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Seu Ademir deixou grande contribuição para o esporte de Araucária. Foto: divulgação

O racismo é um problema estrutural da sociedade brasileira e se engana quem acha que a educação tem sido suficiente para abrandar o preconceito. Até mesmo o esporte, que é constantemente palco de manifestações de combate ao preconceito racial, tem visto um crescimento preocupante de casos de racismo. Os atos vão desde ofensas verbais, até atos mais graves como a depredação de bens pessoais em razão da cor da pele.

Mas o fato é que acima de todo preconceito, os negros sempre tiveram papel importante no esporte, tanto que os jornalistas esportivos se referiam aos jogadores negros da seleção brasileira que participavam da Copa do Mundo de 1938 (França) como craques de Ébano, estrelas de Ébano, players de cor, malabaristas no jogo de football. Segundo o professor Rafael de Jesus Andrade de Almeida, professor de História do Colégio Estadual Professor Júlio Szymanki e coordenador de Ensino de História da Secretaria Municipal de Educação, era na participação de jogadores negros como Leônidas da Silva, o Diamante Negro, que os jornalistas esportivos depositavam grande parte da esperança de vitórias na Copa. Propagandeado pelo governo de Getúlio Vargas (1930-1945) o futebol passou a ser considerado por muitos um retrato da democracia racial, símbolo de uma unidade nacional que se sobrepunha às desigualdades entre negros e brancos.

“Aqui em nossa cidade, assim como na França, o futebol arte também tinha seu craque de ébano, Aristides Ferreira, apelidado de Maravilha de Ébano. Considerado uma das melhores defesas do Araucária em 1938, o goleiro Aristides foi cognominado de Maravilha de Ébano”, citou o professor. Ele conta que Aristides nasceu em Curitiba no dia 30/12/1913 e veio para Araucária em 1937. Em 1936 casou-se com Isaura Costa Ferreira e teve 7 filhos. Foi funcionário da Prefeitura Municipal de Araucária, exerceu as funções de coveiro no Cemitério Municipal e zelador da praça central. Foi goleiro do Araucária F.C. e também participou de uma banda de músicos de Araucária. Faleceu em 23/05/1986 com 72 anos. “Seu filho Aramis foi um importante jogador do Iguaçu Futebol Clube. Por contar com a presença de jogadores negros o Jardim Iguaçu Futebol Clube chegou a ser apelidado de Navio Negreiro por alguns torcedores de outros times. Outro filho do senhor Aristides, Ademir Manoel Ferreira, tornou- se árbitro do Campeonato Paranaense”, relembra Rafael.

Carreira consagrada

Hoje o ex-árbitro curte a sua aposentadoria. Foto: divulgação

Seu Ademir Manoel Ferreira, atualmente funcionário aposentado do Tribunal de Justiça do Paraná, conversou com a reportagem do Jornal O Popular. Ele relembrou sua carreira como árbitro e afirmou que durante sua atuação em campo, foi muito bem tratado. “É claro que sempre existem as exceções, o que é óbvio, pois se tratando de multidão é impossível não aparecer um ou outro engraçadinho. Mas posso garantir que estava preparado psicologicamente, pois sabemos que os torcedores vão a campo para extravasar e tirar o tédio acumulado durante a semana, muitas vezes extrapolando os limites”, relatou.

Ele diz que aposentou o uniforme de árbitro aos 45 anos de idade, mas ainda hoje sente saudades dos gramados. “Considero minha carreira consagrada, pois pertenci ao quadro FIFA, atuei em vários clássicos, bem como atuei nos últimos clássicos e decisões do Campeonato Paranaense, frustrando-me tão somente por não apitar o Atlético, mas durante este período foi gratificante, pois fiz inúmeras amizades e conheci este Paraná maravilhoso”, celebrou.

Texto: Maurenn Bernardo

Publicado na edição 1288 – 18/11/2021

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