O amor acima de tudo

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Muitas pessoas colocam tantas coisas em primeiro lugar: os bens terrenos, o dinheiro, o conforto, móveis novos, casa grande, carro zero, coleções de sapatos, celular última geração, roupas de última moda, de marca, e, esquecem que tudo isso, sem amor, pode levar a um vazio enorme. As coisas não preenchem aquilo que é essencial na vida de um ser humano. Elas podem, aparentemente, dar uma satisfação momentânea, mas sempre passageira. E o vazio continuará se ampliando, podendo inclusive levar a uma depressão, a uma falta de sentido para a vida. O próprio Jesus nos diz, ‘mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens’.

A ganância cria no ser humano um desejo insaciável pelo ter, em detrimento do ser. Parece que ter coisas cria uma falsa imagem de felicidade. Como explicar o desvio, a corrupção, a ganância insaciável pelo dinheiro, mesmo que isso custe sua dignidade? No fundo, quem age assim, vive um vazio interior enorme que precisa ser compensado com as coisas externas. É na verdade algo doentio, porque a sede do ter mais nunca é saciada, como se a vida se resumisse em bens materiais. É triste constatar uma sociedade onde existem tantas pessoas que não sabem partilhar, onde falta a solidariedade e a compaixão, onde o egoísmo, o eu acima de tudo, as vantagens pessoais imperam e determinam o curso da vida.

A boa nova do evangelho é uma proposta de vida plena. Jesus veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância. E o que ele fez durante toda sua passagem nesta terra? Pregou o amor através de palavras, gestos e ações. Para ele tudo se resume em ‘amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo’. Um amor que sai de si mesmo e vai ao encontro do outro, sobretudo, do mais necessitado. Falar de céu e de inferno é compreender que a vida pode ser resumida em egoísmo ou comunhão. Se existe alguém no inferno, este alguém se chama ‘ego’, egoísmo; o céu, pelo contrário, é comunhão, é partilha, é solidariedade e doação. O amor nos salva ou a sua falta pode nos condenar. Como disse o próprio Jesus, ‘não é aquele que diz Senhor, Senhor, que entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade do Pai’. E qual é a sua vontade? Que vivamos como irmãos, que se ajudem e se solidarizem e colocam a sua vida a serviço dos outros.

O amor está acima de tudo nesta vida. Toda a palavra de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento, se resume em amor a Deus e aos irmãos. Fora disso, tudo pode ser apenas belos discursos, belas palavras, mas vazias, porque distantes da essência do evangelho. A vida, no fundo, deveria ser colocada a serviço do outro. Vida vivida, vida que realmente vale a pena, vida que realiza, vida que dignifica, é aquela colocada a dispor do próximo. Vida fechada em si mesma, vivida de modo egoísta, voltada apenas para suas vantagens pessoais, está longe daquilo que Deus quer de nós. Como dizia uma pessoa no auge da sua existência: ‘quero chegar ao final da vida totalmente gasto em prol dos irmãos’. Achei essa frase maravilhosa, plenamente de acordo com os apelos de Jesus no evangelho.

O amor, só o amor, dá um verdadeiro sentido para a nossa passagem nesta terra. É o amor que se doa e que não faz acepção de pessoas, que se alegra com o bem do outro, que chora com a sua dor. Oxalá nós fossemos capazes de amar, sem interesses egoístas, mas totalmente voltados única e exclusivamente para o bem do próximo. E que no final da vida pudéssemos dizer: valeu a pena viver, pois, o amor esteve sempre acima de tudo.

Publicado na edição 1235 – 22/10/2020

O amor acima de tudo
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