade de apoio dos organizadores quanto à disponibilidade de treinamentos e cursos para a classe. “Acredito que todos devem se adaptar, mas é importante que isso seja cobrado depois, porque não podemos investir à toa, já que frequentemente vimos leis sendo aprovadas e acabam caindo no esquecimento. Os motoboys já tem várias despesas no seu dia a dia, não dá pra arcar com despesas que não terão resultado”, comentou. Miza comentou que tem muitos motoboys em Araucária que andam de forma irregular e por isso um dos papéis da associação é orientá-los a trabalhar com tudo em dia.

Tiago Ferreira Mangueira

da Silva é motoboy autônomo e também não concorda com a ação conjunta do Trânsito com a ACIAA. Segundo ele, para as empresas será ótimo, porque estarão seguras em saber que o entregador sairá para a entrega e voltará sem ser parado em uma blitz. “Mas para os motoboys, é complicado, já que muitos trabalham para ter o que comer e não sobra quase nada. Se tiver que investir em equipamentos e cursos, será bastante prejudicado. Já é uma profissão difícil, e com mais exigências ainda, não creio que vá dar certo”, afirmou.

Texto: Maurenn Bernardo

Publicado na edição 1259 – 29/04/20221

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