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Considerando que menstruar não é uma escolha, é um processo fisiológico do corpo, o absorvente está longe de ser um item supérfluo e é extremamente necessário na vida de toda mulher. A questão é que nem todas elas têm condições de comprar o produto, por viverem em situação de vulnerabilidade social. E em virtude das limitações financeiras, muitas acabam substituindo o absorvente por papel higiênico, roupa velha, toalha de papel, jornal e até mesmo miolo de pão.

Segundo a médica ginecologista e obstetra Silvia Luanda Rezende, a falta de itens básicos de higiene pessoal, que vai desde absorves/coletores menstruais até sabonetes e mesmo o acesso a banhos e sanitários, causa problemas sérios para o público feminino, entre eles o afastamento da escola e de atividades profissionais, problemas psicológicos, constrangimento pessoal e até doenças mais graves como infecções urinárias e do aparelho reprodutor feminino.

“Isso não é raro acontecer e infelizmente não dispomos em nossa sociedade de nenhum órgão oficial do governo que dê suporte a esse problema. Hoje contamos apenas com doações privadas e algumas ONGs que tentam atender a demanda da necessidade. E para aqueles que acham que a pobreza menstrual não é um problema de atenção pública, é importante lembrar que quem não investe dinheiro em saúde, terá que gastar com a doença, que via de regra será bem mais caro”, argumentou a médica.

Processo natural

A Dra Silvia explica que o ciclo menstrual na vida da mulher, na grande maioria das vezes, se inicia entre 10 e 16 anos. E a única forma de se evitar a menstruação é com uso de hormônios que bloqueiam o ciclo menstrual, sendo o mais comum a pílula anticoncepcional, mas isso nem sempre é indicado. “Muitas meninas tem contraindicação de uso de hormônios, e também tem que se considerar o custo disso, nem todas têm acesso ao uso de anticoncepcionais, por incrível que pareça”, enfatizou.

A ginecologista adverte também que as mudanças do corpo no período menstrual são fisiológicas e normais e o uso precoce de hormônios pode interromper o crescimento da menina, entre outras mudanças que alteram a fisiologia normal. “Além disso, ainda se tem um preconceito absurdo com a menstruação, que vem de crenças sociais e religiosas, que fazem de um evento natural, um motivo de vergonha e constrangimento. Isso é mais uma das consequências de uma sociedade machista e misógina”, lamentou a médica.

Texto: Maurenn Bernardo

Publicado na edição 1283 – 14/10/2021

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