Geadas da semana mais fria de julho não causam grande impacto nas lavouras de Araucária, O Popular do Paraná
Grande parte dos moradores se preveniu e não teve perdas na lavoura. Foto: Marco Charneski

Durante a semana de inverno mais rigorosa de 2021, a zona rural de Araucária viveu uma situação inusitada: as geadas provocaram poucas perdas e prejuízos para os agricultores. Esse é um quadro geral, considerando que os produtores da região praticam agricultura familiar e costumam ter culturas diversificadas. Segundo a Assessoria Agronômica Lech, entre as culturas mais afetadas pelas geadas estão as hortaliças e frutas. Apesar do baixo número de registros, os alimentos prejudicados pelo frio intenso devem sofrer aumento de preços nas próximas semanas.

O resultado é surpreendente. Um relatório do Departamento de Economia Rural (Deral), feito pela Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, indicou que a estiagem e fortes geadas reduziram as estimativas da safra de grãos de 2020/21 no Paraná em 16%, seriam 6,8 milhões de toneladas a menos que no ano anterior. Em outra análise, especialistas da XP Investimentos indicaram que as perdas de diferentes culturas e aumento no preço dos alimentos devem afetar o índice de inflação, elevando a taxa em 7% para este ano.

Em Araucária, a maior parte dos pequenos produtores praticam a agricultura familiar, com diferentes tipos de culturas de alimentos — e é essa diversificação que pode ter diminuído os impactos das geadas. Engenheira agrônoma e dona da Assessoria Agronômica Lech, Léa Regiane Lech Dzierva explica que produtores de hortaliças e frutas como morangos, pêssegos e ameixa foram os mais afetados pelo frio intenso. “O panorama geral é que as perdas estiveram dentro do esperado para o período. O reflexo desses prejuízos vem no aumento do preço do morango, da abobrinha, das folhosas também e produtos de cultivo protegido”, afirma Léa Lech.

Evandro Leal, produtor e vice-presidente da Associação de Agricultores Familiares de Capinzal, confirma que as geadas atrapalharam um pouco a cultura de hortaliças, mas não causaram grandes danos. Evandro trabalha com venda terceirizada de verduras para escolas estaduais. “Nós temos um compromisso com o estado e os preços são muito bons. Não temos proteção contra geada, toda a plantação está em campo aberto, mas não tivemos muitos prejuízos. Nosso problema é a falta de chuva, com a estiagem está ficando difícil”, conta o agricultor.

A engenheira Léa Lech lembra que a geada é um fenômeno natural e previsível. Os agricultores podem se preparar e manejar suas culturas para prevenir perdas. “Os produtores podem fazer a irrigação nas frutas, cobrir com TNT canteiros de alface ou fechar bem as estufas para evitar as baixas”, comenta Lech. A engenheira alerta para as geadas do mês de agosto, previstas para ter um impacto mais intenso e negativo sobre a agricultura.

Publicado na edição 1274 – 05/08/2021

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