Receber o diagnóstico de câncer de mama pode ser um dos momentos mais desafiadores na vida de uma mulher. A confirmação da doença nunca vem sozinha, ela traz um misto de sentimentos ruins, como medo, ansiedade, tristeza, choque, decepção e até culpa.

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Muitas mulheres, em seus relatos, contam que o primeiro pensamento que vem à cabeça é quase unânime entre elas: “É o meu fim!” Um filme passa rapidamente pela cabeça e o auto-questionamento é inevitável: Por que eu? Como vou lidar com isso? A carga psicológica é tão pesada que o apoio de familiares, amigos e profissionais especializados é fundamental no processo.

Mesmo que o câncer seja uma batalha difícil, são muitas as histórias de superação, e elas mostram que há esperança mesmo nos dias mais nebulosos. Nesta reportagem, o Jornal O Popular reuniu quatro relatos inspiradores de mulheres em tratamento contra o câncer. Elas transformaram a dor em aprendizado, e cada história nos traz uma lição de vida importante, para entendermos como a resiliência pode vencer o medo.

A fé tem que prevalecer, sempre!

Maria de Fátima Oliveira, 60 anos, é casada, tem uma filha, e descobriu o câncer de mama em 2016. Ela confessa que quando recebeu o diagnóstico não ficou assustada, porque na sua cabeça, o médico estava falando de outra pessoa e não dela. “Eu comecei o tratamento imediatamente, com cirurgia, quimioterapia vermelha e radioterapia, pois o câncer estava avançadíssimo. Foram retirados 26 nódulos malignos da minha mama”, relata.

Ela diz que enfrentou muitas dificuldades, ficou sem trabalho, não tinha dinheiro para comprar os medicamentos e precisava de transporte, pois morava longe. “Percebia o sofrimento da minha família e sofria junto, principalmente em ver meu corpo sendo mutilado. Graças a Deus, sempre fui muito amada e amparada por todos!”, declara.

Atualmente, Maria de Fátima está em tratamento à base de quimioterapias e acompanhamento oncológico, porém afirma que pela sua fé, está curada. “A fé é primordial em minha vida! Não aceito nenhuma doença em meu corpo e não fico pensando na situação. Tento viver um dia de cada vez, da melhor forma possível. Faço caminhada, participo das atividades da ONG EVA, e sempre que tenho oportunidade, falo da minha experiência com o câncer para outras mulheres”.

Minha vida após o câncer: mulheres araucarienses contam suas experiências
Foto: Divulgação. Maria de Fátima não deixa a doença impedi-la de viver, e sua alegria é contagiante.

Segundo a araucariense, a vaidade é uma das coisas que mais deprime as mulheres com câncer. “Seus cabelos vão embora, mas eles nascem de novo! Veja pelo lado bom, a gente economiza muito por não ter que comprar shampoos e cremes. O corpo pode até ficar mutilado, mas nossa cura é mais importante! Mulher, não espere por ninguém, vá à luta. Não desanime, se ame primeiro! Tem um Deus que te ama infinitamente e supre todas as suas necessidades!”, aconselha.

Maria ainda diz que quando a mulher recebe o diagnóstico do câncer, todos já a enxergam com sentimento de compaixão, e ela já se sente morta. “Por isso que nos concursos e desfiles, as pessoas se surpreendem em nos ver alegres, bonitas e cheias de vida, com muita garra e muita vontade de viver! Eu participei do concurso Miss Eva por três vezes e esse ano fui eleita rainha na minha categoria. Então, não desanimem, a medicina tem evoluído muito e a nossa fé tem que prevalecer, sempre. Nada nos acontece por acaso, Deus sempre tem um propósito para nossas vidas. Afinal, somos mulheres que vencem!”

O diagnóstico não define quem você é!

Em 2025, Daniele Chadai, 39 anos, descobriu um câncer de mama, do tipo Luminal A. Ao ouvir o diagnóstico, ela relata que ficou um silêncio na sala e suas lágrimas começaram a rolar. “Por um momento, achei que fosse meu fim, porque é muito triste ouvir do médico que você está com câncer. Mas depois tudo foi tão rápido, que quando a ficha caiu, eu já estava em tratamento e passei a enxergar minha luta com outros olhos. Fiz as quimioterapias e a cirurgia no Hospital do Rocio em Campo Largo, e as radioterapias no Hospital Angelina Caron”, conta.

Daniele tem um casal de filhos e atualmente está namorando. O apoio de quem a cerca tem sido fundamental no tratamento. “Minha maior dificuldade no começo foi vencer o medo e manter minha mente focada no que é bom: na cura e na vida que continuava. Tive muito apoio da família e dos amigos. Na época, estava em um relacionamento, que terminou um dia após eu receber o diagnóstico”, descreve.

Minha vida após o câncer: mulheres araucarienses contam suas experiências
Foto: Divulgação. Daniele incentiva outras mulheres a serem fortes e, automaticamente, renova suas forças.

Ainda em tratamento, Daniele faz consultas e exames a cada três meses, além de tomar um medicamento. “Nessa fase eu me aproximei de Deus e pedi pra Ele não largar a minha mão. Estou sempre postando minha rotina, e ao incentivar outras mulheres a serem fortes, automaticamente minhas forças também se renovavam. Sempre recebi muitas mensagens de mulheres que estavam no mesmo processo e isso de certa forma servia de incentivo umas para as outras”, afirma.

Daniele participou do concurso Miss Eva deste ano e disse que todas as participantes estavam lindas. “O intuito não é quem ganha ou quem perde, pois lá todas são mais que vitoriosas. O que eu queria mesmo é que outras mulheres se espelhem em nossas histórias e nunca desistam. E você, mulher, que acaba de receber o diagnóstico de câncer, permita-se chorar, ter medo e não ser forte o tempo todo. Um diagnóstico não define quem você é e nem determina o seu final!”, aconselha.

“Eu escolhi viver!”

Casada e mãe de 4 filhos, Daianna Moura, de 38 anos, recebeu o diagnóstico do câncer de mama no dia 5 de dezembro de 2024. A doença ainda estava na fase inicial. Naquele dia, foi ao médico acompanhada da amiga Aline, que a ajudou a controlar o medo. “Eu estava muito apreensiva, mas lá no fundo algo já me dizia que não ia ser coisa boa. A Aline tentava mostrar que estava tudo bem, mas seu olhar também era de medo. Quando o médico contou o resultado da biópsia, fiquei sem chão. O doutor João, um amor de pessoa, falou com todo amor e cuidado, mas naquele momento, foi como se Deus bloqueasse todos os meus pensamentos. Só lembro da Aline pegando na minha mão e falando: “Nega, vai dar tudo certo com você!” E o Dr. João continuou falando, só que eu não escutava nada. Cheguei em casa, liguei pro meu marido e pedi que viesse porque iríamos contar para os meninos. Nisso, a Aline, que até então tentava ser forte, começou a chorar e eu tive que acalmá-la, falando que estava tudo bem. Meu marido chegou e, de novo, meu mundo caiu. Não foi fácil contar para os meus filhos, vi o mais velho entrar no quarto e brigar com Deus e nós respeitamos o momento dele. Já os pequenos não entenderam muito bem o que estava acontecendo. Naquele momento, engoli o choro e resolvi não pensar em tudo que estava por vir, porque sabia que eles seriam minha fortaleza nos dias muito ruim”, relembra.

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Foto: Divulgação. Daianna sempre foi acelerada, e com o câncer, percebeu que era hora de parar e se cuidar.

Daianna realizou a cirurgia no dia 30 de janeiro e já deu início ao tratamento no Hospital do Rocio. “Comecei as quimioterapias. A maior dificuldade nesse período foi ter paciência, porque sempre fui muito ligada no 220, trabalhava, cuidava da família, da casa, estava começando a realizar meus sonhos e, de um dia pro outro, tive que parar tudo e cuidar de mim mesma. Eu só tinha duas opções: viver ou desistir, e eu escolhi viver. Veio a perda do cabelo e isso foi bem difícil. Chamei um casal de conhecidos, minhas primas, meu marido e filhos, para acompanharem o momento em que decidi raspar a cabeça. Todos tentavam disfarçar a tristeza para que eu ficasse bem. Fui ao banheiro e chorei muito. Falei com Deus e pedi que quando meu cabelo voltasse, fosse muito mais bonito. Eu tinha cachos e Deus me deu um novo cabelo, todo enrolado, lindo!”, conta.

O apoio de familiares e amigos foi fundamental para Daianna atravessar o período mais complicado da sua vida. “Percebi o quanto eu era amada e minada, todos estavam do meu lado, e pessoas que eu nem conhecia oravam por mim. Atualmente, faço acompanhamento a cada seis meses, mas estou curada! Me apeguei na fé, indo para a igreja quando não estava sob os efeitos colaterais da quimioterapia. Optei em levar todo o processo da maneira mais leve possível e viver um dia de cada vez!”, declara.

Hoje, Daianna acredita ser uma missão falar da doença com outras mulheres, para encorajá-las. “O Miss EVA é muito importante nesse sentido, porque resgata um pouco do que somos, mulheres lindas e fortes, e nos permite conhecer outras histórias. Participei no ano passado quando eu estava careca e ganhei uma das faixas, esse ano participei também. É sempre um sentimento de alegria estar ao lado das minhas ‘bests’ oncológicas”.

A mensagem de Daianna às mulheres com câncer é de fé e muita força, porque não é fácil passar por isso. “Você pode escolher como vai viver a partir do diagnóstico. Se dê o direito de chorar quando tiver medo, mas tenha sempre em mente que esta é só uma fase, que isso vai passar e se tornar apenas mais um capítulo da sua vida. Não pare de sonhar e lutar, porque nós mulheres somos fortes e temos um Pai lá em cima que nos ama do jeitinho que somos!”, aconselha.

“Enquanto houver vida, haverá esperança de viver!”

Luciana Clélia Tiepo Gonçalves da Silva é mãe solo de dois filhos. Em 2021 ela viu sua vida mudar completamente após receber um diagnóstico um carcinoma mamário. “Eu não acreditei no momento, só com o passar do tempo, e quando realmente eu comecei o tratamento foi que a ficha caiu. Não comecei o tratamento de imediato porque estávamos na pandemia. Eu morava em Santa Catarina, mas tinha família e amigos em Araucária. Todos insistiram para eu vir pra cá e dar entrada por Curitiba também e eu consegui o tratamento pelo Hospital Erasto Gaertner”, conta.

Minha vida após o câncer: mulheres araucarienses contam suas experiências
Foto: Divulgação. Luciana está na fase fi nal do tratamento, porém terá que fazer acompanhamento pelos próximos 10 anos.

Para ela, as dificuldades foram muitas, principalmente relacionadas aos efeitos do tratamento. “Cada quimioterapia era uma reação diferente, veio a perda do cabelo, o emagrecimento, a auto estima ficou abalada. No entanto, hoje vejo tudo isso como um grande aprendizado. Contei com apoio de pessoas que eu não esperava, e as que eu achava que poderia contar, me decepcionaram”, lamenta.

Em todo tempo ela diz que precisou ser forte, porque tem um filho especial que depende muito dela. “Nunca perdi a fé e sempre recebi muito apoio. Hoje eu só me arrependo de ter demorado tanto para contar minha história para outras mulheres. Quero que a minha experiência sirva de inspiração para aquelas que recebem um diagnóstico de câncer. Tenham fé, força e esperança de lutar pela vida. Enfim, como é difícil encontrar as palavras certas, pois quando conto minha história, volto no tempo em que o sofrimento deixou marcas profundas em minha vida”, declara.

Luciana está na fase final do tratamento, porém terá que fazer acompanhamento pelos próximos 10 anos, conforme as novas diretrizes do hospital.

Edição n.º 1953

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