O Diário Oficial do Município trouxe nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, um decreto com a exoneração de pelo menos seis dezenas de cargos em comissão. Oficialmente não haverá declarações a respeito, mas nos bastidores da política local sabe-se que boa parte dos exonerados eram indicações de alguns vereadores até então classificados como pertencentes à base da administração na Câmara.

Governabilidade

Indicação para ocupar cargos em comissão é uma das ferramentas de governabilidade mais utilizadas no Brasil, sendo que a exoneração desses é também uma das primeiras ações tomadas quando os termos pactuados para governabilidade ficam estremecidos. Precisamos agora aguardar para entender como cada edil vai administrar essas perdas. Afinal, o indicado para um CC normalmente é um cabo eleitoral, que contava com aquela vaga ao longo de quatro anos.

No peito

E falando em governabilidade, quem se cacifou – e muito – nessa queda de braços entre Prefeitura e Câmara foi o vereador Eduardo Castilhos (PL). Na condição de presidente, ele chamou pra si a decisão de considerar nula a votação que abriu a comissão processante. Com isso, atraiu a fúria de muitos vereadores. Sob outro prisma, no entanto, mostrou que não é de se acovardar.

Caneta

Obviamente, pode ser que os vereadores que ficaram insatisfeitos com a decisão de Castilhos manejem algum recurso judicial para questionar a decisão que ele tomou. Mas, é fato, a realidade hoje é a de que não existe mais qualquer comissão processante contra o chefe do Poder Executivo. Obviamente alguns dirão que ele não poderia ter tomado tal decisão de forma monocrática, mas não é de hoje que o regimento interno da Câmara dá bastante poder ao seu presidente. Castilhos não foi o primeiro e nem será o último a utilizar desse poder.

Tempo

Ainda sobre a crise política envolvendo a relação entre Executivo e Legislativo, o comentário que rola nos corredores é o de que alguns vereadores acreditaram numa fábula de que toda a tramitação da representação contra o chefe do Poder Executivo duraria em torno de 30 dias, sendo que depois disso ele estaria fora do cargo. Na vida real, no entanto, a tendência é que o enredo não seja tão simples assim. A possibilidade de estarmos diante de um processo de muitos meses e sem a certeza do desfecho ideal para quem acreditou na história inicial é grande.

Conversas

Essas incertezas com relação ao tempo necessário para se encerrar a tal da comissão processante – aliás – deve ser um dos principais atrativos para que em poucos dias haja um movimento no sentido de tentar apaziguar os ânimos entre os lados que agora brigam. Obviamente, essa recomposição da governabilidade deixará feridas, mas em política feridas cicatrizam e quem é do meio sabe que o negócio é sempre olhar pra frente.

Centrão

Um velho senhor que acompanha a política araucariense já há algumas décadas disse a esta Coluna que é importante entender o perfil dos vereadores que integram o parlamento atualmente. Os edis – digamos assim – ideológicos são poucos. O grosso do parlamento é pragmático (uma espécie de centrão), que sabe que ficar brigando só faz mal para o exercício do mandato. Logo, aposta esse velho arauto, nos próximos dias a tendência é que boa parte dos vereadores proponha uma mesa a dois de mediação. Tudo, claro, sem a necessidade de exposição dos termos a serem acordados. Vamos aguardar.

Edição n.º 1504.