El Niño 2026: o que podemos esperar desse fenômeno e como nos preparar!
Infelizmente, as projeções sobre o El Niño não são positivas. Todo o país está diante de um cenário que promete trazer uma série de transtornos. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) acompanha semanalmente a evolução do El Niño, que está previsto para o segundo semestre.
Comparando os dados de previsão do fenômeno com as anomalias mensais acompanhadas pelo Simepar no Paraná, o inverno de 2026 vai registrar temperaturas mais amenas em comparação ao ano passado, com menos ondas de frio intenso.
No segundo semestre deste ano as chuvas serão mais intensas, entretanto irregulares e persistentes. A previsão indica que todas as regiões devem registrar chuva acima da média histórica, principalmente na metade sul do Paraná, que costuma ser mais afetada pelo fenômeno.
AÇÕES PREVENTIVAS
Com previsão de impacto nas condições atmosféricas ao longo do inverno deste ano, a Defesa Civil do Paraná também atua na orientação das prefeituras, com ações preventivas, treinamentos e simulações, além da disponibilidade de recursos.
Em Araucária, a Defesa Civil vem acompanhando continuamente os boletins emitidos pelos canais oficiais de monitoramento com relação ao El Niño, além de estabelecer estratégias no âmbito municipal, com o objetivo de fortalecer a capacidade de resposta frente aos eventos climáticos que estão previstos.
“Estamos participando de reuniões intersetoriais, participando de capacitações junto a órgãos federais e estaduais e, desde ontem (quarta-feira, 20), iniciamos as visitas em áreas de risco do Município, juntamente com técnicos de diversas secretarias municipais e de uma equipe da empresa URBTEC, para fazermos o reconhecimento territorial e elaborarmos um levantamento preliminar dessas áreas”, cita Tokarski, coordenador da Defesa Civil.
Ainda de acordo com ele, além das visitas por terra, a Defesa Civil iniciará um trabalho de monitoramento aéreo, onde drones irão sobrevoar algumas comunidades, para um mapeamento ainda mais completo.
“Todas essas ações fazem parte do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), um instrumento de planejamento voltado à prevenção e à mitigação de riscos socioambientais. Ainda faremos reuniões com líderes comunitários e ministraremos oficinas, para definirmos prioridades de intervenção em suas comunidades, caso sejam necessárias”, declara.
Tokarski ressalta que o PMRR integra o programa do Ministério das Cidades, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), e será desenvolvido sem custos diretos para o município. “Os eventos climáticos provocados pelo El Niño estão previstos para o início da Primavera e o período do Verão, e mesmo que não se concretizem conforme o antecipado, precisamos estar preparados”, conclui.
PRINCIPAIS RISCOS
Segundo o Simepar, há vários riscos identificados para o Paraná, com relação ao El Niño. Esse diagnóstico engloba todos os municípios, entre eles Araucária. Veja a seguir, quais são esses riscos:
Eventos severos de curto prazo: sob a influência do El Niño, há um aumento significativo na frequência e intensidade de tempestades severas, acompanhadas de fortes vendavais e queda de granizo. Esses fenômenos são resultantes do choque entre massas de ar, que se torna mais energético com o cenário de El Niño, exigindo atenção redobrada para destelhamentos, danos na rede elétrica e quedas de árvores.
Movimentos de massa: o aumento do volume acumulado de chuvas eleva o risco de deslizamentos de terra, especialmente na região leste e litoral.
Áreas críticas e hidrologia: atenção para bacias de resposta rápida que podem sofrer enxurradas e alagamentos repentinos após as tempestades mencionadas. Prontidão Operacional: Diferente do volume acumulado de chuva, que pode ser projetado sazonalmente com maior precisão, eventos como vendavais e granizo são de escala local e rápida evolução. Por este motivo, embora a previsão seja de longo prazo (sazonal), a prontidão das equipes municipais e a atenção aos alertas de curto prazo (Nowcasting) devem ser constantes a partir da confirmação do fenômeno.
RECOMENDAÇÕES
De acordo com o Centro de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cegerd), certamente teremos situações de anormalidade, mas por hora não é possível prever qual será a região mais vulnerável nem a magnitude que o fenômeno vai acrescentar às condições já esperadas para cada estação, em especial na primavera.
O Cegerd atua em conjunto com o Simepar, que fornece os dados utilizados para definir estratégias junto aos municípios, além do envio de alertas à população.
Diante dessas previsões preocupantes, o Simepar faz algumas recomendações e cita ações preventivas que podem ser adotadas pelos gestores municipais e Núcleos de Atuação Regional (NARDCs). Acompanhe:
Revisão de Planos de Contingência: Atualizar os protocolos para inundações e deslizamentos, com foco na mobilização rápida de equipes e maquinários.
Ações de Engenharia Preventiva: Intensificar a desobstrução de galerias pluviais, dragagem de canais e remoção de entulhos que possam obstruir o fluxo de água.
Gestão de Áreas de Risco: Reforçar o monitoramento visual de encostas, especialmente em assentamentos precários mapeados.
Sistemas de Alerta: Manter atenção aos Avisos e Alertas emitidos pela Defesa Civil do estado em conjunto com o Simepar.
PARA A POPULAÇÃO
Cultura de Prevenção: Realizar a manutenção de telhados e limpeza de calhas domésticas para evitar danos por vendavais e granizo.
Segurança Pessoal: Durante tempestades, evitar trafegar por áreas alagadas. Em caso de ventos fortes, não buscar abrigo debaixo de árvores ou estruturas metálicas frágeis.
Cadastro de Alerta (40199): É indispensável que o cidadão envie o número de seu CEP via SMS para o número 40199 para receber avisos de curto prazo em tempo real.
Sinais de Perigo: Ao notar rachaduras em muros ou no solo, bem como inclinação de postes e árvores, sair imediatamente do local e acionar o 199 (Defesa Civil) ou 193 (Corpo de Bombeiros).
‘Super El Niño’ pode ser um dos mais fortes do século, alerta professor de Geografia
Um “super El Niño” pode atingir o planeta entre o fim de 2026 e o início de 2027 e se tornar um dos eventos climáticos mais intensos já registrados desde o século XIX. O alerta vem sendo reforçado por centros internacionais de meteorologia e também por especialistas brasileiros.
Em Araucária, o professor de Geografia Marcus Matozo fala sobre o El Niño. Ele diz que é um fenômeno que ocorre no Oceano Pacífico, caracterizado pelo aquecimento das suas águas na porção leste, próximo à costa oeste da América do Sul. Ele descreve que em condições normais (La Niña), os ventos alísios sopram essa água quente para a região da Ásia, fazendo com que as águas mais profundas (e frias) próximas ao litoral chileno ‘subam’ até a superfície – esse fenômeno se chama ressurgência. Porém, quando os ventos alísios enfraquecem, por causas desconhecidas, esse ‘bolsão’ de água quente que estava no continente asiático retorna para próximo da América do Sul.
“Em períodos de El Niño, esse ‘bolsão’ de água mais quente (varia entre 1°C até 3°C) se aproxima da América do Sul, e em consequência disso, altera os padrões de chuvas no nosso continente, que no caso do Brasil acarreta em mais chuvas na região sul e menos chuvas na região centro-oeste e nordeste, podendo alterar, em casos de El Niño mais severos, até a região norte, com baixa no volume das águas dos rios amazônicos”, ilustra.
O professor Marcus observa que a comunidade internacional já concorda que haverá um El Niño de grandes proporções. A agência NOAA (Administração Nacional de Águas Oceânicas e Atmosféricas) dos Estados Unidos e a OMM (Organização Meteorológica Mundial) não descartam a possibilidade de um super fenômeno de El Niño como o registrado em 1983/84.
“Se não for um evento como o ocorrido naqueles anos, é certo que poderá chegar próximo ao ocorrido em 2023/24, que foi catastrófico para a região sul do Brasil. Caberá aos órgãos competentes tomarem decisões acertadas e antecipadas, a fim de evitar que a população seja surpreendida com as inundações, deslizamentos, temporais e outras particularidades que esse fenômeno poderá ocasionar”, alerta.
Edição n.º 1516.
