Já há vários anos, sempre no mês de março, as ações voltadas as mulheres ganham certo destaque.

Entregamos a elas flores, chocolates, promovemos caminhadas, palestras, dias de beleza, ressaltamos o quanto elas são importantes, a necessidade de políticas públicas para diminuir o fosso estrutural de direitos que existem entra elas e eles e assim por diante.

É fato que estamos falando de ações extremamente importantes e que não podem – em hipótese alguma – deixarem de acontecer. No entanto, é preciso também que cada um de nós – homens e mulheres – reflitam verdadeiramente acerca do tema.

Precisamos nos reprogramar para genuinamente passarmos a entender a mulher como sujeita dos mesmos direitos do homem. Sim, porque embora – em tese – a legislação já diga isso, a prática não corrobora.

É justamente por isso que precisamos reforçar todos os dias a importância de políticas afirmativas que ajudem as mulheres a ombrear-se em oportunidades com os homens. E essas políticas são necessárias não porque as mulheres precisem de ajuda e sim porque historicamente a nossa sociedade foi machista. Aliás, ainda é assim.

E essa discrepância não é uma questão de opinião e sim de dados estatísticos e históricos. Por exemplo, embora elas representem mais da metade da população brasileira, as mulheres administram apenas 13% dos municípios do país.

Da mesma forma, quando o assunto é renda, as mulheres ainda recebem o equivalente a 77,7% do que recebe um homem desempenhando o mesmo tipo de função.

Quando o assunto é violência, a toada segue a mesma. Só no primeiro semestre do ano passado foram 34 mil os casos de estupros contra mulheres no Brasil, o que equivale a 187 casos por dia.

E esses são apenas alguns dos dados que fazem com que ainda precisemos evoluir muito enquanto sociedade para que um dia, finalmente, possamos dizer em alto e bom som que – sim – homens e mulheres são iguais em nosso país.

Pensemos todos nisso e boa leitura

Edição n.º 1505.