Quando a prioridade das gestões for a criação de políticas públicas de qualidade, de longo prazo, compromissadas com o bem real da cidade e de seus cidadãos, e os cargos de chefia forem ocupados por pessoas capacitadas, que saibam não apenas orientar essas criações, mas também gerir pessoas, com toda a certeza teremos bem menos gente se ofendendo com o que escrevemos, seja no jornal, ou no Facebook (estou pensando também em ter um blog e um canal no youtube hehe).

A criação de políticas públicas começa em um compromisso com a qualidade de vida das pessoas que habitam a cidade. Parte do estabelecimento de certa burocracia para que todos sejam atendidos da mesma forma, sem que ninguém tenha privilégios, mas que todos tenham garantidos seus direitos. Necessita de estudo, para que um direito garantido agora, de forma mal embasada, não tenha que cerceado no futuro, por falta de orçamento ou ilegalidade.

As ações de um órgão público precisam ser bem claras e nós, cidadãos precisamos desenvolver consciência crítica e ter como os “Thundercats” a visão além do alcance. O passe livre para estudantes, uma necessária política pública recentemente implementada é uma grande conquista, mas precisamos, no entanto, nos perguntar se foram feitos os estudos necessários para sabermos como isso impactará as contas do município no futuro. Segundo auditoria do Tribunal de Contas do Paraná, na URBS, em Curitiba, toda a isenção precisa ser subsidiada por alguém. Toda a isenção sem subsidio legal acaba sendo paga pelo passageiro que paga a passagem. Não estou dizendo que eles não tenham o estudo, é um exemplo apenas, porque eu não vi a explicação de onde virão esses valores. E quanto custa realmente uma passagem de ônibus em Araucária?! Até onde sei, não fazemos ideia, pois simplesmente usamos o estabelecido pela URBS. Não é estranho que uma cidade não tenha ideia desse valor?! E que uma Companhia seja gerida sem saber isso?! E que políticas públicas sejam criadas sem esse número?! Eu acho no mínimo estranho.

Outra coisa que precisamos observar é a quem serve a retirada de lombadas sinalizadas e sua substituição por radares escondidos?! Com as lombadas ou radares sinalizados reduzimos a velocidades e garantimos a integridade física de cidadãos pedestres, pessoas para quem as cidades deveriam ser pensadas. Um radar escondido faz com que por descuido ou por irresponsabilidade, sigamos em velocidade maior que a permitida, o município arrecada mais com multas, porém possivelmente gastará mais com cuidados médicos e fragilizará ainda mais o cidadão, pessoa para a qual a cidade visivelmente não está sendo pensada. Está aí uma política pública que não explica muito bem a quem serve.

O Teatro da Praça está sendo reformado. A manutenção de espaços públicos é uma política extremamente necessária para mantermos serviços que nos são importantes. No entanto, o espaço está há meses sem aula de dança, pela primeira vez, em 27 anos de existência. Nesse caso, vemos uma política pública importante e já consolidada no município sendo ignorada. A manutenção dos cursos oferecidos pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo está prevista no Plano Municipal de Cultura, tem base legal estabelecida, mas parece ter caído naquela vala do esquecimento para onde foram as prioridades não contempladas. Temos ainda, em se tratando da cultura, o total abandono do Conselho Municipal de Política Cultural, órgão colegiado consultivo, normativo, deliberativo e fiscalizador. Tal fato, além da total ilegalidade a qual se abraça, ignora uma política pública criada da maneira que todas deveriam ser, em conjunto pelo poder público e a sociedade civil.

Nós, cidadãos, precisamos nos manter atentos, pois quando a esmola for demais, precisamos desconfiar se não estão tentando apenas nos enganar para se manterem no poder. E quando for de menos, cerceando algo já conquistado e consolidado, precisamos cobrar o reestabelecimento imediato. Só com a participação consciente do cidadão teremos alguma chance de mudar a doença que virou o sistema político. Nessa estrada não faltarão pessoas querendo deslegitimar nossa luta, mas não cedamos. A cidade é nossa! Temos o direito e o dever de cobrarmos uma administração justa, madura e competente. Gostem eles ou não gostem.

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