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A Coluna do padre André Marmilicz

Esta foi a Boa Notícia trazida pelo anjo do Senhor aos pastores que cuidavam do seu rebanho, próximo ao lugar onde nasceu Jesus. De repente, juntou-se ao anjo uma grande multidão de anjos que glorificavam a Deus dizendo: ‘Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por eles amados’. E eles, depois de terem ido ao encontro de Maria e José e contemplado o menino Jesus na manjedoura, voltaram glorificando a Deus por tudo o que haviam visto e ouvido, conforme o anjo lhes tinha anunciado. Grande mistério, porque não foi aos ricos e poderosos que se manifestou em primeiro lugar o Filho de Deus, mas aos pastores, homens pobres e humildes.

Geralmente nós cultivamos em nossas mentes a imagem dos pastores como pessoas honestas, acolhedoras, cheias de Deus e por causa dessa sua boa conduta, foram escolhidas para serem as primeiras a conhecerem o Salvador da humanidade. Mas esta não era a realidade! Os pastores, na verdade, eram pessoas odiadas pelo povo e de modo especial, pelas autoridades e sua conduta não era por nada exemplar. Para termos a ideia do quanto eles não eram estimados, ninguém escolhia um pastor para defendê-lo no tribunal. A derrota era praticamente certa. Então porque o anjo revelou a eles por primeiro o nascimento do Menino Deus e não para pessoas consideradas corretas e exemplares?

Eis aí o grande mistério da vinda do Filho de Deus que desde o início nos revela a razão pela qual veio habitar entre nós. Ele não veio para aqueles que se consideravam perfeitos, os melhores, os prepotentes e arrogantes. Estes se fecharam completamente à Boa Nova do Reino.  Mas são os pobres, humildes, doentes, os pecadores, que vão ao seu encontro, se sentem tocados pelo seu amor, pela sua misericórdia e compaixão, e mudam de vida. Os apóstolos, que por ele foram escolhidos para serem os seus seguidores, não sustentavam uma vida perfeita. Eram frágeis pescadores, e, no meio deles, tinha inclusive um que era publicano, amplamente condenado pelos fariseus, que o consideravam já no inferno. Ele claramente veio para salvar os pecadores, como ele mesmo vai dizer: ‘não são os sadios que precisam de médico, mas os doentes’.

Hoje novamente, assim como em Belém, Jesus quer nascer em nosso meio, na vida de cada um de nós. Para tanto, faz-se necessário ter um coração humilde, pequeno, capaz de reconhecer suas fragilidades, suas falhas e sinceramente abrir-se à mudança de atitude. Um coração orgulhoso, prepotente, frio,  calculista, que julga os outros, incapaz de perdoar, não poderá fazer a experiência do nascimento de Jesus em sua vida. Acolhê-lo hoje significa abrir-se a uma vida nova, longe do orgulho, do desejo da vingança, da falta de perdão, do fechamento no seu próprio egoísmo. Se as pessoas realmente entendessem que Ele veio para mudar a sua vida e se colocassem na dinâmica da conversão, o Natal, com certeza, ajudaria o mundo a ser bem melhor e mais humano. Infelizmente, tantos Natais já se passaram na vida de tantas pessoas, e, a vida simplesmente continuou do mesmo jeito.

Hoje, novamente, surge a chance de sermos diferentes. Acolher Jesus em nossa vida significa despir-se de toda arrogância, prepotência, orgulho, mágoas, inveja, vingança. Somos todos pecadores, necessitados do seu amor e da sua compaixão. Somente quando entendermos isso, poderemos fazer a experiência realizada pelos pastores, e, nos alegraremos então, dando glórias a Deus, porque nasceu para nós o Salvador.

“Nasceu para vocês um Salvador" (Lc 2,11). - notícias da Capa Padre André Marmilicz  - O Popular do Paraná
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