Eram mais ou menos três horas da madrugada, e a barca onde estavam os discípulos, começou a afundar, por causa do vento impetuoso. De repente aparece Jesus andando sobre o mar. Os discípulos pensaram que fosse um fantasma e Pedro para ter certeza que era o Mestre, pediu que fosse caminhando sobre as águas. Jesus lhe disse: ‘Vem’, mas, carregado pelo medo, começou a afundar e gritou por socorro. Jesus lhe estendeu a mão, e lhe disse: ‘homem fraco de fé, porque duvidaste?’ Em seguida, ele acalma o vento e tudo volta ao normal. Os discípulos reconhecem então que Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus.

Esta passagem do evangelho aponta para o início do cristianismo, marcado por tantos ventos contrários, provocando verdadeiras tempestades. Os discípulos assim como os primeiros cristãos, são perseguidos, presos e mortos por causa do evangelho. São julgados diante dos tribunais. São incompreendidos pelos pagãos. Parece que Jesus os abandonou e quando eles gritam por socorro, ele se faz presente, como aquela mão que salva de todos os perigos. Jesus não os abandonou, apesar das enormes dificuldades sofridas, ele manifesta claramente a sua presença confortadora. A barca que é a igreja não vai afundar, mesmo diante de tantas contrariedades sofridas, porque nele está o próprio Jesus Cristo.

Ao longo da história, a Igreja sofreu muitas perseguições, em diversos lugares do mundo. Verdadeiras tempestades surgiram ao longo do cristianismo. Não só por causas externas, mas também, dentro da própria instituição. Muitos pensaram que seria o fim, mas ela não sucumbiu, porque Jesus continua dentro dela, a impedir uma catástrofe. Com sua mão estendida, ele sempre aparece nos momentos mais difíceis e inesperados. É uma presença constante, que não abandona a barca, que é a Igreja, pois ela lhe pertence, ele é o seu criador, e ele não permitirá que ela naufrague no meio das tempestades.

Hoje somos nós esta Igreja fundada por Jesus, a dar continuidade ao seu evangelho, como anunciadores da boa nova do Reino. Talvez não tenhamos mais aquelas perseguições tão violentas no início do cristianismo, embora em muitos lugares a igreja continue sofrendo graves ataques. Mas nada comparado com o início, quando ser cristão significava ser condenado ao martírio, ou, a prisões e calúnias públicas. No entanto, hoje os problemas são outros, e, talvez até com conflitos internos, posições maldosas dos seus próprios membros, disseminando o ódio. É o perigo constante da divisão, mas, o evangelho continua o mesmo, pautado no amor aos irmãos, sobretudo, aos mais pobres e necessitados. Hoje, quem defende as causas tão caras a Jesus, pode ser chamado de tantos nomes, numa clara aversão ao projeto pregado pelo Mestre.

Os problemas que afligem esta barca que é a Igreja, sempre existirão, embora com conotações diferentes em cada época, mas, Jesus garante que nunca a abandonará. A Igreja é dele, o centro é o evangelho por ele pregado, e, mesmo quando tudo parecer que vai sucumbir, será ele a protegê-la e salvá-la. Somos apenas seus instrumentos, frágeis e limitados, mas importantes e necessários. Diante das perseguições, seja por palavras ou ações, será ele a nos guiar e apontar o caminho. Ele, com certeza, não permitirá que a tempestade, provocada por ventos contrários, afunde esta barca. Jesus está dentro dela, como a garantia de que ela permanecerá viva e inabalável até o final dos tempos. E a sua presença nos conforta e nos impulsiona a seguir em frente, como construtores do Reino de Deus.

Publicado na edição 1224 – 06/08/2020

Jesus está na barca, O Popular do Paraná

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