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Foto: Marco Charneski

A violência contra a mulher não acontece somente quando há agressão física. Alguns comportamentos antecedem esse fato e podem levar a um ciclo de agressões, que aumenta gradativamente. Não há um perfil pré-estabelecido que defina os agressores, no entanto, os sinais devem ser observados. Não permitir que a parceira trabalhe, escolher as roupas dela, monitorar celular e redes sociais, chantagear, xingar, humilhar na frente de outras pessoas, são alguns fatores que podem levar a uma tensão maior e chegar a agressão física.

Em se tratando de exploração da mulher, cujo dia internacional de combate será na próxima segunda-feira, 25 de outubro, é importante ressaltar que a inferiorização, objetificação e erotização do corpo feminino, traduzidas em cantadas, abusos corporais e a hipersexualização e estimulação a padrões de beleza absurdos, não se tratam apenas de opiniões individuais ou exageros, são reflexos das atitudes e ideologias que, numa perspectiva social, foram construídas e mantidas culturalmente, contribuindo para casos mais graves de violência e, muitas vezes, para a impunidade dos agressores.

O CRAM Araucária, que atende mulheres de 18 a 59 anos que estejam em situação de violência física, psicológica, sexual, moral e patrimonial, assédio sexual no trabalho, importunação sexual e que tenham sido vítimas de estupro, é a porta de entrada para as denúncias, seja por demanda espontânea ou por encaminhamentos dos demais órgãos da rede, sistema de garantias de direitos, sistema de justiça, assistência jurídica entre outros. “Nos últimos anos, o tema tem sido mais debatido. E com mais discussão, mais mulheres se sentem confortáveis para falar e denunciar, mesmo que ainda haja muito a avançar. Quando uma mulher fala, a outra também fala. E esse conjunto de vítimas se fortalece. A violência contra a mulher sempre existiu, mas ela existia entre quatro paredes. Hoje as mulheres estão falando sobre isso e buscando seus direitos”, esclarece o CRAM.

Influência que ajuda

A diretora da Guarda Municipal de Araucária, Jaqueline Dias, lembra que a mulher ainda é vista como sexo frágil e alvo, mesmo nos dias atuais. Entre os problemas mais graves que ela enfrenta está a violência doméstica. “Nos últimos 5 meses, a Guarda Municipal atendeu 132 casos dessa natureza. Infelizmente o local que deveria trazer segurança a elas é onde na maioria das vezes ocorrem as agressões”, analisou.

A Guarda Municipal realiza o atendimento 24 horas por dia pelo telefone 153, e a Patrulha Maria da Penha (equipe especializada), faz os atendimentos de acompanhamento as vítimas após obter a medida protetiva. “Esse acompanhamento tem demostrado um ótimo resultado, onde algumas das vítimas são encaminhadas à rede de proteção. Os esforços desenvolvidos para modificar esse quadro, dependem das informações das vítimas, por isso a importância que todas façam a denúncia. Casos recentes de assédio sexual, que ganharam repercussão também são formas de quebrar o silêncio e funcionam como incentivo para outras mulheres também buscarem ajuda”, avaliou.

Tipos de violência

Na Lei Maria da Penha estão previstos cinco tipos de violência doméstica e familiar contra a mulher: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Essas formas de agressão são complexas, perversas, não ocorrem isoladas umas das outras e têm graves consequências para a mulher. Qualquer uma delas constitui ato de violação dos direitos humanos e deve ser denunciada. Com 46 artigos distribuídos em sete títulos, a lei Maria da Penha cria mecanismos para prevenir e coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

Segundo o CRAM, a vítima de violência precisa saber que não está sozinha e que, como se trata de um problema social, existem leis e políticas públicas para protegê-la. Procurar informações e buscar apoio são os primeiros passos para sair da situação de violência.

Texto: Maurenn Bernardo

Publicado na edição 1284 – 21/10/2021

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