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Familiares devem ficar atentos a comportamentos suicidas

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Para a psicóloga Angelica Soraya Krzyzanovski, é possível uma pessoa que demonstra sinais de comportamentos suicidas apresentar melhora súbita, porém é preciso ficar alerta a essa mudança de comportamento. “Enquanto a pessoa está dando sinais e pedindo ajuda, ela pode estar disposta a cometer suicídio. Então quando ela se cala, apresenta uma melhora súbita, fala que está tudo bem, que passou, pode não ser verdade. “Ela pode estar só mascarando, porque reafirmo, não temos como saber exatamente o que se passa dentro da pessoa. Ela pode estar fazendo planos e decidindo como e o que ela vai fazer para tentar tirar a própria vida. Por isso temos que ficar atentos, o tempo todo”, orienta.

O ideal, segundo a psicóloga, é que quando a pessoa começa a dar sinais, familiares e amigos indiquem o tratamento, tanto medicamentoso, quanto psicoterápico. “Devemos ajudar essa pessoa a realmente melhorar de fato, a buscar formas de solucionar o problema, a buscar formas de lidar melhor com o sofrimento”, aconselha. Ela lembra ainda que existe o suicídio impulsivo, que é quando a dor da pessoa está insuportável e ela tem o momento de impulsividade para acabar com aquele sofrimento, por isso todo comportamento diferente deve chamar a atenção de quem convive ao seu lado.

Angélica também faz um alerta aos perigos da reincidência. “Não é correto afirmar que uma pessoa que tentou suicídio não vá tentar novamente. Inclusive o boletim epidemiológico do SUS, de 2021, mostra que mais da metade das pessoas que cometeram suicídio já tinham tentando antes. Então, se a pessoa tentou uma vez e não conseguiu, existe a chance de ela tentar novamente”, completa.

Não podemos julgar!

A família e os amigos exercem um papel importantíssimo na vida das pessoas, e no caso do suicídio, não é diferente. “Podemos ajudar uma pessoa com ideação suicida tentando buscar formas diferentes de solucionar o problema e, principalmente, não a julgando. É desastroso quando ouvimos alguém dizer que uma pessoa tem tudo na vida, que não tem porque ela ter depressão, não tem porque estar sofrendo daquele jeito. Na verdade, existem alguns transtornos, principalmente a depressão, que muitas vezes surge sem motivos. É uma disfunção química, neuroquímica do cérebro e que faz com que a pessoa não produza substância do bem-estar de maneira adequada. Por exemplo, o transtorno bipolar tem as oscilações de humor que são químicas, não é porque a pessoa quer. Até porque ninguém quer se sentir triste, se sentir mal. As pessoas querem ser felizes. Então acho que a forma mais importante de ajuda é o acolhimento e a indicação de ajuda terapêutica. Também podemos ajudar a pessoa a buscar atividades prazerosas, isso pode ser fundamental”, sugere a psicóloga.

Fraqueza ou coragem

O suicídio geralmente está vinculado a um ato de fraqueza ou de coragem, e este também é um mito. “O suicídio não é um ato de fraqueza, é um sofrimento, às vezes, muito grande, mas também não é um ato de coragem, porque existem outras maneiras de lidar com isso. Talvez possamos dizer que é um ato de desespero, de tentar encerrar com aquele sofrimento a qualquer custo. Existem muitas outras formas de lidar com isso, muito menos dolorosas, muito menos danosas, então temos que pensar nesse sentido, pensar nas outras formas de lidar com o sofrimento, de lidar com as coisas que acontecem na nossa vida”, diz.

Hereditariedade

Também é mito afirmar que o comportamento suicida é hereditário, no entanto, pode-se dizer que a hereditariedade está presente em alguns transtornos mentais. “Um exemplo é a depressão, ela realmente tem um fator hereditário. Temos ainda o transtorno bipolar, a esquizofrenia, o transtorno borderline. Esses transtornos são hereditários, têm uma carga genética, mas isso não quer dizer que todo mundo que tem pais depressivos vai ter depressão, até porque o fator genético hereditário é só uma parte. Temos uma grande parcela na parte ambiental, no desenvolvimento individual. Por exemplo, uma pessoa pode ter pais que tiveram um transtorno depressivo, uma esquizofrenia, que cometeram suicídio, mas essa pessoa encontrou outros mecanismos para lidar com as situações e conseguiu driblar esse transtorno mental, conseguiu lidar melhor com ele. Então, reforçamos a importância do processo terapêutico, que pode ajudar realmente na busca por formas de lidar melhor com as situações que acontecem conosco”.

Edição n.º 1380