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Aqueles que leram a obra Revolução dos Bichos, de George Orwell, lembram que nela os bichos da fazenda galoparam várias vezes de uma ponta a outra do campo até tomarem consciência que estavam libertos da opressão dos patrões que haviam expulsado recentemente. Foi uma corrida sem rumo definido e sem qualquer objetivo a atingir e logo deu espaço à preocupação de como organizar a continuidade de suas existências. Tal imagem me parece bem apropriada para a enxurrada de críticas que assisto atingir os diferentes níveis de governo, as empresas e as organizações que formam nossa sociedade. É que o longo tempo vivido sobre o tacão da ditadura, onde se dizia que política só pode ser praticada nos partidos políticos, desacostumou-nos de participar adequadamente da discussão dos rumos de nossa sociedade. Corremos muito, mas parece que falta a direção adequada para canalizar a participação de todos e transformá-la em um movimento que promova as mudanças necessárias. Não é que a crítica seja desimportante, mas é preciso ir além dela. Tenho acompanhado a preparação das eleições que escolherão a diretoria do SIFAR-Sindicato dos Funcionários e/ou Servidores Públicos do Município de Araucária, para o triênio 2016-2018, e preocupa-me a baixa motivação que vejo de parte dos que elegerão os futuros dirigentes da entidade. Os servidores, como se espera pelo convívio próximo com o governo municipal, costumam formar juízo dos administradores. Todos sabem, ou deveriam sabê-lo, que a escolha do prefeito cabe ao conjunto da população e é ele quem imprime o rumo e o ritmo da gestão. Portanto, o sindicato da categoria é o instrumento mais eficaz para que o grupo possa expressar posicionamento frente aos atos administrativos praticados. Assim foi quando, depois de muitos anos assistindo o direito à carreira ser exercido apenas pelos professores, a articulação do SIFAR colaborou com a criação de condições para a implantação do PCCV-Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos dos servidores do quadro geral. A participação esclarecida dos servidores em seu sindicato, tanto na formação de chapas quanto na escolha da melhor entre as que se apresentarem, é fundamental. Sem isso, a corrida pode ser frenética e sem qualquer rumo ou objetivo, realizada apenas porque estamos em um regime democrático. Sem direção adequada, a participação dos servidores nos destinos do serviço público representará apenas ruído e terá pouco efeito prático.

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