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Ele veio a trabalho e ficou!, O Popular do Paraná

EDIÇÃO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO – 130 ANOS

O aposentado catarinense Amadeo de Souza Batista, 71 anos, faz parte de uma leva muito especial de trabalhadores que vieram para Araucária para trabalhar na construção da Refinaria Presidente Getúlio Vargas. Em 1975, empregado de uma empreiteira que prestava serviços para a Petrobras ele trouxe a família para morar em Curitiba pelo período em que fosse trabalhar no pátio das obras da Repar.

“Quando eu comecei já tinha sido feita a terraplenagem e havia algumas construções que funcionavam como escritórios. Estava acostumado a trabalhar em grandes obras, mas aquela era demais da conta”, relembra. Segundo Amadeo, só da empresa onde ele trabalhava havia cerca de 500 funcionários. “A maioria vinha de fora, tinha muito paulista, baiano, gente do Ceará e até argentinos e chilenos”, conta. Sua função era de superintendente de montagem, atuando por exemplo na instalação das caldeiras, nas tubulações de passagem e nos tanques de combustível. Ele lembra que o transporte dos empregados era feito por região em antigos caminhões FNM (Fábrica Nacional de Motores), com a carroceria adaptada para acomodar os trabalhadores.

Com a inauguração da Refinaria, Amadeo passou a trabalhar na construção da Ultrafértil até sua conclusão em 1982. Nesse período, em 1979, a família adquiriu um terreno na rua Miguel Bertolino Pizzato, no Jardim Iguaçu e mudou-se para Araucária, onde decidiram se estabelecer em definitivo para que os filhos pudessem estudar e criar vinculos. “Eu lembro que nesse tempo o transporte dos trabalhadores já era feito com ônibus, e o prefeito Hissam (Hussein Dehaini), tinha de um ônibus que ele mesmo era dirigia. A cidade ainda era pequena.

Após a Ultrafértil, Amadeo continuou a viajar para outras regiões, vindo sempre que possível ver a esposa Maria Luiza (73) e os três filhos pequenos. “Eu já estava acostumada a ir morar em outras cidades para acompanhar meu marido, mas quando decidimos ficar em Araucária, passei muito tempo sozinha com as crianças e no começo não foi fácil. Segundo ela, no loteamento só tinham duas casas, o centro era bem pequeno e os serviços concentrados na região da praça. “Tudo era longe, não havia comércio, padaria, açougue por perto e para comprar roupas só tinha a Graciosa, as ruas eram de chão batido e as vezes a ponte perto de casa caia”, relembra.

Em meados do anos 80, Amadeo começou a trabalhar como funcionário da Siderúrgica Guaíra, podendo ficar em definitivo com a família. Lá ele trabalhou até o ano de 2002, mesmo já tendo se aposentado. “Nós nunca pensamos em voltar para Lages, onde moramos depois de casados. A maior parte da nossa família ficou em Santa Catarina, mas nós fomos nos acostumando com a cidade, e assim como nossos filhos a gente viu ela crescer e se tornar essa cidade boa de se viver”, conta o casal.

Nos momentos de lazer o casal frequentava o Clube União e depois o Operário, mas não tinha muitas opções para as crianças e eles precisavam ir de ônibus para Curitiba.

“Temos muito orgulho de morar em Araucária, das amizades que fizemos e da família que construímos”, conta o casal que são pais da professora Ana Paula e dos empresários Marcelo e Fernanda. Hoje o casal mantem, além da casa onde moram há 40 anos, uma pequena propriedade na região rural para os momentos de lazer com toda a família e para curtir os cinco netos.

Texto: Rosana Claudia Alberti

Foto: Everson Santos

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