Os últimos dias já apontaram para um cenário que muitas agências vêm alertando ao longo dos últimos meses, contrariando os negacionistas do tempo; o volume expressivo de chuva mostrou que, de fato, precisamos ficar em alerta, especialmente as autoridades locais. A análise é do professor de Geografia Marcus Matozo, que coordena a Estação Meteorológica Didático Escolar – Projeto EMEDE do Colégio Estadual Júlio Szymanski e também é um estudioso das condições climáticas.

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Segundo ele, o mês de junho tem por característica ser um mês com um volume baixo de chuvas, pelo fato da entrada do inverno, menores temperaturas e com isso, um volume menor de evaporação que traduz, na prática, menos precipitação (chuvas). “Em anos sem El-Niño, o volume médio de chuvas para esse mês fica entre 100 a 110mm, uma média de poucas chuvas ao longo dos 30 dias. Cabe aqui destacar que, somente no último dia 29, a quantidade de chuva foi significativa, atingindo impressionantes 83mm (registrados na estação meteorológica do Projeto Emede). Em um dia choveu algo em torno de 75% do previsto para todo o mês, e segundo as agências climáticas, o El-Niño está apenas no início”, ilustra o professor.

Marcus afirma que o acompanhamento desses fenômenos climáticos pelo Projeto Emede (desde 2023) já podem contribuir com um paralelo de dados, pois em 2024/2025 tivemos um cenário muito parecido com o que está sendo previsto para 2026, e o alerta já foi dado. “Bairros que tiveram problemas com alagamentos no passado estão de fato protegidos para os fenômenos desse ano? Não bastam apenas postagens em redes sociais informando que as autoridades estão monitorando, é preciso que tenhamos claro quais foram as ações efetivas já tomadas, por parte dos gestores, em relação aos problemas do passado. Seguiremos acompanhando de perto e alertando a população de que, os problemas em relação ao clima já estão batendo à nossa porta”, avisa.

Os dados do dia 29 de junho registrados pela estação do Colégio Szymanski se assemelham ao registro sobre o volume de chuvas registrado em Araucária pelo Simepar e outros órgãos do governo do Paraná. Segundo o IAT, até às 17h daquele dia havia chovido 73mm, sendo que apenas na área rural de Guajuvira choveu 53mm. No Passaúna, conforme a Sanepar, a chuva alcançou 36,8mm.

Estragos

A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil do Município informou que, em virtude da chuva intensa que atingiu o município no dia 29, houve queda de uma árvore obstruindo via pública, inundações e alagamentos. Os bairros mais afetados foram Campina da Barra, Costeira, Iguaçu e Porto das Laranjeiras. No entanto, não houve registro de desabrigados, desalojados e de feridos.

Segundo a Estação Pluviométrica do Cemaden, localizada no bairro Cachoeira, choveu no município em 24 horas, um total de 65,2mm.

Diante das previsões preocupantes em torno do El Niño, a Defesa Civil de Araucária disse que continuará monitorando as ocorrências para eventual intervenção e acionamento dos órgãos competentes.

Ações preventivas

As condições do El Niño já estão presentes e em Araucária os impactos podem incluir tempestades severas, vendavais intensos, chuvas de granizo, descargas elétricas e até tornados, gerando saturação do solo, quedas de barreiras, deslizamentos, enxurradas, alagamentos e inundações – graduais ou bruscas.

Diante desse cenário, a Prefeitura de Araucária, por meio da Defesa Civil, já tem tomado medidas para fortalecer a capacidade de resposta da cidade para eventos climáticos extremos. Entre elas a atualização do Plano de Contingência Municipal, a atenção aos 15 abrigos cadastrados, reuniões intersetoriais, o alinhamento estratégico com as esferas estadual e federal da Defesa Civil, reforçar o cadastro da população para receber os alertas do órgão, reuniões com moradores de áreas de risco e aquisição de lonas.

Outras medidas de prevenção incluem a checagem e fixação das estruturas dos telhados, limpeza de calhas, poda preventiva e cortes de árvores, desassoreamento de rios e canais, desobstrução de galerias e bocas de lobo, limpeza de rios e coleta de lixo e aquisição de telhas – além do levantamento dos recursos disponíveis.

“Além dos riscos para a população, não podemos negligenciar o impacto desses desastres na agricultura, setor vital para o nosso município, nem as implicações para o nosso parque industrial. Nesse sentido, temos mantido um diálogo constante com o Plano de Auxílio Mútuo (PAM), envolvendo diversas empresas, visando o fortalecimento das ações de prevenção e o fornecimento de orientações adequadas”, reforçou Tokarski, coordenador da Defesa Civil.

Cadastro

A Defesa Civil orienta a população a realizar o cadastro para receber alerta via SMS. Para isso, basta enviar uma mensagem para o número 40199, com o CEP de sua residência. Também é possível realizar o cadastro prévio via WhatsApp pelo número (61) 2034-4611.

A Defesa Civil atende solicitações de emergência pela central 153 da Guarda Municipal ou pelo telefone 199. Outras situações decorrentes de chuvas e/ou temporais podem ser atendidas pelo Corpo de Bombeiros (193 – Resgate e Salvamento) e pela Copel (08005100116 – falta de luz, queda de árvore em rede elétrica).

Edição n.º 1939

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