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Desperdício de talento

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Nações inteligentes sabem que, além de enfrentar sem rodeios seus problemas e trabalhar duro e com planejamento de longo prazo, também precisam investir em talentos para garantir mão de obra de qualidade no futuro. Vários países têm programas para atrair as melhores mentes do mundo para estudar quase que de graça em suas universidades. Assim, quando esses jovens forem para o mercado de trabalho poderão dar sua contribuição ao desenvolvimento dessas nações.

Aqui no Brasil o que se vê é justamente o contrário. Jovens com grande potencial são obrigados a ir para outros países em busca de oportunidades. O modelo também se repete em escala municipal.

Um dos exemplos, entre tantos outros, é o caso do xadrez. Há mais de dez anos havia um programa que incentivava as crianças em idade escolar a praticá-lo. Além de ensinar o esporte-jogo-ciência, havia o apoio para a participação em torneios dentro e fora do município.

É necessária uma política pública de longo prazo para formar bons jogadores, mantê-los jogando e, depois que atingirem nível para tanto, que estes virem professores dos iniciantes. Por aqui, infelizmente, passado alguns anos, o programa foi abandonado e poucos alunos remanescentes daquela época ainda insistem na área.

É o caso de Paulo Palozzi. Hoje com 28 anos, ele se tornou Mestre Fide (veja reportagem na página 22 desta edição). Ele é o 28º no ranking nacional de enxadristas e tem se virado como pode. Por conta de seu desempenho tem conseguido apoio fora de Araucária, sendo patrocinado por clubes ou outros municípios.

Palozzi é um talento não aproveitado por nossos gestores públicos. Com seu potencial, ele deveria ser admirado por nossas crianças. Palozzi deveria estar retransmitindo seu conhecimento, sua expertise nesse esporte aos mais novos. Para tanto, ele e o xadrez precisariam ser mais valorizados. Ambos, infelizmente, não estão. Quem perde com isso é a cidade. Pense nisso e boa leitura.