A Lei Maria da Penha, marco fundamental na proteção e na garantia dos direitos das mulheres no Brasil, completou 20 anos no dia 7 de agosto, reacendendo a importância da reflexão e do compromisso com a conscientização, a prevenção e o enfrentamento à violência de gênero, pilares que norteiam o “Agosto Lilás”, campanha dedicada a conferir visibilidade a essa causa.

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Em Araucária, as vítimas de violência doméstica encontram apoio na Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. O Centro de Referência de Atendimento à Mulher – CRAM Eliane de Lima Purger, constitui um dos principais serviços especializados dessa rede. O espaço oferece suporte psicológico e social, avaliação de risco, orientações sobre direitos e acompanhamento individualizado. A equipe técnica avalia cada demanda e, em conjunto com a mulher, elabora estratégias para o enfrentamento e a superação da violência.

Quando necessário, o CRAM realiza o encaminhamento para serviços complementares, tais como assistência jurídica, psicoterapia, qualificação profissional, inserção no mercado de trabalho e acesso a benefícios da rede socioassistencial.

Desde a sua inauguração, em fevereiro de 2018, nenhuma das vítimas de feminicídio registradas no município havia sido assistida pelo órgão ou pelos serviços da rede de proteção.

Segundo a coordenadora do CRAM, Simone Eloise Vicente, embora o dado não estabeleça uma relação direta de causa e efeito, ele evidencia um desafio fundamental para o poder público. “O grande desafio das políticas públicas é identificar e alcançar precocemente as mulheres que ainda permanecem invisíveis aos serviços de proteção, antes que a violência evolua para suas formas mais graves”, afirma.

A demanda pelo serviço confirma a importância desse atendimento: em 2025, o CRAM realizou 13.721 atendimentos, enquanto, entre 1º de janeiro e 22 de julho de 2026, o número já alcança 6.962 registros.

O CRAM Eliane de Lima Purger fica na Rua Lourenço Jasiocha, nº 2273, Centro. Os contratos podem ser feitos pelo whatsapp (41) 99927-3897 ou pelo telefone (41) 3614-1507.

Complexidade da rede

A rede integrada de atendimento reúne diversos serviços públicos voltados ao acolhimento, proteção, orientação e acompanhamento, para assegurar que a mulher não enfrente essa realidade de forma isolada. Desde o primeiro contato, os profissionais identificam as necessidades específicas de cada caso e realizam os encaminhamentos pertinentes para garantir sua proteção e o rompimento do ciclo de violência.

Essa rede articula áreas como assistência social, saúde e segurança pública, além de contar com a colaboração de escolas e equipamentos municipais, capazes de identificar situações de risco e realizar encaminhamentos ou prestar assistência sob demanda. Integram também esse sistema o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e as forças de segurança, atuando conforme suas respectivas competências.

Patrulha Maria da Penha

A Patrulha Maria da Penha, vinculada à Secretaria Municipal de Segurança Pública, é responsável pelo monitoramento das medidas protetivas concedidas pelo Poder Judiciário, realizando acompanhamentos presenciais e telefônicos, fiscalizando o cumprimento das determinações judiciais e desenvolvendo ações preventivas. O município disponibiliza, ainda, o dispositivo “botão do pânico” para mulheres sob medida protetiva, ferramenta que permite o acionamento imediato da Guarda Municipal em situações de risco. Além disso, está disponível para atendimento o telefone 153.

CRAS

Os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) desempenham papel fundamental na rede de proteção, atuando diretamente nos territórios. Suas equipes realizam o acolhimento, identificam situações de violência, orientam o encaminhamento das vítimas aos serviços especializados e prestam suporte no acesso a benefícios e outras políticas socioassistenciais.

O município conta, também, com o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CONDIM) e com o Organismo de Políticas para Mulheres (OPM), instâncias que atuam no fortalecimento das políticas públicas, na promoção de direitos, na prevenção da violência e no incentivo à autonomia feminina, por meio de cursos e iniciativas de capacitação.

Edição n.º 1945

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