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Juntas, PM e GM atenderam mais de 50 ocorrências de Maria da Penha
Foto: Marco Charneski

A Polícia Militar e a Guarda Municipal de Araucária registraram um aumento no número de ocorrência de Maria da Penha, somente neste mês de janeiro de 2021. A GM realizou 42 atendimentos, destes, 13 agressores foram encaminhados para a Delegacia de Polícia, os demais conseguiram fugir do flagrante. Já a PM teve 86 chamadas, mas em 11 delas foi constatada a violência doméstica, com apenas um flagrante.

Uma prova de que os dados são preocupantes, é que somente na noite de sábado, 30 de janeiro e madrugada de domingo 31, a GM atendeu 10 ocorrências dessa natureza. Na maioria, houve apenas orientações aos envolvidos, sem a necessidade de encaminhamento à Delegacia. Porém, em um dos casos, um homem chegou em casa alterado e discutiu com a sua esposa, a xingou e ainda quebrou o box do banheiro. Partes do acrílico atingiram a cabeça do filho do casal, de apenas 3 anos. O homem foi detido. Em outra situação, um homem ameaçou a sua companheira com uma faca. Ela conseguiu se trancar no quarto do casal e com a ajuda do filho, entrou em contato com a GM e pediu socorro. Nesse caso, o agressor também foi detido.

Ainda na terça-feira, 2 de fevereiro, já iniciando um novo mês, a GM atendeu uma situação de Maria da Penha em um condomínio no bairro Tindiquera. A vítima foi humilhada pelo companheiro, que fez comentários maldosos sobre seu corpo, rasgou suas roupas e a expulsou de casa com seus dois filhos menores. O agressor se justificou, alegando que havia descoberto uma suposta traição da mulher, o que não foi confirmado por ela. O marido foi detido e levado para a Delegacia.

Segundo afirmam as duas corporações, apesar de a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) ter tornado mais rigorosa a punição para agressões contra a mulher quando ocorridas no âmbito doméstico e familiar, os casos de violência contra a mulher ainda estão entre as principais chamadas de emergência.

A delegada titular da Coordenação das Delegacias da Mulher (Codem), Ana Cláudia Machado, disse que a violência doméstica é diferente dos demais crimes, onde os autores são desafetos ou desconhecidos e não uma pessoa ligada à vítima emocionalmente, como o próprio companheiro. “A violência muitas vezes é camuflada pela nossa própria cultura machista, patriarcal. O homem é incentivado a responder algumas ações de forma violenta, enquanto a mulher busca a paz, a compreensão. E assim ela acaba vivendo em um relacionamento abusivo, e demora até se dar conta disso. Mesmo a sociedade nem sempre consegue identificar quando a mulher está sendo vítima de algum tipo de violência”, esclareceu a delegada.

Ainda de acordo com ela, a violência mais comum praticada contra a mulher é a psicológica. “Há estudos que comprovam que a mulher demora em média 10 anos para conseguir identificar que vive em um relacionamento abusivo, e muitas quando descobrem, não procuram ajuda. É um perigo real, e ela não tem a capacidade de enxergar. Lamentável, porque esse tipo de violência não é controlado, porque não vem de situações externas. A mulher precisa ficar atenta, e quando decidir pela separação, deve buscar apoio nos vários órgãos existentes atualmente, de defesa da mulher vítima de agressão. Ela precisa ser encorajada e incentivada, e à sociedade cabe não julgá-la, e sim tentar compreendê-la”, salientou a coordenadora.

Publicado na edição 1247 – 04/02/2021

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