Ele teve compaixão | O Popular do Paraná
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Jesus se manifesta ao mundo como o Filho de Deus, como o Enviado do Pai, através de palavras, gestos e ações. Mas são, sobretudo, os gestos que revelam quem ele é, e o seu jeito de ser e de pregar a Boa Nova do Reino. Diante do sofredor, da pessoa abandonada e excluída da sociedade, Jesus se aproxima e toca no seu corpo. Ele não se distancia e não se afasta como fazem os fariseus e os doutores da lei. Esses, diante de alguém com alguma doença, evitam o contato, com medo de também serem afetados e considerados impuros. Jesus, pelo contrário, se aproxima, toca, acolhe e cura. Esse gesto o diferencia de todos os pregadores da época e, tem muito a nos ensinar, como seus seguidores.

No tempo de Jesus, todas as doenças estavam associadas com algum pecado. Esse pecado poderia ter sido cometido pelo próprio doente ou, então, por alguém da sua família. E, naturalmente, os doentes eram afastados do convívio social. A pior doença era a lepra, e, para essa não havia cura. Desde o Antigo Testamento, encontramos o leproso considerado ‘impuro’, totalmente excluído da sociedade. E mais, ele devia perambular pelas matas, distante da comunidade, gritando ‘sou impuro, sou impuro, sou impuro’, para que ninguém se aproximasse dele e também fosse afetado pela lepra e por sua impureza. Para os fariseus e todos os defensores do Templo, a pessoa afetada pela lepra, deveria ser excluída de todo convívio social, para não afetar as pessoas consideradas ‘do bem’ na sociedade da época.

É nesse contexto que surge Jesus. Diante de um leproso, ele não se afasta, não faz cara de desdém e desprezo, não o julga e muito menos o condena, mas se aproxima. Algo totalmente impensável pelos fariseus e pelos defensores das normas e preceitos vigentes desde vários séculos. E mais, além de se aproximar, Jesus tem coragem e toca no leproso que pede para ser purificado. O toque de Jesus não só o purifica, mas cura aquele leproso e o traz de volta para o convívio social. Naquela época, o leproso era considerado morto e para ele não havia mais nenhuma chance de recuperação física ou social. Jesus restitui a ele toda a dignidade que havia perdido e, cheio de compaixão, o liberta de todos os preceitos e preconceitos difundidos e defendidos pelos fariseus e pelos religiosos.

Jesus foi movido por compaixão, deixou seu coração falar, esqueceu totalmente a lei que o proibia de se aproximar do leproso. Para ele, os preceitos, as normas, as leis devem ser deixadas em segundo plano, para que o amor possa emergir e curar. Somente o verdadeiro amor cura, salva e liberta. Quando fala o coração, o que importa é o bem do próximo, não importa quem ele seja e o que tenha feito. O coração não julga e nem condena, mas cura e transforma, porque age movido pelo amor. E Jesus, fez tudo com e por amor, pensando no bem do outro, de modo especial, no bem daquele abandonado e excluído. Era um amor que não tinha limites, porque era uma verdadeira paixão pelo próximo.

Como seguidores de Jesus, somos capazes de acolher quem errou e quem se desviou do bom caminho, ou, facilmente julgamos e condenamos? O coração que se deixa ser tocado pelo Mestre, é incapaz de desejar o mal ao outro, muito pelo contrário, sempre pensa em como ajudá-lo, em como tirá-lo da situação de miséria e de pecado. Assim como Jesus, o coração amoroso é cheio de compaixão e de misericórdia. Talvez no mundo tantas pessoas vivem doentes e afastadas do bem, porque nunca foram amadas e acolhidas como são. Mais do que juízes uns dos outros, Jesus nos chama a sermos irmãos, movidos pela compaixão.

Publicado na edição 1248 – 10/02/2021

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