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Mulheres araucarienses contam seus desafios como empreendedoras

Mulheres araucarienses contam seus desafios como empreendedoras
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O Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino (comemorado em 19/11) evidencia e valoriza as mulheres como protagonistas no campo empresarial. A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014. Mas o que temos para comemorar? Apesar de ainda estarmos longe de protagonizar o papel que cabe à mulher no mundo empresarial, muitas delas vem se destacando em cargos de liderança ou mesmo como empreendedoras individuais.

O Jornal O Popular conversou com três mulheres de Araucária, que se destacam nas suas funções. Elas contam sobre as dificuldades que tiveram que enfrentar para se tornarem empreendedoras e conquistarem o respeito da sociedade. Acompanhe os depoimentos.

Carla Arieta Carneiro Folly, diretora do FISK Araucária

Mulheres araucarienses contam seus desafios como empreendedoras
Foto: Divulgação.

“Eu trabalhava na Fisk há mais de 10 anos, quando em 2016 assumi a direção da escola. Quando eu me tornei empresária, percebi que já era empreendedora, pois me dedicava ao atendimento aos clientes e alunos de forma que a cultura da empresa fosse o nosso diferencial. Então, passei a buscar novas parcerias com outras empresas da cidade para que a minha marca pudesse ser fortalecida, inclusive durante a pandemia. Como mulher, posso dizer que a busca pelo equilíbrio entre vida pessoal e empresarial é um constante desafio. O investimento em qualificação profissional foi a maneira que encontrei para desenvolver novas habilidades e sentir mais segurança nas tomadas de decisões”.

Janete Martins, confeiteira

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Foto: Divulgação.

“Sou micro empreendedora em Araucária. Minha trajetória começou em 2005, na cidade de Bariri/SP, em companhia do meu esposo que estava em novo emprego naquela cidade. Eu, que sempre havia trabalhado em tempo integral, cuidava das tarefas do lar. Certo dia fiz uma fornada de pães caseiros, levei para degustação em um salão de beleza, agradou tanto que os pedidos chegaram sem parar. Vim para Araucária em 2008, acompanhando meu esposo em novo emprego e resolvi investir em cursos de fabricação de bolos e doces. Na época eu saia de Araucária para ir ao Boqueirão, em Curitiba, com duas crianças, sendo uma de colo, para a sala de aula. Na sequência comecei a vender bolos, doces, tortas em fatias nas lojas de Araucária. O investimento deu certo. Hoje sou especialista em atendimento aos clientes com festas de aniversário, noivado, casamento, entre outras. Meus doces e bolos são feitos com muito amor, dedicação e produtos de qualidade e procedência garantida. Minha principal dificuldade como mulher empreendedora foi conciliar o trabalho com as tarefas do lar. Hoje continuo empreendendo, cuidando do lar e cursando enfermagem. Minhas principais conquistas foram a minha independência financeira, que complementa a renda familiar, morando em casa própria, com veículo próprio e bens de consumo. Minha satisfação se completa com a felicidade dos meus clientes, alguns são fiéis desde o começo da minha trajetória em Araucária”.

Gabi Rocha, jornalista e empresária

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Foto: Divulgação.

“Meus pais me criaram com a visão de ter que estudar, fazer uma faculdade e trabalhar com carteira assinada, eles não vieram do empreendedorismo e nunca despertaram isso em mim. Falavam que eu tinha que trabalhar com carteira assinada ou passar num concurso público, mas sempre defenderam a ideia da estabilidade profissional. Me formei jornalista e durante o tempo que eu estudava, fiz alguns estágios. Comecei a trabalhar logo que me formei, sempre com a visão de que teria que construir a minha carreira como jornalista, trabalhando dentro de um veículo de comunicação. Porém minha vida foi se desenhando de forma diferente e os caminhos acabaram me levando para o empreendedorismo. As oportunidades foram surgindo e fui abraçando.

Em 2009, os 25 anos, comprei o prêmio Melhores do Ano de Araucária, que se tornou tradição, feito pela minha empresa, a Única Comunicação. Por ser uma jovem mulher, confesso que sentia algumas dificuldades, alguns desafios que talvez não tivesse se fosse um homem mais velho, então demorei muito para conquistar a credibilidade das pessoas. Esbarrei na desconfiança, foi difícil conquistar espaço enquanto empresária. As pessoas demoraram para me reconhecer como Gabriela Rocha, empresária. Muitos não me enxergavam dessa forma, mas perseverei. Até porque, depois que comecei a empreender, percebi que amava fazer aquilo. Nunca abandonei a profissão de jornalista, sempre consegui conciliar as duas coisas. Então fui fazendo o que me dava estabilidade, que naquele momento era a minha profissão de jornalista. E paralelo a isso, fui me arriscando no empreendedorismo e continuo fazendo o prêmio Melhores do Ano até hoje.

Consegui conquistar o meu espaço cada vez mais, o prêmio, que já existia quando eu comprei, está crescendo e em 2022 chegou na sua 24ª edição. Graças a Deus consegui consolidar a minha imagem e conquistei respeito perante a sociedade. Isso foi fruto de muito trabalho, muita dedicação, muito esforço. Esse foi só o primeiro, depois empreendi fazendo outros eventos, como o Miss Araucária. Por um tempo eu fazia trabalhos de marketing e também já tive funcionários. Hoje a agência está exclusiva para eventos. Além disso, há uns alguns anos atrás eu me desafiei a investir num ramo completamente diferente, que eu não conhecia, mas que era um ramo que eu gostava muito, que era de maquiagem. Abri uma loja, no entanto, devido a pandemia e uma série de fatores, acabou não dando certo. Não foi uma decepção, mas um aprendizado, porque mostrou que o empreendedorismo não é fácil, não são só flores, é difícil. A gente cai, a gente levanta, a gente tem que estudar muito.

Às vezes as pessoas só enxergam pelas aparências, que estamos nos dando bem, que a loja está crescendo cada vez mais ou o prêmio está cada vez maior, que a empresa está progredindo, mas ninguém sabe das noites que a gente fica sem dormir porque tem boletos pra pagar, da preocupação em ter que pagar 13º para funcionários, de ter que pagar a folha de pagamento. Então, empreender é um grande desafio, mas acima de tudo, é uma arte, que me arrisco a dizer, é para poucos. Acho que é possível que uma pessoa aprenda a empreender, qualquer pessoa pode aprender a empreender, mas acredito que a pessoa tem que nascer com esse dom. Alguns nascem para trabalhar em uma empresa, cumprir uma rotina, cumprir horário e outros não, nascem para ser donas do seu próprio negócio e ter essa visão diferenciada. Esse é meu ponto de vista e acho que isso é o grande fator que determina o sucesso ou o fracasso de uma empresa. E se você me perguntar como eu imagino a Gabriela do futuro ou a Gabriela profissional, não me imagino em uma corporação ou uma empresa, trabalhando fechada dentro de quatro paredes, desenvolvendo uma carreira na área de comunicação. Me imagino trabalhando no meu próprio negócio, quem sabe criando franquias do meu prêmio, levando para outros municípios do estado, talvez até do país. É assim que eu me imagino daqui uns anos, essa é a minha expectativa de futuro.

Continuo ainda aliando o empreendedorismo a um trabalho fixo, mas daqui uns anos eu espero poder viver somente do empreendedorismo. Acho importante falar também que eu sou uma mulher que sempre gosta de priorizar, claro que nunca exclusivamente, mas eu sempre gosto de priorizar comprar em uma loja de uma mulher, ou de uma amiga. Acho que as mulheres tem que se ajudar, tem que ser uma rede de apoio, de incentivo e de colaboração. E eu acho que o caminho é esse”.