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Na segunda-feira, 25 de maio, foi comemorado o Dia Nacional da Adoção, e a data sugere a importância de relatar a experiência das pessoas que adotaram crianças, enfrentaram todo o processo e suportaram a ansiedade na fila. O casal Edna Aparecida de Almeida Kikina e Emerson Roberto Kikina são um exemplo de que valeu a pena a espera. Em 2015 eles adotaram um casal, o menino com pouco mais de um ano e a menina com pouco mais de dois anos, exatamente dentro do perfil que eles procuravam. “Nós tínhamos uma filha biológica, que na época estava com 8 anos, mas queríamos aumentar a família, então decidimos que iríamos adotar um casal. Sempre tive o desejo de ter filhos do coração. Acho que vem de família, porque tenho um irmão adotivo, tios, primos, ou seja, a família inteira tem adoção no histórico”, conta Edna.

Segundo ela, os trâmites são necessários, mas é preciso ter paciência para cumprir todas as exigências. Já a adaptação das crianças, que era outro medo, foi tranquila. “Pareciam que sempre foram nossos”, disse. Quando conversei com o psicólogo e apresentei o perfil de crianças que a gente buscava, ele disse que era quase impossível, pois a faixa de idade dos dois era muito próxima, sendo que queríamos dois irmãos, de zero a três anos. Ficamos na fila por dois e meio, aí veio um casal, faltando apenas um mês para a mais velha completar três anos. Foi muito emocionante”.

Edna e o marido descrevem a adoção como um ato de amor, e a melhor escolha que fizeram. “Filhos gerados na barriga ou no coração são presentes de Deus, eles são as peças que faltavam no quebra cabeça da família. Quem quer adotar não precisa ter medo de não amar a criança, pois o amor cresce um pouquinho a cada dia, até não caber no peito. Se a demora parece ser longa, basta ter fé, tudo acontece no tempo certo”, aconselha.

Outro casal adotante, que preferiu se manter no anonimato para preservar as crianças, disse que a motivação de ter um filho adotivo surgiu ao longo dos anos, se tornando maior ainda quando o marido começou a trabalhar com crianças. “Não demorou, fizemos o cadastro e iniciamos os trâmites e acabamos adotando um casal de irmãos. Meu filho chegou com 6 anos de idade, hoje já tem 9, minha filha chegou com 9 anos e hoje está com 12. O processo não demorou muito tempo, e em momento pensamos em desistir, porque era um sonho, e estava prestes a ser realizado”, comemoram.

Quanto à adaptação das crianças, eles comentam que foi tranquila, que seguiram todas as orientações, o que tornou fácil para as crianças entenderem aos poucos, que aquela era sua nova família. Durante todo o processo, a equipe nos acolheu, e nos explicou com toda a clareza, sobre o tempo que o processo poderia levar. Por fim, posso dizer que a adoção foi a melhor escolha em minha vida. Me apaixonei por eles no primeiro momento em que os vi. Me descobri um outro homem, aprendo com eles a cada dia, faço de tudo para ser o melhor pai desse mundo. Eles estão na fase de pré- adolescente e têm um turbilhão de sentimentos e emoções, mas estamos conseguindo superar. Um desafio maravilhoso, que mudou a vida da minha família inteira, todo mundo ficou muito feliz com a chegada deles. São presentes de Deus”, disse o pai.

Para o promotor da Infância e da Juventude, David Kerber de Aguiar, a data também traz à tona a importância de se desconstruir alguns mitos relacionados à adoção. Um deles é a falta de informação com relação aos trâmites no processo. “O processo é bem simples, e qualquer pessoa, seja casal ou individual, pode adotar, desde que seja maior de 18 anos, e tenha uma diferença de 16 anos entre o adotante e o adotado. O processo não tem custas, não precisa de advogados, basta ir até a Vara da Infância e da Juventude e requerer um formulário, que pode ser emitido via internet também, preencher, e selecionar a documentação necessária, como documentos pessoais, comprovante de residência, comprovante de rendimentos, atestado sobre a sua saúde física e mental, certidão dos seus antecedentes criminais. Os candidatos também passarão por uma avaliação psicológica a respeito das suas intenções, expectativas na adoção e terão ainda que fazer um curso preparatório”, esclarece.

O mais importante, segundo o promotor, é que os pretendentes a adoção entendam que o que se busca é uma paternidade responsável, porque não se pode admitir que uma criança seja colocada em risco. “Então, esse processo tem esse aspecto burocrático, mas ele é fundamental para a gente encontre pais e mães que têm esse senso de responsabilidade e essas reais motivações para fazer uma adoção”, salienta. Lembra ainda que as escolhas feitas na habilitação vão repercutir no tempo de espera desse pai ou dessa mãe. Por exemplo; um casal que desejar adotar um bebê, muito provavelmente vai esperar cerca de cinco anos na fila de adoção, agora um casal ou uma pessoa que deseja adotar uma criança de 9 e 10 anos, certamente vão esperar menos.

Texto: Maurenn Bernardo

Foto: divulgação

Publicado na edição 1214 – 28/05/2020

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