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Argumento é de que não se trata de reajuste e sim de recomposição da inflação
Argumento é de que não se trata de reajuste e sim de recomposição da inflação

A Câmara de Araucária co­gita votar ainda neste mês de janeiro um aumento ao salário dos vereadores. A proposta ainda não teve sua tramitação iniciada, mas isso pode acontecer a qualquer momento. A pressa é para que o novo vencimento possa ser pago aos edis já no próximo dia 25 de janeiro.

Hoje, os vereadores re­cebem R$ 5.992,00 por mês. O aumento seria da ordem de 20%, fazendo com que os nobres parlamentares passassem a ga­nhar quase R$ 7.200,00. Os que defendem a proposta argumentam que os cerca de R$ 1.200 a mais na conta não se trata de reajuste e sim de recomposição da inflação dos últimos três anos. Se levado a cabo, o extra para os edis custará quase R$ 200 mil anuais ao contribuinte araucariense.

Sobre a proposta, o presidente da Câmara, Wilson Roberto David Mota (PSD), confirma que é sua intenção colocar o projeto em votação em pleno recesso. “Não pudemos colocar em dezembro porque era preciso fechar o ano e precisamos colocar agora para podermos receber já em janeiro”, explica.

Questionado se este seria o momento adequado para votar um reajuste aos edis, considerando a situação econômica do país, com aumento de desemprego e, tendo em vista que diversas câmaras do Paraná estão é diminuindo o salário de seus integrantes, Betão afirma que a recomposição da inflação é um direito de todo o traba­lhador e que os vereadores estão sem reajuste há anos. “Os vereadores também têm contas para pagar”, argumenta.

Betão explica ainda que o aumento será feito para atender a um pedido dos vereadores e que ele tem sido cobrado para colocar a proposta logo em votação. “Eu mesmo sequer sou remunerado pela Câmara, pois meu salário vem da Prefeitura, ou seja, não serei beneficiado por este projeto”, acrescenta.

Embora argumente agir para atender a uma demanda de seus pares de Câmara, a maioria dos vereadores ouvidos por nossa reportagem nos últimos dias se diz contra ao reajuste neste momento. “Acredito que o reajuste seria justo, mas a situação atual do país não permite que nos auto concedamos este aumento”, ensina a vereadora Adriana Cocci (PTN).

Mesma opinião é a do vereador Clodoaldo Pinto Junior (PMB), que entende não ser este o momento adequado para um reajuste. “Não é um reajuste desses que irá resolver a vida dos vereadores. Creio, aliás, que a Câmara precisa é de um projeto em médio prazo que diminua o seu custo para a população”, enfatiza.

Por sua vez, o vereador Paulo Horácio (SD), argumenta que qualquer mudança no subsídio dos vereadores até seria correto se a proposta viesse acompanhada de um projeto que diminuísse o número de assessores dos edis e os valores pagos a eles.

O Popular também ouviu os vereadores Pedrinho Nogueira (PTN), Vanderlei Cabeleireiro (DEM), Esmael Padilha (PSL), Alex Nogueira (PSDB) e Pedrinho da Gazeta (PMDB). Todos foram unânimes em dizer que o vencimento atual dos edis é mesmo baixo, mas que não é este o momento de propor um reajuste.

O único que defendeu que a recomposição da inflação seja feita já, independentemente do momento de crise pelo qual passa o país foi Josué Kersten (PT). Para ele, “se for para esperar a crise passar, os vereadores nunca terão aumento”. Ele ainda chamou de hipócritas os edis que se dizem contra o reajuste. “Todos querem o aumento, mas estão jogando pra plateia. Eu não vou ser hipócrita e dizer que sou contra”, afirmou.

Josué também disse achar engraçado que algumas pessoas sejam contra o reajuste para os vereadores enquanto todas as outras profissões exigem o reajuste e, quando este não é pago, ainda fazem greve. Alertado por nossa repor­tagem de que vereador não é uma profissão, o médico disse: “sim, não é, mas nós temos gastos, manter o gabinete custa”, afirmou. O único vereador com quem nossa reportagem não conseguiu conversar foi Francisco Carlos Cabrini (PP).

Sem retorno

Diante da constatação de que a maioria dos vereadores se mostra contrário ao reajuste de 20% neste momento em que a economia do país passa por uma crise e tendo em vista que o presidente da Casa afirmou que colocaria o projeto em votação para atender a uma demanda de seus pares, O Popular voltou a entrar em contato com Betão. Ele afirmou que veria essa situação e que retornaria a ligação no início da noite desta segunda-feira, 11 de janeiro. Ele, porém, não fez isso. Ligamos para ele várias vezes na noite de ontem, mas seu celular estava desligado.

Texto: Waldiclei Barboza / FOTO: MARCO CHARNESKI

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