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Neste final de semana acompanhei a realização de mais uma conferência municipal de saúde. Sai do encontro um pouco decepcionado, principalmente quando do anúncio dos novos conselheiros eleitos para representar os usuários da rede municipal de saúde.

Digo isto não porque tenha qualquer tipo de restrição aos eleitos e sim porque, basicamente, eles são os mesmos que já estavam no órgão e que, aliás, vem estando já há alguns biênios. Ou seja, não estamos conseguindo renovar e nem aumentar o interesse da comunidade em participar desses órgãos de controle social. Ajuda a corroborar essa minha percepção a constatação de que, ao chamar os novos conselheiros à frente para que os presentes os conhecessem, sobrou uma meia dúzia de gatos pingados na plateia. Logo, basicamente, quem participou da conferência foram somente os conselheiros, titulares ou suplentes.

Essa falta de renovação dos membros do Conselho de Saúde é péssima para o órgão, pois não há ali uma oxigenação de ideias e de ações de trabalho e isto é mortal para o controle social. Ora, esses conselheiros que lá estão há anos não conseguiram colaborar com a melhoria da saúde do Município e nem conscientizar a comunidade que eles representam da importância de se participar desses instrumentos de acompanhamento proporcionados pela legislação brasileira à sociedade.

Não duvido da boa intenção dos conselheiros em colaborar com o desenvolvimento da saúde do Município, mas eles não estão conseguindo, tanto é que as reclamações do setor só fazem crescer em Araucária. Muitos, não todos, dos conselheiros que lá estão não tem aptidão para a função que exercem. Talvez em outros tempos, quando sobrava grana nos cofres públicos para gastar com saúde, eles até tenham tido utilidade, pois seu papel era basicamente o de líder comunitário do postinho do bairro. Assim, se o local precisava de mais um clínico geral lá estava o conselheiro pedindo, se faltava remédio, lá ia ele de novo gritar no ouvido do comando da Secretaria de Saúde e assim por diante.

Agora, com o orçamento da saúde tendo atingido praticamente seu teto, o perfil do conselheiro não pode mais ser o de “pedinte” e sim o de gerente. A sua visão não pode ser mais reduzida à região que representa. Ele precisa enxergar a saúde do Município de maneira macro. Entender que é somente com a otimização dos recursos da saúde que iremos melhorá-la.

Por tudo isso sai da Conferência de Saúde do último sábado meio cabisbaixo. Não vi entre os conselheiros eleitos muitos capazes de propor, por exemplo, o fechamento da maioria dos centros de saúde da área rural, já que eles atendem uma miséria de pessoas ao passo que custam uma verdadeira fortuna para os cofres públicos. Também não vi ali muitos capazes de levantar a bandeira do fortalecimento do Estratégia de Saúde da Família (ESF) justamente nesta área rural para atender com mais qualidade aquelas comunidades que ficarão sem o postinho. Da mesma maneira não vi conselheiros em número suficiente a dar o tão necessário grito de que é preciso fechar centralizar num único espaço o atendimento dos dois 24 horas adulto existentes em Araucária hoje. Isto, para ficarmos em apenas alguns exemplos.

Por fim, tenho que dizer ainda que, embora tenha utilizado o Conselho de Saúde como exemplo, penso que meus apontamentos servem para todos os demais instrumentos de controle social existentes hoje em Araucária.

Banda Municipal
Na semana retrasada escrevi que o antigo prédio da Biblioteca Pública Emiliano Perneta era utilizado atualmente como depósito de instrumentos musicais. A frase não foi bem recebida pelos integrantes da Banda Municipal de Araucária, dona desses instrumentos. Eles viram na constatação uma crítica e um menosprezo ao trabalho que eles vêm fazendo. A quem assim pensou, peço desculpas. Não foi a intenção. Reconheço o belo trabalho social que a Banda vem realizando. Isso, no entanto, não muda minha opinião quanto àquele prédio público. Continuo considerando que ele é subutilizado e que ali deveríamos erguer uma bela biblioteca. Quanto à nossa Banda Municipal, creio que já passou da hora de o Município ter um imóvel próprio construído especialmente para recebê-la, assim como outros cursos culturais oferecidos pela Prefeitura.