Nas primeiras décadas do século XX, Araucária ainda era uma cidade pequena, onde a maioria das residências estavam ao redor da Praça Dr. Vicente Machado e da Igreja Matriz Nossa Senhora dos Remédios. Apesar que na época o centro de maior movimento fosse o bairro Estação, em virtude do movimento dos trens, pois os ônibus só começaram a circular no final dos anos 30, aqui no centro (chamado de vila, na época) era onde se localizavam a maioria dos prédios oficiais, casas comerciais, consultórios médicos, e, naturalmente igreja, assim sendo, foi onde as famílias mais antigas e as que fizeram parte do início da história de Araucária passaram a residir. As casas eram de alvenaria, construídas lado a lado geralmente não possuíam muro ou cerca divisória, as paredes era o que separava uma residência da outra, nem uma delas possuía um jardim e suas portas e janelas abriam diretamente para a rua, era um tempo simples, onde todos se conheciam e não tinham problema com segurança, apesar da falta de iluminação, mas nos fundos das casas havia amplos terrenos onde eram cultivadas as flores, as hortas e até podia fazer um cercado para criar animais domésticos.
Estas casas mostradas ficavam, como se diz, no lado de baixo da igreja, a primeira onde só a janela aparece era da Família Mansur, seguida pela antiga casa da Família Saliba, e ainda não havia a Rua Presidente Carlos Cavalcanti, apenas um terreno vazio seguido pela casa da Família Alves Pinto, o antigo prédio da Prefeitura só foi construído em 1933, deixando ali mais um espaço vago, seguido pela antiga casa do Dr. Amur Ferreira e logo em seguida outro casarão da Família Grabowski.
Chamamos atenção aqui para lembrar que de todas essas casas citadas somente duas ainda permanecem: a da Família Pinto que hoje é a Casa da Cultura (tombada pelo Patrimônio Histórico Municipal) e a do Dr. Amur que hoje pertence ao seu filho Dr. Cid e sua esposa Rosane Ferreira, as demais foram demolidas e em seu lugar estão uma agência bancária e edifício. Mas as mudanças não ocorreram somente nas casas.
A rua que circula a praça era estrada de chão. Hoje devidamente asfaltada, a iluminação pública é perfeita, e o pátio da igreja não está mais cercado com uma cerca de arame como a foto. Essa é uma das mais antigas e bonitas lembranças da antiga Araucária, uma cidade que evoluiu, mas que pouco preservou como história de seu passado, embora, ainda podemos encontrar em fotografias.

Foto – Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres

Publicado na edição 1312 – 19/05/2022

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