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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), prendeu o escrivão-chefe da Delegacia de Polícia Civil de Araucária, Gilberto Mansilha Ramos, sob acusação de concussão (crime de extorsão praticado por servidor público). A operação aconteceu na manhã de sexta-feira, dia 10, e também prendeu o bacharel em direito sem inscrição ativa na OAB, mas que se passava por advogado, R. R.; e os suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas Natal Volnei Girardi e a companheira dele, Patrícia, que está grávida de quatro meses.
Acusação
Segundo o Ministério Público, as investigações do Gaeco apuraram que algumas pessoas detidas na Delegacia eram procuradas por R., que se dizia representante de Ramos. “Ele propunha um preço pela liberação do preso. Acertada a negociação, era feito o pagamento e a pessoa liberada”, diz a assessoria de comunicação social em matéria publicada no site do MP. De acordo com investigado pelo Gaeco e também noticiado pelo MP, o valor da propina seria de de R$ 3 mil a R$ 6 mil e o casal Girardi seria um cliente beneficiado pelo esquema criminoso. Na casa de Ramos, o Gaeco encontrou R$20 mil.
Conforme o coordenador do Gaeco, unidade Curitiba, Vani Antônio Bueno, a acusação foi feita por familiares de Claudemir de Alcântara Luca, o De Luca, preso em flagrante no dia 29 passado, por tráfico de drogas. “Ele é usuário e a família tem documentos comprovando que estava para ser tratado. Ele estava junto com o Girardi e os dois foram presos pela Polícia Militar. O traficante pagou e foi solto junto com a esposa Patrícia. Para não ser enquadrado, o rapaz pediu dinheiro para a família. Eles procuraram a Promotoria de Araucária, que nos encaminhou a denúncia”, alega Bueno.
Ainda segundo o coordenador, o Gaeco fez interceptações telefônicas desde a semana anterior à prisão de Ramos que comprovariam a negociação entre ele, R. e a vítima. Um delegado ouvido por nossa reportagem alerta que em momento algum existe uma gravação com a voz de Ramos. O delegado titular, Haroldo Luiz Vergueiro Davison, conta que recebeu a notícia “com total perplexidade, porque Ramos sempre se mostrou um cumpridor zeloso de suas atividades”. Bueno diz que o escrivão está em prisão temporária que pode durar até 30 dias, mas acredita que ele não volte a atuar. “Vamos oferecer a denúncia criminal ao MP e a prova contra ele é contundente”, fala o coordenador.
Defesa
O advogado do escrivão, Antônio Henrique Amaral Rabello de Mello, contraria a informação dizendo que o falso advogado é que estava usando o nome do policial por conta própria e, portanto, não há o mínimo de prova contra Ramos. “Nas gravações divulgadas pela mídia quem fala em nome do Ramos é o R. E isso não prova absolutamente nada contra o escrivão. A prisão dele é uma barbaridade, porque tirar a liberdade da pessoa é coisa muito séria e exige o maior cuidado. O Gaeco poderia tê-lo chamado para prestar os esclarecimentos necessários e ele iria, com toda certeza. Era completamente desnecessária a prisão dele”, diz Rabello de Mello.
“Isso sem falar nas consequências, na nódoa que fica na imagem dessa pessoa”, ele acrescenta. E destaca: “Ramos nega por completo prática de concussão”. Sobre os R$20 mil que o Gaeco encontrou na casa do escrivão, o advogado explica que “Ramos tem filho que trabalha, tem filha que trabalha e essa quantia não era toda dele, era todo o dinheiro que estava na casa da família dele e que serviria para comprar um imóvel”. Segundo Rabello de Mello, Ramos deve ser ouvido pela Promotoria nos próximos dias e terá a primeira chance de se defender. “A partir daí, vamos pedir a liberação dele”, ele assegura.
Suelen Canguçu 

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