A crise provocada pela pandemia do coronavírus forçou muitos setores a se reinventarem, porém, a regra não é válida quando se trata de salões de beleza, barbearias, academias e estúdios de personal training. Os setores têm sido os mais afetados pelo isolamento social, necessário para conter a disseminação do vírus. As medidas drásticas, embora justificadas, acabam prejudicando financeiramente muitos profissionais e estabelecimentos. A cada novo decreto que impõe a suspensão dos serviços e atividades desses estabelecimentos, a situação financeira dos empreendedores se agrava ainda mais.

Alguns não encontraram saídas e desistiram no meio do caminho, outros ainda persistem, mas nem assim param de pensar em fechar as portas, já que o faturamento despencou, as demissões foram inevitáveis e se tornou inviável honrar todas as dívidas. Os proprietários estão completamente desolados e ao mesmo tempo revoltados, pois acreditam que a maneira como o lockdown tem sido feito, acaba prejudicando sempre os mesmos setores, enquanto os demais conseguem trabalhar. O Jornal O Popular conversou com alguns desses empresários e ouviu a opinião deles a respeito das medidas impostas pelos decretos e como eles vem enfrentando a crise até agora. Acompanhe.

Rodrigo Gustavo Krzyzanovski

Personal Fitness

“No primeiro ano de pandemia o estúdio ficou 40 dias fechado e agora está fechado desde o dia 16, por conta dos últimos decretos. A crise nos pegou de jeito e tivemos que nos reinventar, alugamos equipamentos para os alunos, estamos dando aulas online, mas o prejuízo tem sido inevitável. Na primeira parada perdemos 25% dos alunos. Em dezembro, quando a pandemia parecia ter dado uma trégua, conseguimos recuperar esses alunos. Com essa nova parada, em apenas 10 dias perdemos os 25% de alunos que havíamos recuperado e as expectativas não são boas. A situação econômica está muito complicada. Tenho sete colaboradores ainda, que consegui manter. No ano passado tive que reduzir o meu quadro de funcionários e só não fechei as portas porque tinha uma reserva de emergência. Graças a Deus também não precisei fazer empréstimos ou outras dívidas. O problema é que nem todo mundo conseguiu enfrentar essa crise, muitos tiveram que fechar as portas. Entendo que o lockdown é inevitável, mas ele precisa ser feito de forma inteligente. Se o objetivo é não circular o vírus, é preciso ter um prognóstico, parar tudo por um determinado tempo, e preparar todo mundo pra isso, para que possam se programar. Da maneira como vem sendo feito, prejudica alguns, e outros não, o que não é justo. Estamos no mercado desde 2010 e essa, sem dúvida, é a nossa pior crise”.

Douglas Rodrigues da Silva

Academia Corpo e Vida

“Em 2020 a gente ficou cerca de 70% dos dias com a academia fechada, enquanto isso, as despesas com aluguel, luz, internet, pagamento de funcionários, foram de 100%, sem abatimento. Tive que dispensar dois funcionários nesse tempo, porque não conseguia mais pagá-los. Ainda que consegui alugar equipamentos para os alunos e dar aulas online, gerando alguma renda. Mas esse abre e fecha sem avisar com antecedência, pega a gente despreparado, não conseguimos nos programar. Em 2021 está sendo ainda pior. Só estou com a portas abertas ainda porque consegui fazer um acordo salarial com funcionários, fiz empréstimo, que agora vou começar as parcelas, e academia fechada, sem dar lucro nenhum. Ainda por cima tivemos gastos a mais, com produtos de limpeza, materiais de higiene, tudo para trabalhar certinho, garantindo a segurança dos nossos alunos. Somos um dos setores mais prejudicados e que sempre segue 100% as determinações dos decretos. Quando mandam fechar, a gente fecha direitinho. É revoltante porque a academia é uma atividade essencial, porque aqui a gente não foca apenas no corpo sarado, mas na saúde e bem estar dos alunos. É triste ver que nove anos de muito esforço, trabalho e dedicação, podem acabar em nada”.

Jheniffer Ferreira Villas Boas

Salão 50 Tons Beauty Hair

“No ano passado o salão ficou fechado por 30 dias e esse ano já vai pra um mês também. Ele é minha única renda, está bem difícil manter as portas abertas. Acabei perdendo muitos funcionários pelo fato de o salão estar fechado. Devido à instabilidade deste abre e fecha a partir de cada decreto, eles preferiram atender em domicilio. Não cheguei a pensar em mudar de profissão, mas após seis anos de salão, confesso que desanimei bastante. Entendo que essa pandemia pegou todo mundo de surpresa, muitas pessoas foram afetadas. está sendo bem complicado, estou tentado ficar com os pés no chão para ter controle da situação. As contas estão vencendo e dependo 100% do meu trabalho para conseguir sobreviver. Espero que tudo isso passe, que possamos prosseguir nossa vida normalmente com nosso trabalho e sustento”.

Vera Lucia Bezerra de Morais

Veras Cabeleireiros e Estética

“Desde que a pandemia começou o salão já ficou dois meses e meio parado. Ainda estou de portas abertas pela fé e porque tenho um marido aposentado que me ajuda a pagar as contas da casa. Infelizmente tive que dispensar a maioria dos profissionais por conta das condições financeiras. Acho muito triste porque quem traz o vírus não somos nós cabeleireiros, que trabalhamos tomando todas as precauções, usamos os equipamentos de proteção individual, álcool em gel, tomamos cuidado com o distanciamento entre os clientes. Não entendo porque temos sido tão prejudicados. Dia a dia diminui a minha clientela e mesmo que eu abra as portas, tem gente que diz que não vem porque tem muito medo do vírus. Estamos sem saída, se abrimos à revelia, ainda temos que pagar uma multa bem cara, e quem vai dar a cara a tapa? É melhor ficar em casa. Tenho fé e confio em Deus que a gente ainda vai conseguir trabalhar, nem que pingue um pouquinho, que é melhor do que ficar sem poder trabalhar e não pingar nada, porque os boletos vão chegando e ninguém vem perguntar se você pode ou não pagar”.

Cleyton Rodrigo de Souza

Cleyton Barbershop

“Estou entre os muitos barbeiros da cidade de Araucária que passam por esse momento pandêmico, e como pequenos comerciantes/autônomos, estamos sendo afetados, pois precisamos trabalhar todos os dias para garantirmos o nosso salário. Com o decreto imposto, os grandes comércios seguem com o atendimento reduzido, e nós pequenos, somos obrigados a fechar, não tendo a opção de atendimento reduzido ou com horário marcado, sendo que já adotamos a forma do atendimento com agendamento. Alguns barbeiros já estão vendendo seus estabelecimentos, considerando a falta de dinheiro em caixa, para conseguir se manter no período fechado. Enquanto isso os governantes permitem os ônibus cheios, empresas grandes funcionando. As barbearias e salões de beleza em geral também precisam de dinheiro para viver, e como ficam nossos fornecedores? Nós barbeiros já atendemos com horário marcado, e seguimos respeitando todo e qualquer procedimento de segurança. Até quando iremos aguentar ficar fechados? O essencial é todo trabalho que leva o alimento para sua casa!”.

Texto: Maurenn Bernardo

Publicado na edição 1254 – 25/03/2021

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