Ele venceu preconceitos e hoje é um atleta
Anderson Aparecido da Silva luta karatê há três anos e ama o que faz

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A hora do parto havia chegado. Depois de muita espera, o pequeno e tão esperado Anderson Aparecido da Silva nasceria. No entanto, por trabalhar na lavoura e não receber acompanhamento médico adequado, sua mãe apresentou diversas complicações durante a gravidez e o bebê veio ao mundo com paralisia infantil.

Sem o movimento das pernas, o pequeno Anderson teve diversas limitações. No entanto, a paraplegia não atrapalhava seu raciocínio e nem diminuía o gosto que tinha pelas artes marciais. “Eu sabia tudo sobre elas e gostava bastante”, conta o jovem que, sempre que podia, ia com suas muletas até o CSU para assistir, de longe, aos treinos de karatê. “Eu via aquele rapaz olhando pela porta, então o chamei para participar da aula”, conta o sensei João Carlin Padinha, técnico da equipe de karatê de Araucária.

Com tristeza, o rapaz afirmou que não conseguiria acompanhar a turma, mas a resposta não convenceu o professor, que continuou a realizar o convite. “Qualquer um pode praticar atividades físicas, contanto que tenha acompanhamento médico e incentivo, e hoje o Anderson é um dos atletas especiais de nosso município que comprovam isso”, afirma o professor.

Atualmente, o jovem tem 29 anos, participa com regularidade dos treinos e garante que sua saúde é muito melhor que antes. “Eu tenho mais habilidade com as muletas, criei resistência, e meus exames periódicos anuais sempre mostram que está tudo ok”, afirma o rapaz, que encoraja outros portadores de deficiência a vencerem as barreiras e aceitarem o desafio. “O próprio karatê ensina que você precisa ultrapassar a força física e usar a força mental para alcançar seus objetivos, então hoje eu posso dizer, com certeza, que todos têm capacidade”.

Outras modalidades
Além do Anderson, outros alunos especiais também venceram os preconceitos e aproveitam os resultados nas aulas de karatê, capoeira e em outras modalidades do município. “O atleta se sente valorizado e, nós, como professores, crescemos e ficamos muito felizes com isso”, afirma Carlin.

Para o professor Canarinho, responsável pelas turmas de capoeira de Araucária, essa tarefa é gratificante e exige responsabilidade do professor. “Cuidar de alguém especial é uma experiência diferente, então precisamos nos preparar para isso, estudar a respeito, e conversar com os alunos para que eles também estejam incluídos na tarefa. É isso que eu tenho feito”, conta o treinador que, assim como o técnico Carlin, acredita no potencial de cada indivíduo. “Nós não podemos desistir de nenhum ser humano. Além disso, esses alunos nos passam uma energia que dinheiro nenhum no mundo pode pagar. É uma experiência gratificante”, finaliza Carlin.

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